Novo Testamento

Mateus

Mat.1.1- Livro da genealogia de Jesus Cristo, filho de David, filho de Abraão.

Mat.1.2- A Abraão nasceu Isaque; a Isaque nasceu Jacob; a Jacob nasceram Judá e seus irmãos;

Mat.1.3- a Judá nasceram, de Tamar, Farés e Zará; a Farés nasceu Esrom; a Esrom nasceu Arão;

Mat.1.4- a Arão nasceu Aminadabe; a Aminadabe nasceu Nasom; a Nasom nasceu Salmom;

Mat.1.5- a Salmom nasceu, de Raab, Booz; a Booz nasceu, de Rute, Obede; a Obede nasceu Jessé;

Mat.1.6- e a Jessé nasceu o rei David. A David nasceu Salomão da que fora mulher de Urias;

Mat.1.7- a Salomão nasceu Roboão; a Roboão nasceu Abias; a Abias nasceu Asafe;

Mat.1.8- a Asafe nasceu Josafá; a Josafá nasceu Jorão; a Jorão nasceu Ozias;

Mat.1.9- a Ozias nasceu Joatão; a Joatão nasceu Acaz; a Acaz nasceu Ezequias;

Mat.1.10- a Ezequias nasceu Manassés; a Manassés nasceu Amon; a Amon nasceu Josias;

Mat.1.11- a Josias nasceram Jeconias e seus irmãos, no tempo da deportação para Babilónia.

Mat.1.12- Depois da deportação para Babilónia nasceu a Jeconias, Salatiel; a Salatiel nasceu Zorobabel;

Mat.1.13- a Zorobabel nasceu Abiúde; a Abiúde nasceu Eliaquim; a Eliaquim nasceu Azor;

Mat.1.14- a Azor nasceu Sadoque; a Sadoque nasceu Aquim; a Aquim nasceu Eliúde;

Mat.1.15- a Eliúde nasceu Eleazar; a Eleazar nasceu Matã; a Matã nasceu Jacob;

Mat.1.16- e a Jacob nasceu José, marido de Maria, da qual nasceu JESUS, que se chama Cristo.

Mat.1.17- De sorte que todas as gerações, desde Abraão até David, são catorze gerações; e desde David até a deportação para Babilónia, catorze gerações; e desde a deportação para Babilónia até o Cristo, catorze gerações.

Mat.1.18- Ora, o nascimento de Jesus Cristo foi assim: Estando Maria, sua mãe, desposada com José, antes de se ajuntarem, ela se achou ter concebido do Espírito Santo.

Mat.1.19- E como José, seu esposo, era justo, e não a queria infamar, intentou deixá-la secretamente.

Mat.1.20- E, projectando ele isso, eis que em sonho lhe apareceu um anjo do Senhor, dizendo: José, filho de David, não temas receber a Maria, tua mulher, pois o que nela se gerou é do Espírito Santo;

Mat.1.21- ela dará à luz um filho, a quem chamarás JESUS; porque ele salvará o seu povo dos seus pecados.

Mat.1.22- Ora, tudo isso aconteceu para que se cumprisse o que fora dito da parte do Senhor pelo profeta:

Mat.1.23- Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho, o qual será chamado EMANUEL, que traduzido é: Deus connosco.

Mat.1.24- E José, tendo despertado do sono, fez como o anjo do Senhor lhe ordenara, e recebeu sua mulher;

Mat.1.25- e não a conheceu enquanto ela não deu à luz um filho; e pôs-lhe o nome de JESUS.

Mat.2.1- Tendo, pois, nascido Jesus em Belém da Judeia, no tempo do rei Herodes, eis que vieram do oriente a Jerusalém uns magos que perguntavam:

Mat.2.2- Onde está aquele que é nascido rei dos judeus? pois do oriente vimos a sua estrela e viemos adorá-lo.

Mat.2.3- O rei Herodes, ouvindo isso, perturbou-se, e com ele toda a Jerusalém;

Mat.2.4- e, reunindo todos os principais sacerdotes e os escribas do povo, perguntava-lhes onde havia de nascer o Cristo.

Mat.2.5- Responderam-lhe eles: Em Belém da Judeia; pois assim está escrito pelo profeta:

Mat.2.6- E tu, Belém, terra de Judá, de modo nenhum és a menor entre as principais cidades de Judá; porque de ti sairá o Guia que há-de apascentar o meu povo de Israel.

Mat.2.7- Então Herodes chamou secretamente os magos, e deles inquiriu com precisão acerca do tempo em que a estrela aparecera;

Mat.2.8- e enviando-os a Belém, disse-lhes: Ide, e perguntai diligentemente pelo menino; e, quando o achardes, participai-mo, para que também eu vá e o adore.

Mat.2.9- Tendo eles, pois, ouvido o rei, partiram; e eis que a estrela que tinham visto quando no oriente ia adiante deles, até que, chegando, se deteve sobre o lugar onde estava o menino.

Mat.2.10- Ao verem eles a estrela, regozijaram-se com grande alegria.

Mat.2.11- E entrando na casa, viram o menino com Maria sua mãe e, prostrando-se, o adoraram; e abrindo os seus tesouros, ofertaram-lhe dádivas: ouro incenso e mirra.

Mat.2.12- Ora, sendo por divina revelação avisados em sonhos para não voltarem a Herodes, regressaram à sua terra por outro caminho.

Mat.2.13- E, havendo eles se retirado, eis que um anjo do Senhor apareceu a José em sonho, dizendo: Levanta-te, toma o menino e sua mãe, foge para o Egipto, e ali fica até que eu te fale; porque Herodes há-de procurar o menino para o matar.

Mat.2.14- Levantou-se, pois, tomou de noite o menino e sua mãe, e partiu para o Egipto.

Mat.2.15- e lá ficou até a morte de Herodes, para que se cumprisse o que fora dito da parte do Senhor pelo profeta: Do Egipto chamei o meu Filho.

Mat.2.16- Então Herodes, vendo que fora iludido pelos magos, irou-se grandemente e mandou matar todos os meninos de dois anos para baixo que havia em Belém, e em todos os seus arredores, segundo o tempo que com precisão inquirira dos magos.

Mat.2.17- Cumpriu-se então o que fora dito pelo profeta Jeremias:

Mat.2.18- Em Ramá se ouviu uma voz, lamentação e grande pranto: Raquel chorando os seus filhos, e não querendo ser consolada, porque eles já não existem.

Mat.2.19- Mas tendo morrido Herodes, eis que um anjo do Senhor apareceu em sonho a José no Egipto,

Mat.2.20- dizendo: Levanta-te, toma o menino e sua mãe e vai para a terra de Israel; porque já morreram os que procuravam a morte do menino.

Mat.2.21- Então ele se levantou, tomou o menino e sua mãe e foi para a terra de Israel.

Mat.2.22- Ouvindo, porém, que Arquelau reinava na Judeia em lugar de seu pai Herodes, temeu ir para lá; mas avisado em sonho por divina revelação, retirou-se para as regiões da Galileia,

Mat.2.23- e foi habitar numa cidade chamada Nazaré; para que se cumprisse o que fora dito pelos profetas: Ele será chamado nazareno.

Mat.3.1- Naqueles dias apareceu João, o Batista, pregando no deserto da Judeia,

Mat.3.2- dizendo: Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus.

Mat.3.3- Porque este é o anunciado pelo profeta Isaías, que diz: Voz do que clama no deserto; Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas.

Mat.3.4- Ora, João usava uma veste de pelos de camelo, e um cinto de couro em torno de seus lombos; e alimentava-se de gafanhotos e mel silvestre.

Mat.3.5- Então iam ter com ele os de Jerusalém, de toda a Judeia, e de toda a circunvizinhança do Jordão,

Mat.3.6- e eram por ele batizados no rio Jordão, confessando os seus pecados.

Mat.3.7- Mas, vendo ele muitos dos fariseus e dos saduceus que vinham ao seu batismo, disse-lhes: Raça de víboras, quem vos ensinou a fugir da ira vindoura?

Mat.3.8- Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento,

Mat.3.9- e não queirais dizer dentro de vós mesmos: Temos por pai a Abraão; porque eu vos digo que mesmo destas pedras Deus pode suscitar filhos a Abraão.

Mat.3.10- E já está posto o machado á raiz das árvores; toda árvore, pois que não produz bom fruto, é cortada e lançada no fogo.

Mat.3.11- Eu, na verdade, vos batizo em água, na base do arrependimento; mas aquele que vem após mim é mais poderoso do que eu, que nem sou digno de levar-lhe as alparcas; ele vos batizará no Espírito Santo, e em fogo.

Mat.3.12- A sua pá ele tem na mão, e limpará bem a sua eira; recolherá o seu trigo ao celeiro, mas queimará a palha em fogo inextinguível.

Mat.3.13- Então veio Jesus da Galileia ter com João, junto do Jordão, para ser batizado por ele.

Mat.3.14- Mas João o impedia, dizendo: Eu é que preciso ser batizado por ti, e tu vens a mim?

Mat.3.15- Jesus, porém, lhe respondeu: Consente agora; porque assim nos convém cumprir toda a justiça. Então ele consentiu.

Mat.3.16- Batizado que foi Jesus, saiu logo da água; e eis que se lhe abriram os céus, e viu o Espírito Santo de Deus descendo como uma pomba e vindo sobre ele;

Mat.3.17- e eis que uma voz dos céus dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo.

Mat.4.1- Então foi conduzido Jesus pelo Espírito ao deserto, para ser tentado pelo Diabo.

Mat.4.2- E, tendo jejuado quarenta dias e quarenta noites, depois teve fome.

Mat.4.3- Chegando, então, o tentador, disse-lhe: Se tu és Filho de Deus manda que estas pedras se tornem em pães.

Mat.4.4- Mas Jesus lhe respondeu: Está escrito: Nem só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus.

Mat.4.5- Então o Diabo o levou à cidade santa, colocou-o sobre o pináculo do templo,

Mat.4.6- e disse-lhe: Se tu és Filho de Deus, lança-te daqui abaixo; porque está escrito: Aos seus anjos dará ordens a teu respeito; e: eles te susterão nas mãos, para que nunca tropeces em alguma pedra.

Mat.4.7- Replicou-lhe Jesus: Também está escrito: Não tentarás o Senhor teu Deus.

Mat.4.8- Novamente o Diabo o levou a um monte muito alto; e mostrou-lhe todos os reinos do mundo, e a glória deles;

Mat.4.9- e disse-lhe: Tudo isto te darei, se, prostrado, me adorares.

Mat.4.10- Então ordenou-lhe Jesus: Vai-te, Satanás; porque está escrito: Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele servirás.

Mat.4.11- Então o Diabo o deixou; e eis que vieram os anjos e o serviram.

Mat.4.12- Ora, ouvindo Jesus que João fora entregue, retirou-se para a Galileia;

Mat.4.13- e, deixando Nazaré, foi habitar em Cafarnaum, cidade marítima, nos confins de Zabulom e Naftali;

Mat.4.14- para que se cumprisse o que fora dito pelo profeta Isaías:

Mat.4.15- A terra de Zabulom e a terra de Naftali, o caminho do mar, além do Jordão, a Galileia dos gentios,

Mat.4.16- o povo que estava sentado em trevas viu uma grande luz; sim, aos que estavam sentados na região da sombra da morte, a estes a luz raiou.

Mat.4.17- Desde então começou Jesus a pregar, e a dizer: Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus.

Mat.4.18- E Jesus, andando ao longo do mar da Galileia, viu dois irmãos - Simão, chamado Pedro, e seu irmão André, os quais lançavam a rede ao mar, porque eram pescadores.

Mat.4.19- Disse-lhes: Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens.

Mat.4.20- Eles, pois, deixando imediatamente as redes, o seguiram.

Mat.4.21- E, passando mais adiante, viu outros dois irmãos - Tiago, filho de Zebedeu, e seu irmão João, no barco com seu pai Zebedeu, consertando as redes; e os chamou.

Mat.4.22- Estes, deixando imediatamente o barco e seu pai, seguiram-no.

Mat.4.23- E percorria Jesus toda a Galileia, ensinando nas sinagogas, pregando o evangelho do reino, e curando todas as doenças e enfermidades entre o povo.

Mat.4.24- Assim a sua fama correu por toda a Síria; e trouxeram-lhe todos os que padeciam, acometidos de várias doenças e tormentos, os endemoninhados, os lunáticos, e os paralíticos; e ele os curou

Mat.4.25- De sorte que o seguiam grandes multidões da Galileia, de Decápolis, de Jerusalém, da Judeia, e dalém do Jordão.

Mat.5.1- Jesus, pois, vendo as multidões, subiu ao monte; e, tendo se assentado, aproximaram-se os seus discípulos,

Mat.5.2- e ele se pôs a ensiná-los, dizendo:

Mat.5.3- Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus.

Mat.5.4- Bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados.

Mat.5.5- Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra.

Mat.5.6- Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça porque eles serão fartos.

Mat.5.7- Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia.

Mat.5.8- Bem-aventurados os limpos de coração, porque eles verão a Deus.

Mat.5.9- Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus.

Mat.5.10- Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus.

Mat.5.11- Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguiram e, mentindo, disserem todo mal contra vós por minha causa.

Mat.5.12- Alegrai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus; porque assim perseguiram aos profetas que foram antes de vós.

Mat.5.13- Vós sois o sal da terra; mas se o sal se tornar insípido, com que se há-de restaurar-lhe o sabor? Para nada mais presta, senão para ser lançado fora, e ser pisado pelos homens.

Mat.5.14- Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade situada sobre um monte;

Mat.5.15- nem os que acendem uma candeia a colocam debaixo do alqueire, mas no velador, e assim ilumina a todos que estão na casa.

Mat.5.16- Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras, e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus.

Mat.5.17- Não penseis que vim destruir a lei ou os profetas; não vim destruir, mas cumprir.

Mat.5.18- Porque em verdade vos digo que, até que o céu e a terra passem, de modo nenhum passará da lei um só i ou um só til, até que tudo seja cumprido.

Mat.5.19- Qualquer, pois, que violar um destes mandamentos, por menor que seja, e assim ensinar aos homens, será chamado o menor no reino dos céus; aquele, porém, que os cumprir e ensinar será chamado grande no reino dos céus.

Mat.5.20- Pois eu vos digo que, se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no reino dos céus.

Mat.5.21- Ouvistes que foi dito aos antigos: Não matarás; e, Quem matar será réu de juízo.

Mat.5.22- Eu, porém, vos digo que todo aquele que se encolerizar contra seu irmão, será réu de juízo; e quem disser a seu irmão: Raca, será réu diante do sinédrio; e quem lhe disser: Tolo, será réu do fogo do inferno.

Mat.5.23- Portanto, se estiveres apresentando a tua oferta no altar, e aí te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti,

Mat.5.24- deixa ali diante do altar a tua oferta, e vai conciliar-te primeiro com teu irmão, e depois vem apresentar a tua oferta.

Mat.5.25- Concilia-te depressa com o teu adversário, enquanto estás no caminho com ele; para que não aconteça que o adversário te entregue ao guarda, e sejas lançado na prisão.

Mat.5.26- Em verdade te digo que de maneira nenhuma sairás dali enquanto não pagares o último ceitil.

Mat.5.27- Ouvistes que foi dito: Não adulterarás.

Mat.5.28- Eu, porém, vos digo que todo aquele que olhar para uma mulher para a cobiçar, já em seu coração cometeu adultério com ela.

Mat.5.29- Se o teu olho direito te faz tropeçar, arranca-o e lança-o de ti; pois te é melhor que se perca um dos teus membros do que seja todo o teu corpo lançado no inferno.

Mat.5.30- E, se a tua mão direita te faz tropeçar, corta-a e lança-a de ti; pois te é melhor que se perca um dos teus membros do que vá todo o teu corpo para o inferno.

Mat.5.31- Também foi dito: Quem repudiar sua mulher, dê-lhe carta de divórcio.

Mat.5.32- Eu, porém, vos digo que todo aquele que repudia sua mulher, a não ser por causa de infidelidade, a faz adúltera; e quem casar com a repudiada, comete adultério.

Mat.5.33- Outrossim, ouvistes que foi dito aos antigos: Não jurarás falso, mas cumprirás para com o Senhor os teus juramentos.

Mat.5.34- Eu, porém, vos digo que de maneira nenhuma jureis; nem pelo céu, porque é o trono de Deus;

Mat.5.35- nem pela terra, porque é o escabelo de seus pés; nem por Jerusalém, porque é a cidade do grande Rei;

Mat.5.36- nem jures pela tua cabeça, porque não podes tornar um só cabelo branco ou preto.

Mat.5.37- Seja, porém, o vosso falar: Sim, sim; não, não; pois o que passa daí, vem do Maligno.

Mat.5.38- Ouvistes que foi dito: Olho por olho, e dente por dente.

Mat.5.39- Eu, porém, vos digo que não resistais ao homem mau; mas a qualquer que te bater na face direita, oferece-lhe também a outra;

Mat.5.40- e ao que quiser pleitear contigo, e tirar-te a túnica, larga-lhe também a capa;

Mat.5.41- e, se qualquer te obrigar a caminhar mil passos, vai com ele dois mil.

Mat.5.42- Dá a quem te pedir, e não voltes as costas ao que quiser que lhe emprestes.

Mat.5.43- Ouvistes que foi dito: Amarás ao teu próximo, e odiarás ao teu inimigo.

Mat.5.44- Eu, porém, vos digo: Amai aos vossos inimigos, e orai pelos que vos perseguem;

Mat.5.45- para que vos torneis filhos do vosso Pai que está nos céus; porque ele faz nascer o seu sol sobre maus e bons, e faz chover sobre justos e injustos.

Mat.5.46- Pois, se amardes aos que vos amam, que recompensa tereis? Não fazem os publicanos também o mesmo?

Mat.5.47- E, se saudardes somente os vossos irmãos, que fazeis demais? Não fazem os gentios também o mesmo?

Mat.5.48- Sede vós, pois, perfeitos, como é perfeito o vosso Pai celestial.

Mat.6.1- Guardai-vos de fazer as vossas boas obras diante dos homens, para serdes vistos por eles; de outra sorte não tereis recompensa junto de vosso Pai, que está nos céus.

Mat.6.2- Quando, pois, deres esmola, não faças tocar trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem glorificados pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam a sua recompensa.

Mat.6.3- Mas, quando tu deres esmola, não saiba a tua mão esquerda o que faz a direita;

Mat.6.4- para que a tua esmola fique em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará,

Mat.6.5- E, quando orardes, não sejais como os hipócritas; pois gostam de orar em pé nas sinagogas, e às esquinas das ruas, para serem vistos pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam a sua recompensa.

Mat.6.6- Mas tu, quando orares, entra no teu quarto e, fechando a porta, ora a teu Pai que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará.

Mat.6.7- E, orando, não useis de vãs repetições, como os gentios; porque pensam que pelo seu muito falar serão ouvidos.

Mat.6.8- Não vos assemelheis, pois, a eles; porque vosso Pai sabe o que vos é necessário, antes de vós lho pedirdes.

Mat.6.9- Portanto, orai vós deste modo: Pai nosso que estás nos céus, santificado seja o teu nome;

Mat.6.10- venha o teu reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu;

Mat.6.11- o pão nosso de cada dia nos dá hoje;

Mat.6.12- e perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós também temos perdoado aos nossos devedores;

Mat.6.13- e não nos deixes entrar em tentação; mas livra-nos do mal. [Porque teu é o reino e o poder, e a glória, para sempre, Amém.]

Mat.6.14- Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celestial vos perdoará a vós;

Mat.6.15- se, porém, não perdoardes aos homens, tampouco vosso Pai perdoará vossas ofensas.

Mat.6.16- Quando jejuardes, não vos mostreis contristados como os hipócritas; porque eles desfiguram os seus rostos, para que os homens vejam que estão jejuando. Em verdade vos digo que já receberam a sua recompensa.

Mat.6.17- Tu, porém, quando jejuares, unge a tua cabeça, e lava o teu rosto,

Mat.6.18- para não mostrar aos homens que estás jejuando, mas a teu Pai, que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará.

Mat.6.19- Não ajunteis para vós tesouros na terra; onde a traça e a ferrugem os consomem, e onde os ladrões minam e roubam;

Mat.6.20- mas ajuntai para vós tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem os consumem, e onde os ladrões não minam nem roubam.

Mat.6.21- Porque onde estiver o teu tesouro, aí estará também o teu coração.

Mat.6.22- A candeia do corpo são os olhos; de sorte que, se os teus olhos forem bons, todo teu corpo terá luz;

Mat.6.23- se, porém, os teus olhos forem maus, o teu corpo será tenebroso. Se, portanto, a luz que em ti há são trevas, quão grandes são tais trevas!

Mat.6.24- Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há-de odiar a um e amar o outro, ou há-de dedicar-se a um e desprezar o outro. Não podeis servir a Deus e às riquezas.

Mat.6.25- Por isso vos digo: Não estejais ansiosos quanto à vossa vida, pelo que haveis de comer, ou pelo que haveis de beber; nem, quanto ao vosso corpo, pelo que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o alimento, e o corpo mais do que o vestuário?

Mat.6.26- Olhai para as aves do céu, que não semeiam, nem ceifam, nem ajuntam em celeiros; e vosso Pai celestial as alimenta. Não valeis vós muito mais do que elas?

Mat.6.27- Ora, qual de vós, por mais ansioso que esteja, pode acrescentar um côvado à sua estatura?

Mat.6.28- E pelo que haveis de vestir, por que andais ansiosos? Olhai para os lírios do campo, como crescem; não trabalham nem fiam;

Mat.6.29- contudo vos digo que nem mesmo Salomão em toda a sua glória se vestiu como um deles.

Mat.6.30- Pois, se Deus assim veste a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada no forno, quanto mais a vós, homens de pouca fé?

Mat.6.31- Portanto, não vos inquieteis, dizendo: Que havemos de comer? Ou: Que havemos de beber? Ou: Com que nos havemos de vestir?

Mat.6.32- (Pois a todas estas coisas os gentios procuram.) Porque vosso Pai celestial sabe que precisais de tudo isso.

Mat.6.33- Mas buscai primeiro o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.

Mat.6.34- Não vos inquieteis, pois, pelo dia de amanhã; porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal.

Mat.7.1- Não julgueis, para que não sejais julgados.

Mat.7.2- Porque com o juízo com que julgais, sereis julgados; e com a medida com que medis vos medirão a vós.

Mat.7.3- E por que vês o argueiro no olho do teu irmão, e não reparas na trave que está no teu olho?

Mat.7.4- Ou como dirás a teu irmão: Deixa-me tirar o argueiro do teu olho, quando tens a trave no teu?

Mat.7.5- Hipócrita! Tira primeiro a trave do teu olho; e então verás bem para tirar o argueiro do olho do teu irmão.

Mat.7.6- Não deis aos cães o que é santo, nem lanceis aos porcos as vossas pérolas, para não acontecer que as calquem aos pés e, voltando-se, vos despedacem.

Mat.7.7- Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e achareis; batei e abrir-se-vos-á.

Mat.7.8- Pois todo o que pede, recebe; e quem busca, acha; e ao que bate, abrir-se-lhe-á.

Mat.7.9- Ou qual dentre vós é o homem que, se seu filho lhe pedir pão, lhe dará uma pedra?

Mat.7.10- Ou, se lhe pedir peixe, lhe dará uma serpente?

Mat.7.11- Se vós, pois, sendo maus, sabeis dar boas dádivas a vossos filhos, quanto mais vosso Pai, que está nos céus, dará boas coisas aos que lhas pedirem?

Mat.7.12- Portanto, tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lho também vós a eles; porque esta é a lei e os profetas.

Mat.7.13- Entrai pela porta estreita; porque larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela;

Mat.7.14- e porque estreita é a porta, e apertado o caminho que conduz à vida, e poucos são os que a encontram.

Mat.7.15- Guardai-vos dos falsos profetas, que vêm a vós disfarçados em ovelhas, mas interiormente são lobos devoradores.

Mat.7.16- Pelos seus frutos os conhecereis. Colhem-se, porventura, uvas dos espinheiros, ou figos dos abrolhos?

Mat.7.17- Assim, toda árvore boa produz bons frutos; porém a árvore má produz frutos maus

Mat.7.18- Uma árvore boa não pode dar maus frutos; nem uma árvore má dar frutos bons.

Mat.7.19- Toda árvore que não produz bom fruto é cortada e lançada no fogo.

Mat.7.20- Portanto, pelos seus frutos os conhecereis.

Mat.7.21- Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus.

Mat.7.22- Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demónios? e em teu nome não fizemos muitos milagres?

Mat.7.23- Então lhes direi claramente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade.

Mat.7.24- Todo aquele, pois, que ouve estas minhas palavras e as põe em prática, será comparado a um homem prudente, que edificou a casa sobre a rocha

Mat.7.25- E desceu a chuva, correram as torrentes, sopraram os ventos, e bateram com ímpeto contra aquela casa; contudo não caiu, porque estava fundada sobre a rocha.

Mat.7.26- Mas todo aquele que ouve estas minhas palavras, e não as põe em prática, será comparado a um homem insensato, que edificou a sua casa sobre a areia.

Mat.7.27- E desceu a chuva, correram as torrentes, sopraram os ventos, e bateram com ímpeto contra aquela casa, e ela caiu; e grande foi a sua queda.

Mat.7.28- Ao concluir Jesus este discurso, as multidões se maravilhavam da sua doutrina;

Mat.7.29- porque as ensinava como tendo autoridade, e não como os escribas.

Mat.8.1- Quando Jesus desceu do monte, grandes multidões o seguiam.

Mat.8.2- E eis que veio um leproso e o adorava, dizendo: Senhor, se quiseres, podes tornar-me limpo.

Mat.8.3- Jesus, pois, estendendo a mão, tocou-o, dizendo: Quero; sê limpo. No mesmo instante ficou purificado da sua lepra.

Mat.8.4- Disse-lhe então Jesus: Olha, não contes isto a ninguém; mas vai, mostra-te ao sacerdote, e apresenta a oferta que Moisés determinou, para lhes servir de testemunho.

Mat.8.5- Tendo Jesus entrado em Cafarnaum, chegou-se a ele um centurião que lhe rogava, dizendo:

Mat.8.6- Senhor, o meu criado jaz em casa paralítico, e horrivelmente atormentado.

Mat.8.7- Respondeu-lhe Jesus: Eu irei, e o curarei.

Mat.8.8- O centurião, porém, replicou-lhe: Senhor, não sou digno de que entres debaixo do meu telhado; mas somente diz uma palavra, e o meu criado há-de sarar.

Mat.8.9- Pois também eu sou homem sujeito à autoridade, e tenho soldados às minhas ordens; e digo a este: Vai, e ele vai; e a outro: Vem, e ele vem; e ao meu servo: Faz isto, e ele o faz.

Mat.8.10- Jesus, ouvindo isso, admirou-se, e disse aos que o seguiam: Em verdade vos digo que a ninguém encontrei em Israel com tamanha fé.

Mat.8.11- Também vos digo que muitos virão do oriente e do ocidente, e reclinar-se-ão à mesa de Abraão, Isaque e Jacob, no reino dos céus;

Mat.8.12- mas os filhos do reino serão lançados nas trevas exteriores; ali haverá choro e ranger de dentes.

Mat.8.13- Então disse Jesus ao centurião: Vai-te, e te seja feito assim como creste. E naquela mesma hora o seu criado sarou.

Mat.8.14- Ora, tendo Jesus entrado na casa de Pedro, viu a sogra deste de cama; e com febre.

Mat.8.15- E tocou-lhe a mão, e a febre a deixou; então ela se levantou, e o servia.

Mat.8.16- Caída a tarde, trouxeram-lhe muitos endemoninhados; e ele com a sua palavra expulsou os espíritos, e curou todos os enfermos;

Mat.8.17- para que se cumprisse o que fora dito pelo profeta Isaías: Ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e levou as nossas doenças.

Mat.8.18- Vendo Jesus uma multidão ao redor de si, deu ordem de partir para o outro lado do mar.

Mat.8.19- E, aproximando-se um escriba, disse-lhe: Mestre, seguir-te-ei para onde quer que fores.

Mat.8.20- Respondeu-lhe Jesus: As raposas têm covis, e as aves do céu têm ninhos; mas o Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça.

Mat.8.21- E outro de seus discípulos lhe disse: Senhor, permite-me ir primeiro sepultar meu pai.

Mat.8.22- Jesus, porém, respondeu-lhe: Segue-me, e deixa os mortos sepultar os seus próprios mortos.

Mat.8.23- E, entrando ele no barco, seus discípulos o seguiram.

Mat.8.24- E eis que se levantou no mar tão grande tempestade que o barco era coberto pelas ondas; ele, porém, estava dormindo.

Mat.8.25- Os discípulos, pois, aproximando-se, o despertaram, dizendo: Salva-nos, Senhor, que estamos perecendo.

Mat.8.26- Ele lhes respondeu: Por que temeis, homens de pouca fé? Então, levantando-se repreendeu os ventos e o mar, e seguiu-se grande bonança.

Mat.8.27- E aqueles homens se maravilharam, dizendo: Que homem é este, que até os ventos e o mar lhe obedecem?

Mat.8.28- Tendo ele chegado ao outro lado, à terra dos gadarenos, saíram-lhe ao encontro dois endemoninhados, vindos dos sepulcros; tão ferozes eram que ninguém podia passar por aquele caminho.

Mat.8.29- E eis que gritaram, dizendo: Que temos nós contigo, Filho de Deus? Vieste aqui atormentar-nos antes do tempo?

Mat.8.30- Ora, a alguma distância deles, andava pastando uma grande manada de porcos.

Mat.8.31- E os demónios rogavam-lhe, dizendo: Se nos expulsas, manda-nos entrar naquela manada de porcos.

Mat.8.32- Disse-lhes Jesus: Ide. Então saíram, e entraram nos porcos; e eis que toda a manada se precipitou pelo despenhadeiro no mar, perecendo nas águas.

Mat.8.33- Os pastores fugiram e, chegando à cidade, divulgaram todas estas coisas, e o que acontecera aos endemoninhados.

Mat.8.34- E eis que toda a cidade saiu ao encontro de Jesus; e vendo-o, rogaram-lhe que se retirasse dos seus termos.

Mat.9.1- E entrando Jesus num barco, passou para o outro lado, e chegou à sua própria cidade.

Mat.9.2- E eis que lhe trouxeram um paralítico deitado num leito. Jesus, pois, vendo-lhes a fé, disse ao paralítico: Tem ânimo, filho; perdoados são os teus pecados.

Mat.9.3- E alguns dos escribas disseram consigo: Este homem blasfema.

Mat.9.4- Mas Jesus, conhecendo-lhes os pensamentos, disse: Por que pensais o mal em vossos corações?

Mat.9.5- Pois qual é mais fácil? dizer: Perdoados são os teus pecados, ou dizer: Levanta-te e anda?

Mat.9.6- Ora, para que saibais que o Filho do homem tem sobre a terra autoridade para perdoar pecados (disse então ao paralítico): Levanta-te, toma o teu leito, e vai para tua casa.

Mat.9.7- E este, levantando-se, foi para sua casa.

Mat.9.8- E as multidões, vendo isso, temeram, e glorificaram a Deus, que dera tal autoridade aos homens.

Mat.9.9- Partindo Jesus dali, viu sentado na alfândega um homem chamado Mateus, e disse-lhe: Segue-me. E ele, levantando-se, o seguiu.

Mat.9.10- Ora, estando ele à mesa em casa, eis que chegaram muitos publicanos e pecadores, e se reclinaram à mesa juntamente com Jesus e seus discípulos.

Mat.9.11- E os fariseus, vendo isso, perguntavam aos discípulos: Por que come o vosso Mestre com publicanos e pecadores?

Mat.9.12- Jesus, porém, ouvindo isso, respondeu: Não necessitam de médico os sãos, mas sim os enfermos.

Mat.9.13- Ide, pois, e aprendei o que significa: Misericórdia quero, e não sacrifícios. Porque eu não vim chamar justos, mas pecadores.

Mat.9.14- Então vieram ter com ele os discípulos de João, perguntando: Por que é que nós e os fariseus jejuamos, mas os teus discípulos não jejuam?

Mat.9.15- Respondeu-lhes Jesus: Podem porventura ficar tristes os convidados às núpcias, enquanto o noivo está com eles? Dias virão, porém, em que lhes será tirado o noivo, e então hão-de jejuar.

Mat.9.16- Ninguém põe remendo de pano novo em vestido velho; porque semelhante remendo tira parte do vestido, e faz-se maior a rotura.

Mat.9.17- Nem se deita vinho novo em odres velhos; do contrário se rebentam, derrama-se o vinho, e os odres se perdem; mas deita-se vinho novo em odres novos, e assim ambos se conservam.

Mat.9.18- Enquanto ainda lhes dizia essas coisas, eis que chegou um chefe da sinagoga e o adorou, dizendo: Minha filha acaba de falecer; mas vem, impõe-lhe a tua mão, e ela viverá.

Mat.9.19- Levantou-se, pois, Jesus, e o foi seguindo, ele e os seus discípulos.

Mat.9.20- E eis que certa mulher, que havia doze anos padecia de uma hemorragia, chegou por detrás dele e tocou-lhe a orla do manto;

Mat.9.21- porque dizia consigo: Se eu tão-somente tocar-lhe o manto, ficarei sã.

Mat.9.22- Mas Jesus, voltando-se e vendo-a, disse: Tem ânimo, filha, a tua fé te salvou. E desde aquela hora a mulher ficou sã.

Mat.9.23- Quando Jesus chegou à casa daquele chefe, e viu os tocadores de flauta e a multidão em alvoroço,

Mat.9.24- disse; Retirai-vos; porque a menina não está morta, mas dorme. E riam-se dele.

Mat.9.25- Tendo-se feito sair o povo, entrou Jesus, tomou a menina pela mão, e ela se levantou.

Mat.9.26- E espalhou-se a notícia disso por toda aquela terra.

Mat.9.27- Partindo Jesus dali, seguiram-no dois cegos, que clamavam, dizendo: Tem compaixão de nós, Filho de David.

Mat.9.28- E, tendo ele entrado em casa, os cegos se aproximaram dele; e Jesus perguntou-lhes: Credes que eu posso fazer isto? Responderam-lhe eles: Sim, Senhor.

Mat.9.29- Então lhes tocou os olhos, dizendo: Seja-vos feito segundo a vossa fé.

Mat.9.30- E os olhos se lhes abriram. Jesus ordenou-lhes terminantemente, dizendo: Vede que ninguém o saiba.

Mat.9.31- Eles, porém, saíram, e divulgaram a sua fama por toda aquela terra.

Mat.9.32- Enquanto esses se retiravam, eis que lhe trouxeram um homem mudo e endemoninhado.

Mat.9.33- E, expulso o demónio, falou o mudo e as multidões se admiraram, dizendo: Nunca tal se viu em Israel.

Mat.9.34- Os fariseus, porém, diziam: É pelo príncipe dos demónios que ele expulsa os demónios.

Mat.9.35- E percorria Jesus todas as cidades e aldeias, ensinando nas sinagogas, pregando o evangelho do reino, e curando toda sorte de doenças e enfermidades.

Mat.9.36- Vendo ele as multidões, compadeceu-se delas, porque andavam desgarradas e errantes, como ovelhas que não têm pastor.

Mat.9.37- Então disse a seus discípulos: Na verdade, a seara é grande, mas os trabalhadores são poucos.

Mat.9.38- Rogai, pois, ao Senhor da seara que mande trabalhadores para a sua seara.

Mat.10.1- E, chamando a si os seus doze discípulos, deu-lhes autoridade sobre os espíritos imundos, para expulsarem, e para curarem toda sorte de doenças e enfermidades.

Mat.10.2- Ora, os nomes dos doze apóstolos são estes: primeiro, Simão, chamado Pedro, e André, seu irmão; Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão;

Mat.10.3- Felipe e Bartolomeu; Tomé e Mateus, o publicano; Tiago, filho de Alfeu, e Tadeu;

Mat.10.4- Simão Cananeu, e Judas Iscariotes, aquele que o traiu.

Mat.10.5- A estes doze enviou Jesus, e ordenou-lhes, dizendo: Não ireis aos gentios, nem entrareis em cidade de samaritanos;

Mat.10.6- mas ide antes às ovelhas perdidas da casa de Israel

Mat.10.7- e indo, pregai, dizendo: É chegado o reino dos céus.

Mat.10.8- Curai os enfermos, ressuscitai os mortos, limpai os leprosos, expulsai os demónios; de graça recebestes, de graça dai.

Mat.10.9- Não vos provereis de ouro, nem de prata, nem de cobre, em vossos cintos;

Mat.10.10- nem de alforge para o caminho, nem de duas túnicas, nem de alparcas, nem de bordão; porque digno é o trabalhador do seu alimento.

Mat.10.11- Em qualquer cidade ou aldeia em que entrardes, procurai saber quem nela é digno, e hospedai-vos aí até que vos retireis.

Mat.10.12- E, ao entrardes na casa, saudai-a;

Mat.10.13- se a casa for digna, desça sobre ela a vossa paz; mas, se não for digna, torne para vós a vossa paz.

Mat.10.14- E, se ninguém vos receber, nem ouvir as vossas palavras, saindo daquela casa ou daquela cidade, sacudi o pó dos vossos pés.

Mat.10.15- Em verdade vos digo que, no dia do juízo, haverá menos rigor para a terra de Sodoma e Gomorra do que para aquela cidade.

Mat.10.16- Eis que vos envio como ovelhas ao meio de lobos; portanto, sede prudentes como as serpentes e simples como as pombas.

Mat.10.17- Acautelai-vos dos homens; porque eles vos entregarão aos sinédrios, e vos açoitarão nas suas sinagogas;

Mat.10.18- e por minha causa sereis levados à presença dos governadores e dos reis, para lhes servir de testemunho, a eles e aos gentios.

Mat.10.19- Mas, quando vos entregarem, não cuideis de como, ou o que haveis de falar; porque naquela hora vos será dado o que haveis de dizer.

Mat.10.20- Porque não sois vós que falais, mas o Espírito de vosso Pai é que fala em vós.

Mat.10.21- Um irmão entregará à morte a seu irmão, e um pai a seu filho; e filhos se levantarão contra os pais e os matarão.

Mat.10.22- E sereis odiados de todos por causa do meu nome, mas aquele que perseverar até o fim, esse será salvo.

Mat.10.23- Quando, porém, vos perseguirem numa cidade, fugi para outra; porque em verdade vos digo que não acabareis de percorrer as cidades de Israel antes que venha o Filho do homem.

Mat.10.24- Não é o discípulo mais do que o seu mestre, nem o servo mais do que o seu senhor.

Mat.10.25- Basta ao discípulo ser como seu mestre, e ao servo como seu senhor. Se chamaram Belzebu ao dono da casa, quanto mais aos seus domésticos?

Mat.10.26- Portanto, não os temais; porque nada há encoberto que não haja de ser descoberto, nem oculto que não haja de ser conhecido.

Mat.10.27- O que vos digo às escuras, dizei-o às claras; e o que escutais ao ouvido, dos eirados pregai-o.

Mat.10.28- E não temais os que matam o corpo, e não podem matar a alma; temei antes aquele que pode fazer perecer no inferno tanto a alma como o corpo.

Mat.10.29- Não se vendem dois passarinhos por um asse? e nenhum deles cairá em terra sem a vontade de vosso Pai.

Mat.10.30- E até mesmo os cabelos da vossa cabeça estão todos contados.

Mat.10.31- Não temais, pois; mais valeis vós do que muitos passarinhos.

Mat.10.32- Portanto, todo aquele que me confessar diante dos homens, também eu o confessarei diante de meu Pai, que está nos céus.

Mat.10.33- Mas qualquer que me negar diante dos homens, também eu o negarei diante de meu Pai, que está nos céus.

Mat.10.34- Não penseis que vim trazer paz à terra; não vim trazer paz, mas espada.

Mat.10.35- Porque eu vim pôr em dissensão o homem contra seu pai, a filha contra sua mãe, e a nora contra sua sogra;

Mat.10.36- e assim os inimigos do homem serão os da sua própria casa.

Mat.10.37- Quem ama o pai ou a mãe mais do que a mim não é digno de mim; e quem ama o filho ou a filha mais do que a mim não é digno de mim.

Mat.10.38- E quem não toma a sua cruz, e não segue após mim, não é digno de mim.

Mat.10.39- Quem achar a sua vida perdê-la-á, e quem perder a sua vida por amor de mim achá-la-á.

Mat.10.40- Quem vos recebe, a mim me recebe; e quem me recebe a mim, recebe aquele que me enviou.

Mat.10.41- Quem recebe um profeta na qualidade de profeta, receberá a recompensa de profeta; e quem recebe um justo na qualidade de justo, receberá a recompensa de justo.

Mat.10.42- E aquele que der até mesmo um copo de água fresca a um destes pequeninos, na qualidade de discípulo, em verdade vos digo que de modo algum perderá a sua recompensa.

Mat.11.1- Tendo acabado Jesus de dar instruções aos seus doze discípulos, partiu dali a ensinar e a pregar nas cidades da região.

Mat.11.2- Ora, quando João no cárcere ouviu falar das obras do Cristo, mandou pelos seus discípulos perguntar-lhe:

Mat.11.3- És tu aquele que havia de vir, ou havemos de esperar outro?

Mat.11.4- Respondeu-lhes Jesus: Ide contar a João as coisas que ouvis e vedes:

Mat.11.5- os cegos vêem, e os coxos andam; os leprosos são purificados, e os surdos ouvem; os mortos são ressuscitados, e aos pobres é anunciado o evangelho.

Mat.11.6- E bem-aventurado é aquele que não se escandalizar de mim.

Mat.11.7- Ao partirem eles, começou Jesus a dizer às multidões a respeito de João: que saístes a ver no deserto? Um caniço agitado pelo vento?

Mat.11.8- Mas que saístes a ver? Um homem trajado de vestes luxuosas? Eis que aqueles que trajam vestes luxuosas estão nas casas dos reis.

Mat.11.9- Mas por que saístes? Para ver um profeta? Sim, vos digo, e muito mais do que profeta.

Mat.11.10- Este é aquele de quem está escrito: Eis aí envio eu ante a tua face o meu mensageiro, que há-de preparar adiante de ti o teu caminho.

Mat.11.11- Em verdade vos digo que, entre os nascidos de mulher, não surgiu outro maior do que João, o Batista; mas aquele que é o menor no reino dos céus é maior do que ele.

Mat.11.12- E desde os dias de João, o Batista, até agora, o reino dos céus é tomado a força, e os violentos o tomam de assalto.

Mat.11.13- Pois todos os profetas e a lei profetizaram até João.

Mat.11.14- E, se quereis dar crédito, é este o Elias que havia de vir.

Mat.11.15- Quem tem ouvidos, ouça.

Mat.11.16- Mas, a quem compararei esta geração? É semelhante aos meninos que, sentados nas praças, clamam aos seus companheiros:

Mat.11.17- Tocamos-vos flauta, e não dançastes; cantamos lamentações, e não pranteastes.

Mat.11.18- Porquanto veio João, não comendo nem bebendo, e dizem: Tem demónio.

Mat.11.19- Veio o Filho do homem, comendo e bebendo, e dizem: Eis aí um comilão e bebedor de vinho, amigo de publicanos e pecadores. Entretanto a sabedoria é justificada pelas suas obras.

Mat.11.20- Então começou ele a lançar em rosto às cidades onde se operara a maior parte dos seus milagres, o não se haverem arrependido, dizendo:

Mat.11.21- Ai de ti, Corazin! Ai de ti, Betsaida! Porque, se em Tiro e em Sídon, se tivessem operado os milagres que em vós se operaram, há muito elas se teriam arrependido em cilício e em cinza.

Mat.11.22- Contudo, eu vos digo que para Tiro e Sídon haverá menos rigor, no dia do juízo, do que para vós.

Mat.11.23- E tu, Cafarnaum, porventura serás elevada até o céu? Até o hades descerás; porque, se em Sodoma se tivessem operado os milagres que em ti se operaram, teria ela permanecido até hoje.

Mat.11.24- Contudo, eu vos digo que no dia do juízo haverá menos rigor para a terra de Sodoma do que para ti.

Mat.11.25- Naquele tempo falou Jesus, dizendo: Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque ocultaste estas coisas aos sábios e entendidos, e as revelaste aos pequeninos.

Mat.11.26- Sim, ó Pai, porque assim foi do teu agrado.

Mat.11.27- Todas as coisas me foram entregues por meu Pai; e ninguém conhece plenamente o Filho, senão o Pai; e ninguém conhece plenamente o Pai, senão o Filho, e aquele a quem o Filho o quiser revelar.

Mat.11.28- Vinde a mim, todos os que estai cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei.

Mat.11.29- Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para as vossas almas.

Mat.11.30- Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo e leve.

Mat.12.1- Naquele tempo passou Jesus pelas searas num dia de sábado; e os seus discípulos, sentindo fome, começaram a colher espigas, e a comer.

Mat.12.2- Os fariseus, vendo isso, disseram-lhe: Eis que os teus discípulos estão fazendo o que não é lícito fazer no sábado.

Mat.12.3- Ele, porém, lhes disse: Acaso não lestes o que fez David, quando teve fome, ele e seus companheiros?

Mat.12.4- Como entrou na casa de Deus, e como eles comeram os pães da proposição, que não lhe era lícito comer, nem a seus companheiros, mas somente aos sacerdotes?

Mat.12.5- Ou não lestes na lei que, aos sábados, os sacerdotes no templo violam o sábado, e ficam sem culpa?

Mat.12.6- Digo-vos, porém, que aqui está o que é maior do que o templo.

Mat.12.7- Mas, se vós soubésseis o que significa: Misericórdia quero, e não sacrifícios, não condenaríeis os inocentes.

Mat.12.8- Porque o Filho do homem até do sábado é o Senhor.

Mat.12.9- Partindo dali, entrou Jesus na sinagoga deles.

Mat.12.10- E eis que estava ali um homem que tinha uma das mãos atrofiadas; e eles, para poderem acusar a Jesus, o interrogaram, dizendo: É lícito curar nos sábados?

Mat.12.11- E ele lhes disse: Qual dentre vós será o homem que, tendo uma só ovelha, se num sábado ela cair numa cova, não há-de lançar mão dela, e tirá-la?

Mat.12.12- Ora, quanto mais vale um homem do que uma ovelha! Portanto, é lícito fazer bem nos sábados.

Mat.12.13- Então disse àquele homem: estende a tua mão. E ele a estendeu, e lhe foi restituída sã como a outra.

Mat.12.14- Os fariseus, porém, saindo dali, tomaram conselho contra ele, para o matarem.

Mat.12.15- Jesus, percebendo isso, retirou-se dali. Acompanharam-no muitos; e ele curou a todos,

Mat.12.16- e advertiu-lhes que não o dessem a conhecer;

Mat.12.17- para que se cumprisse o que foi dito pelo profeta Isaías:

Mat.12.18- Eis aqui o meu servo que escolhi, o meu amado em quem a minha alma se compraz; porei sobre ele o meu espírito, e ele anunciará aos gentios o juízo.

Mat.12.19- Não contenderá, nem clamará, nem se ouvirá pelas ruas a sua voz.

Mat.12.20- Não esmagará a cana quebrada, e não apagará o morrão que fumega, até que faça triunfar o juízo;

Mat.12.21- e no seu nome os gentios esperarão.

Mat.12.22- Trouxeram-lhe então um endemoninhado cego e mudo; e ele o curou, de modo que o mudo falava e via.

Mat.12.23- E toda a multidão, maravilhada, dizia: É este, porventura, o Filho de David?

Mat.12.24- Mas os fariseus, ouvindo isto, disseram: Este não expulsa os demónios senão por Belzebu, príncipe dos demónios.

Mat.12.25- Jesus, porém, conhecendo-lhes os pensamentos, disse-lhes: Todo reino dividido contra si mesmo é devastado; e toda cidade, ou casa, dividida contra si mesma não subsistirá.

Mat.12.26- Ora, se Satanás expulsa a Satanás, está dividido contra si mesmo; como subsistirá, pois, o seu reino?

Mat.12.27- E, se eu expulso os demónios por Belzebu, por quem os expulsam os vossos filhos? Por isso, eles mesmos serão os vossos juízes.

Mat.12.28- Mas, se é pelo Espírito de Deus que eu expulso os demónios, logo é chegado a vós o reino de Deus.

Mat.12.29- Ou, como pode alguém entrar na casa do valente, e roubar-lhe os bens, se primeiro não amarrar o valente, e então lhe saquear a casa?

Mat.12.30- Quem não é comigo é contra mim; e quem comigo não ajunta, espalha.

Mat.12.31- Portanto vos digo: Todo pecado e blasfémia se perdoará aos homens; mas a blasfémia contra o Espírito não será perdoada.

Mat.12.32- Se alguém disser alguma palavra contra o Filho do homem, isso lhe será perdoado; mas se alguém falar contra o Espírito Santo, não lhe será perdoado, nem neste mundo, nem no vindouro.

Mat.12.33- Ou fazei a árvore boa, e o seu fruto bom; ou fazei a árvore má, e o seu fruto mau; porque pelo fruto se conhece a árvore.

Mat.12.34- Raça de víboras! Como podeis vós falar coisas boas, sendo maus? Pois do que há em abundância no coração, disso fala a boca.

Mat.12.35- O homem bom, do seu bom tesouro tira coisas boas, e o homem mau do mau tesouro tira coisas más.

Mat.12.36- Digo-vos, pois, que de toda palavra fútil que os homens disserem, hão-de dar conta no dia do juízo.

Mat.12.37- Porque pelas tuas palavras serás justificado, e pelas tuas palavras serás condenado.

Mat.12.38- Então alguns dos escribas e dos fariseus, tomando a palavra, disseram: Mestre, queremos ver da tua parte algum sinal.

Mat.12.39- Mas ele lhes respondeu: Uma geração má e adúltera pede um sinal; e nenhum sinal se lhe dará, senão o do profeta Jonas;

Mat.12.40- pois, como Jonas esteve três dias e três noites no ventre do grande peixe, assim estará o Filho do homem três dias e três noites no seio da terra.

Mat.12.41- Os ninivitas se levantarão no juízo com esta geração, e a condenarão; porque se arrependeram com a pregação de Jonas. E eis aqui quem é maior do que Jonas.

Mat.12.42- A rainha do sul se levantará no juízo com esta geração, e a condenará; porque veio dos confins da terra para ouvir a sabedoria de Salomão. E eis aqui quem é maior do que Salomão.

Mat.12.43- Ora, havendo o espírito imundo saído do homem, anda por lugares áridos, buscando repouso, e não o encontra.

Mat.12.44- Então diz: Voltarei para minha casa, donde saí. E, chegando, acha-a desocupada, varrida e adornada.

Mat.12.45- Então vai e leva consigo outros sete espíritos piores do que ele e, entretanto, habitam ali; e o último estado desse homem vem a ser pior do que o primeiro. Assim há-de acontecer também a esta geração perversa.

Mat.12.46- Enquanto ele ainda falava às multidões, estavam do lado de fora sua mãe e seus irmãos, procurando falar-lhe.

Mat.12.47- Disse-lhe alguém: Eis que estão ali fora tua mãe e teus irmãos, e procuram falar contigo.

Mat.12.48- Ele, porém, respondeu ao que lhe falava: Quem é minha mãe? E quem são meus irmãos?

Mat.12.49- E, estendendo a mão para os seus discípulos disse: Eis aqui minha mãe e meus irmãos.

Mat.12.50- Pois qualquer que fizer a vontade de meu Pai que está nos céus, esse é meu irmão, irmã e mãe.

Mat.13.1- No mesmo dia, tendo Jesus saído de casa, sentou-se à beira do mar;

Mat.13.2- e reuniram-se a ele grandes multidões, de modo que entrou num barco, e se sentou; e todo o povo estava em pé na praia.

Mat.13.3- E falou-lhes muitas coisas por parábolas, dizendo: Eis que o semeador saiu a semear.

Mat.13.4- e quando semeava, uma parte da semente caiu à beira do caminho, e vieram as aves e comeram.

Mat.13.5- E outra parte caiu em lugares pedregosos, onde não havia muita terra: e logo nasceu, porque não tinha terra profunda;

Mat.13.6- mas, saindo o sol, queimou-se e, por não ter raiz, secou-se.

Mat.13.7- E outra caiu entre espinhos; e os espinhos cresceram e a sufocaram.

Mat.13.8- Mas outra caiu em boa terra, e dava fruto, um a cem, outro a sessenta e outro a trinta por um.

Mat.13.9- Quem tem ouvidos, ouça.

Mat.13.10- E chegando-se a ele os discípulos, perguntaram-lhe: Por que lhes falas por parábolas?

Mat.13.11- Respondeu-lhes Jesus: Porque a vós é dado conhecer os mistérios do reino dos céus, mas a eles não lhes é dado;

Mat.13.12- pois ao que tem, dar-se-lhe-á, e terá em abundância; mas ao que não tem, até aquilo que tem lhe será tirado.

Mat.13.13- Por isso lhes falo por parábolas; porque eles, vendo, não vêem; e ouvindo, não ouvem nem entendem.

Mat.13.14- E neles se cumpre a profecia de Isaías, que diz: Ouvindo, ouvireis, e de maneira alguma entendereis; e, vendo, vereis, e de maneira alguma percebereis.

Mat.13.15- Porque o coração deste povo se endureceu, e com os ouvidos ouviram tardamente, e fecharam os olhos, para que não vejam com os olhos, nem ouçam com os ouvidos, nem entendam com o coração, nem se convertam, e eu os cure.

Mat.13.16- Mas bem-aventurados os vossos olhos, porque vêem, e os vossos ouvidos, porque ouvem.

Mat.13.17- Pois, em verdade vos digo que muitos profetas e justos desejaram ver o que vedes, e não o viram; e ouvir o que ouvis, e não o ouviram.

Mat.13.18- Ouvi, pois, vós a parábola do semeador.

Mat.13.19- A todo o que ouve a palavra do reino e não a entende, vem o Maligno e arrebata o que lhe foi semeado no coração; este é o que foi semeado à beira do caminho.

Mat.13.20- E o que foi semeado nos lugares pedregosos, este é o que ouve a palavra, e logo a recebe com alegria;

Mat.13.21- mas não tem raiz em si mesmo, antes é de pouca duração; e sobrevindo a angústia e a perseguição por causa da palavra, logo se escandaliza.

Mat.13.22- E o que foi semeado entre os espinhos, este é o que ouve a palavra; mas os cuidados deste mundo e a sedução das riquezas sufocam a palavra, e ela fica infrutífera.

Mat.13.23- Mas o que foi semeado em boa terra, este é o que ouve a palavra, e a entende; e dá fruto, e um produz cem, outro sessenta, e outro trinta.

Mat.13.24- Propôs-lhes outra parábola, dizendo: O reino dos céus é semelhante ao homem que semeou boa semente no seu campo;

Mat.13.25- mas, enquanto os homens dormiam, veio o inimigo dele, semeou joio no meio do trigo, e retirou-se.

Mat.13.26- Quando, porém, a erva cresceu e começou a espigar, então apareceu também o joio.

Mat.13.27- Chegaram, pois, os servos do proprietário, e disseram-lhe: Senhor, não semeaste no teu campo boa semente? Donde, pois, vem o joio?

Mat.13.28- Respondeu-lhes: Algum inimigo é quem fez isso. E os servos lhe disseram: Queres, pois, que vamos arrancá-lo?

Mat.13.29- Ele, porém, disse: Não; para que, ao colher o joio, não arranqueis com ele também o trigo.

Mat.13.30- Deixai crescer ambos juntos até a ceifa; e, por ocasião da ceifa, direi aos ceifeiros: Ajuntai primeiro o joio, e atai-o em molhos para o queimar; o trigo, porém, recolhei-o no meu celeiro.

Mat.13.31- Propôs-lhes outra parábola, dizendo: O reino dos céus é semelhante a um grão de mostarda que um homem tomou, e semeou no seu campo;

Mat.13.32- o qual é realmente a menor de todas as sementes; mas, depois de ter crescido, é a maior das hortaliças, e faz-se árvore, de sorte que vêm as aves do céu, e se aninham nos seus ramos.

Mat.13.33- Outra parábola lhes disse: O reino dos céus é semelhante ao fermento que uma mulher tomou e misturou com três medidas de farinha, até ficar tudo levedado.

Mat.13.34- Todas estas coisas falou Jesus às multidões por parábolas, e sem parábolas nada lhes falava;

Mat.13.35- para que se cumprisse o que foi dito pelo profeta: Abrirei em parábolas a minha boca; publicarei coisas ocultas desde a fundação do mundo.

Mat.13.36- Então Jesus, deixando as multidões, entrou em casa. E chegaram-se a ele os seus discípulos, dizendo: Explica-nos a parábola do joio do campo.

Mat.13.37- E ele, respondendo, disse: O que semeia a boa semente é o Filho do homem;

Mat.13.38- o campo é o mundo; a boa semente são os filhos do reino; e o joio são os filhos do maligno;

Mat.13.39- o inimigo que o semeou é o Diabo; a ceifa é o fim do mundo, e os celeiros são os anjos.

Mat.13.40- Pois assim como o joio é colhido e queimado no fogo, assim será no fim do mundo.

Mat.13.41- Mandará o Filho do homem os seus anjos, e eles ajuntarão do seu reino todos os que servem de tropeço, e os que praticam a iniquidade,

Mat.13.42- e lançá-los-ão na fornalha de fogo; ali haverá choro e ranger de dentes.

Mat.13.43- Então os justos resplandecerão como o sol, no reino de seu Pai. Quem tem ouvidos, ouça.

Mat.13.44- O reino dos céus é semelhante a um tesouro escondido no campo, que um homem, ao descobri-lo, esconde; então, movido de gozo, vai, vende tudo quanto tem, e compra aquele campo.

Mat.13.45- Outrossim, o reino dos céus é semelhante a um negociante que buscava boas pérolas;

Mat.13.46- e encontrando uma pérola de grande valor, foi, vendeu tudo quanto tinha, e a comprou.

Mat.13.47- Igualmente, o reino dos céus é semelhante a uma rede lançada ao mar, e que apanhou toda espécie de peixes.

Mat.13.48- E, quando cheia, puxaram-na para a praia; e, sentando-se, puseram os bons em cestos; os ruins, porém, lançaram fora.

Mat.13.49- Assim será no fim do mundo: sairão os anjos, e separarão os maus dentre os justos,

Mat.13.50- e lançá-los-ão na fornalha de fogo; ali haverá choro e ranger de dentes.

Mat.13.51- Entendestes todas estas coisas? Disseram-lhe eles: Entendemos.

Mat.13.52- E disse-lhes: Por isso, todo escriba que se fez discípulo do reino dos céus é semelhante a um homem, proprietário, que tira do seu tesouro coisas novas e velhas.

Mat.13.53- E Jesus, tendo concluído estas parábolas, se retirou dali.

Mat.13.54- E, chegando à sua terra, ensinava o povo na sinagoga, de modo que este se maravilhava e dizia: Donde lhe vem esta sabedoria, e estes poderes milagrosos?

Mat.13.55- Não é este o filho do carpinteiro? e não se chama sua mãe Maria, e seus irmãos Tiago, José, Simão, e Judas?

Mat.13.56- E não estão entre nós todas as suas irmãs? Donde lhe vem, pois, tudo isto?

Mat.13.57- E escandalizavam-se dele. Jesus, porém, lhes disse: Um profeta não fica sem honra senão na sua terra e na sua própria casa.

Mat.13.58- E não fez ali muitos milagres, por causa da incredulidade deles.

Mat.14.1- Naquele tempo Herodes, o tetrarca, ouviu a fama de Jesus,

Mat.14.2- e disse aos seus cortesãos: Este é João, o Batista; ele ressuscitou dentre os mortos, e por isso estes poderes milagrosos operam nele.

Mat.14.3- Pois Herodes havia prendido a João, e, maniatando-o, o guardara no cárcere, por causa de Herodias, mulher de seu irmão Felipe;

Mat.14.4- porque João lhe dizia: Não te é lícito possuí-la.

Mat.14.5- E queria matá-lo, mas temia o povo; porque o tinham como profeta.

Mat.14.6- Festejando-se, porém, o dia natalício de Herodes, a filha de Herodias dançou no meio dos convivas, e agradou a Herodes,

Mat.14.7- pelo que este prometeu com juramento dar-lhe tudo o que pedisse.

Mat.14.8- E instigada por sua mãe, disse ela: Dá-me aqui num prato a cabeça de João, o Batista.

Mat.14.9- Entristeceu-se, então, o rei; mas, por causa do juramento, e dos que estavam à mesa com ele, ordenou que se lhe desse,

Mat.14.10- e mandou degolar a João no cárcere;

Mat.14.11- e a cabeça foi trazida num prato, e dada à jovem, e ela a levou para a sua mãe.

Mat.14.12- Então vieram os seus discípulos, levaram o corpo e o sepultaram; e foram anunciá-lo a Jesus.

Mat.14.13- Jesus, ouvindo isto, retirou-se dali num barco, para um, lugar deserto, à parte; e quando as multidões o souberam, seguiram-no a pé desde as cidades.

Mat.14.14- E ele, ao desembarcar, viu uma grande multidão; e, compadecendo-se dela, curou os seus enfermos.

Mat.14.15- Chegada a tarde, aproximaram-se dele os discípulos, dizendo: O lugar é deserto, e a hora é já passada; despede as multidões, para que vão às aldeias, e comprem o que comer.

Mat.14.16- Jesus, porém, lhes disse: Não precisam ir embora; dai-lhes vós de comer.

Mat.14.17- Então eles lhe disseram: Não temos aqui senão cinco pães e dois peixes.

Mat.14.18- E ele disse: trazei-mos aqui.

Mat.14.19- Tendo mandado às multidões que se reclinassem sobre a relva, tomou os cinco pães e os dois peixes e, erguendo os olhos ao céu, os abençoou; e partindo os pães, deu-os aos discípulos, e os discípulos às multidões.

Mat.14.20- Todos comeram e se fartaram; e dos pedaços que sobejaram levantaram doze cestos cheios.

Mat.14.21- Ora, os que comeram foram cerca de cinco mil homens, além de mulheres e crianças.

Mat.14.22- Logo em seguida obrigou os seus discípulos a entrar no barco, e passar adiante dele para o outro lado, enquanto ele despedia as multidões.

Mat.14.23- Tendo-as despedido, subiu ao monte para orar à parte. Ao anoitecer, estava ali sozinho.

Mat.14.24- Entrementes, o barco já estava a muitos estádios da terra, açoitado pelas ondas; porque o vento era contrário.

Mat.14.25- Â quarta vigília da noite, foi Jesus ter com eles, andando sobre o mar.

Mat.14.26- Os discípulos, porém, ao vê-lo andando sobre o mar, assustaram-se e disseram: É um fantasma. E gritaram de medo.

Mat.14.27- Jesus, porém, imediatamente lhes falou, dizendo: Tende ânimo; sou eu; não temais.

Mat.14.28- Respondeu-lhe Pedro: Senhor! se és tu, manda-me ir ter contigo sobre as águas.

Mat.14.29- Disse-lhe ele: Vem. Pedro, descendo do barco, e andando sobre as águas, foi ao encontro de Jesus.

Mat.14.30- Mas, sentindo o vento, teve medo; e, começando a submergir, clamou: Senhor, salva-me.

Mat.14.31- Imediatamente estendeu Jesus a mão, segurou-o, e disse-lhe: Homem de pouca fé, por que duvidaste?

Mat.14.32- E logo que subiram para o barco, o vento cessou.

Mat.14.33- Então os que estavam no barco adoraram-no, dizendo: Verdadeiramente tu és Filho de Deus.

Mat.14.34- Ora, terminada a travessia, chegaram à terra em Genesaré.

Mat.14.35- Quando os homens daquele lugar o reconheceram, mandaram por toda aquela circunvizinhança, e trouxeram-lhe todos os enfermos;

Mat.14.36- e rogaram-lhe que apenas os deixasse tocar a orla do seu manto; e todos os que a tocaram ficaram curados.

Mat.15.1- Então chegaram a Jesus uns fariseus e escribas vindos de Jerusalém, e lhe perguntaram:

Mat.15.2- Por que transgridem os teus discípulos a tradição dos anciãos? Pois não lavam as mãos, quando comem.

Mat.15.3- Ele, porém, respondendo, disse-lhes: E vós, por que transgredis o mandamento de Deus por causa da vossa tradição?

Mat.15.4- Pois Deus ordenou: Honra a teu pai e a tua mãe; e, Quem maldisser a seu pai ou a sua mãe, certamente morrerá.

Mat.15.5- Mas vós dizeis: Qualquer que disser a seu pai ou a sua mãe: O que poderias aproveitar de mim é oferta ao Senhor; esse de modo algum terá de honrar a seu pai.

Mat.15.6- E assim por causa da vossa tradição invalidastes a palavra de Deus.

Mat.15.7- Hipócritas! Bem profetizou Isaías a vosso respeito, dizendo:

Mat.15.8- Este povo honra-me com os lábios; o seu coração, porém, está longe de mim.

Mat.15.9- Mas em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos de homem.

Mat.15.10- E, clamando a si a multidão, disse-lhes: Ouvi, e entendei:

Mat.15.11- Não é o que entra pela boca que contamina o homem; mas o que sai da boca, isso é o que o contamina.

Mat.15.12- Então os discípulos, aproximando-se dele, perguntaram-lhe: Sabes que os fariseus, ouvindo essas palavras, se escandalizaram?

Mat.15.13- Respondeu-lhes ele: Toda planta que meu Pai celestial não plantou será arrancada.

Mat.15.14- Deixai-os; são guias cegos; ora, se um cego guiar outro cego, ambos cairão no barranco.

Mat.15.15- E Pedro, tomando a palavra, disse-lhe: Explica-nos essa parábola.

Mat.15.16- Respondeu Jesus: Estai vós também ainda sem entender?

Mat.15.17- Não compreendeis que tudo o que entra pela boca desce pelo ventre, e é lançado fora?

Mat.15.18- Mas o que sai da boca procede do coração; e é isso o que contamina o homem.

Mat.15.19- Porque do coração procedem os maus pensamentos, homicídios, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos e blasfémias.

Mat.15.20- São estas as coisas que contaminam o homem; mas o comer sem lavar as mãos, isso não o contamina.

Mat.15.21- Ora, partindo Jesus dali, retirou-se para as regiões de Tiro e Sídon.

Mat.15.22- E eis que uma mulher cananeia, provinda daquelas cercania, clamava, dizendo: Senhor, Filho de David, tem compaixão de mim, que minha filha está horrivelmente endemoninhada.

Mat.15.23- Contudo ele não lhe respondeu palavra. Chegando-se, pois, a ele os seus discípulos, rogavam-lhe, dizendo: Despede-a, porque vem clamando atrás de nós.

Mat.15.24- Respondeu-lhes ele: Não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel.

Mat.15.25- Então veio ela e, adorando-o, disse: Senhor, socorre-me.

Mat.15.26- Ele, porém, respondeu: Não é bom tomar o pão dos filhos e lançá-lo aos cachorrinhos.

Mat.15.27- Ao que ela disse: Sim, Senhor, mas até os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa dos seus donos.

Mat.15.28- Então respondeu Jesus, e disse-lhe: Ó mulher, grande é a tua fé! Seja-te feito como queres. E desde aquela hora sua filha ficou sã.

Mat.15.29- Partindo Jesus dali, chegou ao pé do mar da Galileia; e, subindo ao monte, sentou-se ali.

Mat.15.30- E vieram a ele grandes multidões, trazendo consigo coxos, aleijados, cegos, mudos, e muitos outros, e lhos puseram aos pés; e ele os curou;

Mat.15.31- de modo que a multidão se admirou, vendo mudos a falar, aleijados a ficar sãos, coxos a andar, cegos a ver; e glorificaram ao Deus de Israel.

Mat.15.32- Jesus chamou os seus discípulos, e disse: Tenho compaixão da multidão, porque já faz três dias que eles estão comigo, e não têm o que comer; e não quero despedi-los em jejum, para que não desfaleçam no caminho.

Mat.15.33- Disseram-lhe os discípulos: Donde nos viriam num deserto tantos pães, para fartar tamanha multidão?

Mat.15.34- Perguntou-lhes Jesus: Quantos pães tendes? E responderam: Sete, e alguns peixinhos.

Mat.15.35- E tendo ele ordenado ao povo que se sentasse no chão,

Mat.15.36- tomou os sete pães e os peixes, e havendo dado graças, partiu-os, e os entregava aos discípulos, e os discípulos á multidão.

Mat.15.37- Assim todos comeram, e se fartaram; e do que sobejou dos pedaços levantaram sete alcofas cheias.

Mat.15.38- Ora, os que tinham comido eram quatro mil homens além de mulheres e crianças.

Mat.15.39- E havendo Jesus despedido a multidão, entrou no barco, e foi para os confins de Magdala.

Mat.16.1- Então chegaram a ele os fariseus e os saduceus e, para o experimentarem, pediram-lhe que lhes mostrasse algum sinal do céu.

Mat.16.2- Mas ele respondeu, e disse-lhes: Ao cair da tarde, dizeis: Haverá bom tempo, porque o céu está rubro.

Mat.16.3- E pela manhã: Hoje haverá tempestade, porque o céu está de um vermelho sombrio. Ora, sabeis discernir o aspecto do céu, e não podeis discernir os sinais dos tempos?

Mat.16.4- Uma geração má e adúltera pede um sinal, e nenhum sinal lhe será dado, senão o de Jonas. E, deixando-os, retirou-se.

Mat.16.5- Quando os discípulos passaram para o outro lado, esqueceram-se de levar pão.

Mat.16.6- E Jesus lhes disse: Olhai, e acautelai-vos do fermento dos fariseus e dos saduceus.

Mat.16.7- Pelo que eles arrazoavam entre si, dizendo: É porque não trouxemos pão.

Mat.16.8- E Jesus, percebendo isso, disse: Por que arrazoais entre vós por não terdes pão, homens de pouca fé?

Mat.16.9- Não compreendeis ainda, nem vos lembrais dos cinco pães para os cinco mil, e de quantos cestos levantastes?

Mat.16.10- Nem dos sete pães para os quatro mil, e de quantas alcofas levantastes?

Mat.16.11- Como não compreendeis que não nos falei a respeito de pães? Mas guardai-vos do fermento dos fariseus e dos saduceus.

Mat.16.12- Então entenderam que não dissera que se guardassem, do fermento dos pães, mas da doutrina dos fariseus e dos saduceus.

Mat.16.13- Tendo Jesus chegado às regiões de Cesareia de Felipe, interrogou os seus discípulos, dizendo: Quem dizem os homens ser o Filho do homem?

Mat.16.14- Responderam eles: Uns dizem que é João, o Batista; outros, Elias; outros, Jeremias, ou algum dos profetas.

Mat.16.15- Mas vós, perguntou-lhes Jesus, quem dizeis que eu sou?

Mat.16.16- Respondeu-lhe Simão Pedro: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo.

Mat.16.17- Disse-lhe Jesus: Bem-aventurado és tu, Simão Barjonas, porque não foi carne e sangue que to revelou, mas meu Pai, que está nos céus.

Mat.16.18- Pois também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do hades não prevalecerão contra ela;

Mat.16.19- dar-te-ei as chaves do reino dos céus; o que ligares, pois, na terra será ligado nos céus, e o que desligares na terra será desligado nos céus.

Mat.16.20- Então ordenou aos discípulos que a ninguém dissessem que ele era o Cristo.

Mat.16.21- Desde então começou Jesus Cristo a mostrar aos seus discípulos que era necessário que ele fosse a Jerusalém, que padecesse muitas coisas dos anciãos, dos principais sacerdotes, e dos escribas, que fosse morto, e que ao terceiro dia ressuscitasse.

Mat.16.22- E Pedro, tomando-o à parte, começou a repreendê-lo, dizendo: Tenha Deus compaixão de ti, Senhor; isso de modo nenhum te acontecerá.

Mat.16.23- Ele, porém, voltando-se, disse a Pedro: Para trás de mim, Satanás, que me serves de escândalo; porque não estás pensando nas coisas que são de Deus, mas sim nas que são dos homens.

Mat.16.24- Então disse Jesus aos seus discípulos: Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz, e siga-me;

Mat.16.25- pois, quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á; mas quem perder a sua vida por amor de mim, achá-la-á.

Mat.16.26- Pois que aproveita ao homem se ganhar o mundo inteiro e perder a sua vida? ou que dará o homem em troca da sua vida?

Mat.16.27- Porque o Filho do homem há-de vir na glória de seu Pai, com os seus anjos; e então retribuirá a cada um segundo as suas obras.

Mat.16.28- Em verdade vos digo, alguns dos que aqui estão de modo nenhum provarão a morte até que vejam vir o Filho do homem no seu reino.

Mat.17.1- Seis dias depois, tomou Jesus consigo a Pedro, a Tiago e a João, irmão deste, e os conduziu à parte a um alto monte;

Mat.17.2- e foi transfigurado diante deles; o seu rosto resplandeceu como o sol, e as suas vestes tornaram-se brancas como a luz.

Mat.17.3- E eis que lhes apareceram Moisés e Elias, falando com ele.

Mat.17.4- Pedro, tomando a palavra, disse a Jesus: Senhor, bom é estarmos aqui; se queres, farei aqui três cabanas, uma para ti, outra para Moisés, e outra para Elias.

Mat.17.5- Estando ele ainda a falar, eis que uma nuvem luminosa os cobriu; e dela saiu uma voz que dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo; a ele ouvi.

Mat.17.6- Os discípulos, ouvindo isso, caíram com o rosto em terra, e ficaram grandemente atemorizados.

Mat.17.7- Chegou-se, pois, Jesus e, tocando-os, disse: Levantai-vos e não temais.

Mat.17.8- E, erguendo eles os olhos, não viram a ninguém senão a Jesus somente.

Mat.17.9- Enquanto desciam do monte, Jesus lhes ordenou: A ninguém conteis a visão, até que o Filho do homem seja levantado dentre os mortos.

Mat.17.10- Perguntaram-lhe os discípulos: Por que dizem então os escribas que é necessário que Elias venha primeiro?

Mat.17.11- Respondeu ele: Na verdade Elias havia de vir e restaurar todas as coisas;

Mat.17.12- digo-vos, porém, que Elias já veio, e não o reconheceram; mas fizeram-lhe tudo o que quiseram. Assim também o Filho do homem há-de padecer às mãos deles.

Mat.17.13- Então entenderam os discípulos que lhes falava a respeito de João, o Batista.

Mat.17.14- Quando chegaram à multidão, aproximou-se de Jesus um homem que, ajoelhando-se diante dele, disse:

Mat.17.15- Senhor, tem compaixão de meu filho, porque é epiléptico e sofre muito; pois muitas vezes cai no fogo, e muitas vezes na água.

Mat.17.16- Eu o trouxe aos teus discípulos, e não o puderam curar.

Mat.17.17- E Jesus, respondendo, disse: Ó geração incrédula e perversa! Até quando estarei convosco? Até quando vos sofrerei? Trazei-mo aqui.

Mat.17.18- Então Jesus repreendeu ao demónio, o qual saiu de menino, que desde aquela hora ficou curado.

Mat.17.19- Depois os discípulos, aproximando-se de Jesus em particular, perguntaram-lhe: Por que não pudemos nós expulsá-lo?

Mat.17.20- Disse-lhes ele: Por causa da vossa pouca fé; pois em verdade vos digo que, se tiverdes fé como um grão de mostarda direis a este monte: Passa daqui para acolá, e ele há-de passar; e nada vos será impossível.

Mat.17.21- [mas esta casta de demónios não se expulsa senão à força de oração e de jejum.]

Mat.17.22- Ora, achando-se eles na Galileia, disse-lhes Jesus: O Filho do homem está para ser entregue nas mãos dos homens;

Mat.17.23- e matá-lo-ão, e ao terceiro dia ressurgirá. E eles se entristeceram grandemente.

Mat.17.24- Tendo eles chegado a Cafarnaum, aproximaram-se de Pedro os que cobravam as didracmas, e lhe perguntaram: O vosso mestre não paga as didracmas?

Mat.17.25- Disse ele: Sim. Ao entrar Pedro em casa, Jesus se lhe antecipou, perguntando: Que te parece, Simão? De quem cobram os reis da terra imposto ou tributo? Dos seus filhos, ou dos alheios?

Mat.17.26- Quando ele respondeu: Dos alheios, disse-lhe Jesus: Logo, são isentos os filhos.

Mat.17.27- Mas, para que não os escandalizemos, vai ao mar, lança o anzol, tira o primeiro peixe que subir e, abrindo-lhe a boca, encontrarás um estáter; toma-o, e dá-lho por mim e por ti.

Mat.18.1- Naquela hora chegaram-se a Jesus os discípulos e perguntaram: Quem é o maior no reino dos céus?

Mat.18.2- Jesus, chamando uma criança, colocou-a no meio deles,

Mat.18.3- e disse: Em verdade vos digo que se não vos converterdes e não vos fizerdes como crianças, de modo algum entrareis no reino dos céus.

Mat.18.4- Portanto, quem se tornar humilde como esta criança, esse é o maior no reino dos céus.

Mat.18.5- E qualquer que receber em meu nome uma criança tal como esta, a mim me recebe.

Mat.18.6- Mas qualquer que fizer tropeçar um destes pequeninos que crêem em mim, melhor lhe fora que se lhe pendurasse ao pescoço uma pedra de moinho, e se submergisse na profundeza do mar.

Mat.18.7- Ai do mundo, por causa dos tropeços! Pois é inevitável que venham; mas ai do homem por quem o tropeço vier!

Mat.18.8- Se, pois, a tua mão ou o teu pé te fizer tropeçar, corta-o, lança-o de ti; melhor te é entrar na vida aleijado, ou coxo, do que, tendo duas mãos ou dois pés, ser lançado no fogo eterno.

Mat.18.9- E, se teu olho te fizer tropeçar, arranca-o, e lança-o de ti; melhor te é entrar na vida com um só olho, do que tendo dois olhos, ser lançado no inferno de fogo.

Mat.18.10- Vede, não desprezeis a nenhum destes pequeninos; pois eu vos digo que os seus anjos nos céus sempre vêm a face de meu Pai, que está nos céus.

Mat.18.11- [Porque o Filho do homem veio salvar o que se havia perdido.]

Mat.18.12- Que vos parece? Se alguém tiver cem ovelhas, e uma delas se extraviar, não deixará as noventa e nove nos montes para ir buscar a que se extraviou?

Mat.18.13- E, se acontecer achá-la, em verdade vos digo que maior prazer tem por esta do que pelas noventa e nove que não se extraviaram.

Mat.18.14- Assim também não é da vontade de vosso Pai que está nos céus, que venha a perecer um só destes pequeninos.

Mat.18.15- Ora, se teu irmão pecar, vai, e repreende-o entre ti e ele só; se te ouvir, terás ganho teu irmão;

Mat.18.16- mas se não te ouvir, leva ainda contigo um ou dois, para que pela boca de duas ou três testemunhas toda palavra seja confirmada.

Mat.18.17- Se recusar ouvi-los, dize-lo à igreja; e, se também recusar ouvir a igreja, considera-o como gentio e publicano.

Mat.18.18- Em verdade vos digo: Tudo quanto ligardes na terra será ligado no céu; e tudo quanto desligardes na terra será desligado no céu.

Mat.18.19- Ainda vos digo mais: Se dois de vós na terra concordarem acerca de qualquer coisa que pedirem, isso lhes será feito por meu Pai, que está nos céus.

Mat.18.20- Pois onde se acham dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles.

Mat.18.21- Então Pedro, aproximando-se dele, lhe perguntou: Senhor, até quantas vezes pecará meu irmão contra mim, e eu hei-de perdoar? Até sete?

Mat.18.22- Respondeu-lhe Jesus: Não te digo que até sete; mas até setenta vezes sete.

Mat.18.23- Por isso o reino dos céus é comparado a um rei que quis tomar contas a seus servos;

Mat.18.24- e, tendo começado a tomá-las, foi-lhe apresentado um que lhe devia dez mil talentos;

Mat.18.25- mas não tendo ele com que pagar, ordenou seu senhor que fossem vendidos, ele, sua mulher, seus filhos, e tudo o que tinha, e que se pagasse a dívida.

Mat.18.26- Então aquele servo, prostrando-se, o reverenciava, dizendo: Senhor, tem paciência comigo, que tudo te pagarei.

Mat.18.27- O senhor daquele servo, pois, movido de compaixão, soltou-o, e perdoou-lhe a dívida.

Mat.18.28- Saindo, porém, aquele servo, encontrou um dos seus conservos, que lhe devia cem denários; e, segurando-o, o sufocava, dizendo: Paga o que me deves.

Mat.18.29- Então o seu companheiro, caindo-lhe aos pés, rogava-lhe, dizendo: Tem paciência comigo, que te pagarei.

Mat.18.30- Ele, porém, não quis; antes foi encerrá-lo na prisão, até que pagasse a dívida.

Mat.18.31- Vendo, pois, os seus conservos o que acontecera, contristaram-se grandemente, e foram revelar tudo isso ao seu senhor.

Mat.18.32- Então o seu senhor, chamando-o á sua presença, disse-lhe: Servo malvado, perdoei-te toda aquela dívida, porque me suplicaste;

Mat.18.33- não devias tu também ter compaixão do teu companheiro, assim como eu tive compaixão de ti?

Mat.18.34- E, indignado, o seu senhor o entregou aos verdugos, até que pagasse tudo o que lhe devia.

Mat.18.35- Assim vos fará meu Pai celestial, se de coração não perdoardes, cada um a seu irmão.

Mat.19.1- Tendo Jesus concluído estas palavras, partiu da Galileia, e foi para os confins da Judeia, além do Jordão;

Mat.19.2- e seguiram-no grandes multidões, e curou-os ali.

Mat.19.3- Aproximaram-se dele alguns fariseus que o experimentavam, dizendo: É lícito ao homem repudiar sua mulher por qualquer motivo?

Mat.19.4- Respondeu-lhe Jesus: Não tendes lido que o Criador os fez desde o princípio homem e mulher,

Mat.19.5- e que ordenou: Por isso deixará o homem pai e mãe, e unir-se-á a sua mulher; e serão os dois uma só carne?

Mat.19.6- Assim já não são mais dois, mas um só carne. Portanto o que Deus ajuntou, não o separe o homem.

Mat.19.7- Responderam-lhe: Então por que mandou Moisés dar-lhe carta de divórcio e repudiá-la?

Mat.19.8- Disse-lhes ele: Pela dureza de vossos corações Moisés vos permitiu repudiar vossas mulheres; mas não foi assim desde o princípio.

Mat.19.9- Eu vos digo porém, que qualquer que repudiar sua mulher, a não ser por causa de infidelidade, e casar com outra, comete adultério; [e o que casar com a repudiada também comete adultério.]

Mat.19.10- Disseram-lhe os discípulos: Se tal é a condição do homem relativamente à mulher, não convém casar.

Mat.19.11- Ele, porém, lhes disse: Nem todos podem aceitar esta palavra, mas somente aqueles a quem é dado.

Mat.19.12- Porque há eunucos que nasceram assim; e há eunucos que pelos homens foram feitos tais; e outros há que a si mesmos se fizeram eunucos por causa do reino dos céus. Quem pode aceitar isso, aceite-o.

Mat.19.13- Então lhe trouxeram algumas crianças para que lhes impusesse as mãos, e orasse; mas os discípulos os repreenderam.

Mat.19.14- Jesus, porém, disse: Deixai as crianças e não as impeçais de virem a mim, porque de tais é o reino dos céus.

Mat.19.15- E, depois de lhes impor as mãos, partiu dali.

Mat.19.16- E eis que se aproximou dele um jovem, e lhe disse: Mestre, que bem farei para conseguir a vida eterna?

Mat.19.17- Respondeu-lhe ele: Por que me perguntas sobre o que é bom? Um só é bom; mas se é que queres entrar na vida, guarda os mandamentos.

Mat.19.18- Perguntou-lhe ele: Quais? Respondeu Jesus: Não matarás; não adulterarás; não furtarás; não dirás falso testemunho;

Mat.19.19- honra a teu pai e a tua mãe; e amarás o teu próximo como a ti mesmo.

Mat.19.20- Disse-lhe o jovem: Tudo isso tenho guardado; que me falta ainda?

Mat.19.21- Disse-lhe Jesus: Se queres ser perfeito, vai, vende tudo o que tens e dá-o aos pobres, e terás um tesouro no céu; e vem, segue-me.

Mat.19.22- Mas o jovem, ouvindo essa palavra, retirou-se triste; porque possuía muitos bens.

Mat.19.23- Disse então Jesus aos seus discípulos: Em verdade vos digo que um rico dificilmente entrará no reino dos céus.

Mat.19.24- E outra vez vos digo que é mais fácil um camelo passar pelo fundo duma agulha, do que entrar um rico no reino de Deus.

Mat.19.25- Quando os seus discípulos ouviram isso, ficaram grandemente maravilhados, e perguntaram: Quem pode, então, ser salvo?

Mat.19.26- Jesus, fixando neles o olhar, respondeu: Aos homens é isso impossível, mas a Deus tudo é possível.

Mat.19.27- Então Pedro, tomando a palavra, disse-lhe: Eis que nós deixamos tudo, e te seguimos; que recompensa, pois, teremos nós?

Mat.19.28- Ao que lhe disse Jesus: Em verdade vos digo a vós que me seguistes, que na regeneração, quando o Filho do homem se assentar no trono da sua glória, sentar-vos-eis também vós sobre doze tronos, para julgar as doze tribos de Israel.

Mat.19.29- E todo o que tiver deixado casas, ou irmãos, ou irmãs, ou pai, ou mãe, ou filhos, ou terras, por amor do meu nome, receberá cem vezes tanto, e herdará a vida eterna.

Mat.19.30. Entretanto, muitos que são primeiros serão últimos; e muitos que são últimos serão primeiros.

Mat.20.1- Porque o reino dos céus é semelhante a um homem, proprietário, que saiu de madrugada a contratar trabalhadores para a sua vinha.

Mat.20.2- Ajustou com os trabalhadores o salário de um denário por dia, e mandou-os para a sua vinha.

Mat.20.3- Cerca da hora terceira saiu, e viu que estavam outros, ociosos, na praça,

Mat.20.4- e disse-lhes: Ide também vós para a vinha, e dar-vos-ei o que for justo. E eles foram.

Mat.20.5- Outra vez saiu, cerca da hora sexta e da nona, e fez o mesmo.

Mat.20.6- Igualmente, cerca da hora undécima, saiu e achou outros que lá estavam, e perguntou-lhes: Por que estais aqui ociosos o dia todo?

Mat.20.7- Responderam-lhe eles: Porque ninguém nos contratou. Disse-lhes ele: Ide também vós para a vinha.

Mat.20.8- Ao anoitecer, disse o senhor da vinha ao seu mordomo: Chama os trabalhadores, e paga-lhes o salário, começando pelos últimos até os primeiros.

Mat.20.9- Chegando, pois, os que tinham ido cerca da hora undécima, receberam um denário cada um.

Mat.20.10- Vindo, então, os primeiros, pensaram que haviam de receber mais; mas do mesmo modo receberam um denário cada um.

Mat.20.11- E ao recebê-lo, murmuravam contra o proprietário, dizendo:

Mat.20.12- Estes últimos trabalharam somente uma hora, e os igualastes a nós, que suportamos a fadiga do dia inteiro e o forte calor.

Mat.20.13- Mas ele, respondendo, disse a um deles: Amigo, não te faço injustiça; não ajustaste comigo um denário?

Mat.20.14- Toma o que é teu, e vai-te; eu quero dar a este último tanto como a ti.

Mat.20.15- Não me é lícito fazer o que quero do que é meu? Ou é mau o teu olho porque eu sou bom?

Mat.20.16- Assim os últimos serão primeiros, e os primeiros serão últimos.

Mat.20.17- Estando Jesus para subir a Jerusalém, chamou à parte os doze e no caminho lhes disse:

Mat.20.18- Eis que subimos a Jerusalém, e o Filho do homem será entregue aos principais sacerdotes e aos escribas, e eles o condenarão à morte,

Mat.20.19- e o entregarão aos gentios para que dele escarneçam, e o açoitem e crucifiquem; e ao terceiro dia ressuscitará.

Mat.20.20- Aproximou-se dele, então, a mãe dos filhos de Zebedeu, com seus filhos, ajoelhando-se e fazendo-lhe um pedido.

Mat.20.21- Perguntou-lhe Jesus: Que queres? Ela lhe respondeu: Concede que estes meus dois filhos se sentem, um à tua direita e outro à tua esquerda, no teu reino.

Mat.20.22- Jesus, porém, replicou: Não sabeis o que pedis; podeis beber o cálice que eu estou para beber? Responderam-lhe: Podemos.

Mat.20.23- Então lhes disse: O meu cálice certamente haveis de beber; mas o sentar-se à minha direita e à minha esquerda, não me pertence concedê-lo; mas isso é para aqueles para quem está preparado por meu Pai.

Mat.20.24- E ouvindo isso os dez, indignaram-se contra os dois irmãos.

Mat.20.25- Jesus, pois, chamou-os para junto de si e lhes disse: Sabeis que os governadores dos gentios os dominam, e os seus grandes exercem autoridades sobre eles.

Mat.20.26- Não será assim entre vós; antes, qualquer que entre vós quiser tornar-se grande, será esse o que vos sirva;

Mat.20.27- e qualquer que entre vós quiser ser o primeiro, será vosso servo;

Mat.20.28- assim como o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir, e para dar a sua vida em resgate de muitos.

Mat.20.29- Saindo eles de Jericó, seguiu-o uma grande multidão;

Mat.20.30- e eis que dois cegos, sentados junto do caminho, ouvindo que Jesus passava, clamaram, dizendo: Senhor, Filho de David, tem compaixão de nós.

Mat.20.31- E a multidão os repreendeu, para que se calassem; eles, porém, clamaram ainda mais alto, dizendo: Senhor, Filho de David, tem compaixão de nós.

Mat.20.32- E Jesus, parando, chamou-os e perguntou: Que quereis que vos faça?

Mat.20.33- Disseram-lhe eles: Senhor, que se nos abram os olhos.

Mat.20.34- E Jesus, movido de compaixão, tocou-lhes os olhos, e imediatamente recuperaram a vista, e o seguiram.

Mat.21.1- Quando se aproximaram de Jerusalém, e chegaram a Betfagé, ao Monte das Oliveiras, enviou Jesus dois discípulos, dizendo-lhes:

Mat.21.2- Ide à aldeia que está defronte de vós, e logo encontrareis uma jumenta presa, e um jumentinho com ela; desprendei-a, e trazei-mos.

Mat.21.3- E, se alguém vos disser alguma coisa, respondei: O Senhor precisa deles; e logo os enviará.

Mat.21.4- Ora, isso aconteceu para que se cumprisse o que foi dito pelo profeta:

Mat.21.5- Dizei à filha de Sião: Eis que aí te vem o teu Rei, manso e montado em um jumento, em um jumentinho, cria de animal de carga.

Mat.21.6- Indo, pois, os discípulos e fazendo como Jesus lhes ordenara,

Mat.21.7- trouxeram a jumenta e o jumentinho, e sobre eles puseram os seus mantos, e Jesus montou.

Mat.21.8- E a maior parte da multidão estendeu os seus mantos pelo caminho; e outros cortavam ramos de árvores, e os espalhavam pelo caminho.

Mat.21.9- E as multidões, tanto as que o precediam como as que o seguiam, clamavam, dizendo: Hosana ao Filho de David! Bendito o que vem em nome do Senhor! Hosana nas alturas!

Mat.21.10- Ao entrar ele em Jerusalém, agitou-se a cidade toda e perguntava: Quem é este?

Mat.21.11- E as multidões respondiam: Este é o profeta Jesus, de Nazaré da Galileia.

Mat.21.12- Então Jesus entrou no templo, expulsou todos os que ali vendiam e compravam, e derribou as mesas dos cambistas e as cadeiras dos que vendiam pombas;

Mat.21.13- e disse-lhes: Está escrito: A minha casa será chamada casa de oração; vós, porém, a fazeis covil de salteadores.

Mat.21.14- E chegaram-se a ele no templo cegos e coxos, e ele os curou.

Mat.21.15- Vendo, porém, os principais sacerdotes e os escribas as maravilhas que ele fizera, e os meninos que clamavam no templo: Hosana ao Filho de David, indignaram-se,

Mat.21.16- e perguntaram-lhe: Ouves o que estes estão dizendo? Respondeu-lhes Jesus: Sim; nunca lestes: Da boca de pequeninos e de criancinhas de peito tiraste perfeito louvor?

Mat.21.17- E deixando-os, saiu da cidade para Betânia, e ali passou a noite.

Mat.21.18- Ora, de manhã, ao voltar à cidade, teve fome;

Mat.21.19- e, avistando uma figueira à beira do caminho, dela se aproximou, e não achou nela senão folhas somente; e disse-lhe: Nunca mais nasça fruto de ti. E a figueira secou imediatamente.

Mat.21.20- Quando os discípulos viram isso, perguntaram admirados: Como é que imediatamente secou a figueira?

Mat.21.21- Jesus, porém, respondeu-lhes: Em verdade vos digo que, se tiverdes fé e não duvidardes, não só fareis o que foi feito à figueira, mas até, se a este monte disserdes: Ergue-te e lança-te no mar, isso será feito;

Mat.21.22- e tudo o que pedirdes na oração, crendo, recebereis.

Mat.21.23- Tendo Jesus entrado no templo, e estando a ensinar, aproximaram-se dele os principais sacerdotes e os anciãos do povo, e perguntaram: Com que autoridade fazes tu estas coisas? E quem te deu tal autoridade?

Mat.21.24- Respondeu-lhes Jesus: Eu também vos perguntarei uma coisa; se ma disserdes, eu de igual modo vos direi com que autoridade faço estas coisas.

Mat.21.25- O batismo de João, donde era? Do céu ou dos homens? Ao que eles arrazoavam entre si: Se dissermos: Do céu, ele nos dirá: Então por que não o crestes?

Mat.21.26- Mas, se dissermos: Dos homens, tememos o povo; porque todos consideram João como profeta.

Mat.21.27- Responderam, pois, a Jesus: Não sabemos. Disse-lhe ele: Nem eu vos digo com que autoridade faço estas coisas.

Mat.21.28- Mas que vos parece? Um homem tinha dois filhos, e, chegando-se ao primeiro, disse: Filho, vai trabalhar hoje na vinha.

Mat.21.29- Ele respondeu: Sim, senhor; mas não foi.

Mat.21.30- Chegando-se, então, ao segundo, falou-lhe de igual modo; respondeu-lhe este: Não quero; mas depois, arrependendo-se, foi.

Mat.21.31- Qual dos dois fez a vontade do pai? Disseram eles: O segundo. Disse-lhes Jesus: Em verdade vos digo que os publicanos e as meretrizes entram adiante de vós no reino de Deus.

Mat.21.32- Pois João veio a vós no caminho da justiça, e não lhe deste crédito, mas os publicanos e as meretrizes lho deram; vós, porém, vendo isto, nem depois vos arrependestes para crerdes nele.

Mat.21.33- Ouvi ainda outra parábola: Havia um homem, proprietário, que plantou uma vinha, cercou-a com uma sebe, cavou nela um lagar, e edificou uma torre; depois arrendou-a a uns lavradores e ausentou-se do país.

Mat.21.34- E quando chegou o tempo dos frutos, enviou os seus servos aos lavradores, para receber os seus frutos.

Mat.21.35- E os lavradores, apoderando-se dos servos, espancaram um, mataram outro, e a outro apedrejaram.

Mat.21.36- Depois enviou ainda outros servos, em maior número do que os primeiros; e fizeram-lhes o mesmo.

Mat.21.37- Por último enviou-lhes seu filho, dizendo: A meu filho terão respeito.

Mat.21.38- Mas os lavradores, vendo o filho, disseram entre si: Este é o herdeiro; vinde, matemo-lo, e apoderemo-nos da sua herança.

Mat.21.39- E, agarrando-o, lançaram-no fora da vinha e o mataram.

Mat.21.40- Quando, pois, vier o senhor da vinha, que fará àqueles lavradores?

Mat.21.41- Responderam-lhe eles: Fará perecer miseravelmente a esses maus, e arrendará a vinha a outros lavradores, que a seu tempo lhe entreguem os frutos.

Mat.21.42- Disse-lhes Jesus: Nunca lestes nas Escrituras: A pedra que os edificadores rejeitaram, essa foi posta como pedra angular; pelo Senhor foi feito isso, e é maravilhoso aos nossos olhos?

Mat.21.43- Portanto eu vos digo que vos será tirado o reino de Deus, e será dado a um povo que dê os seus frutos.

Mat.21.44- E quem cair sobre esta pedra será despedaçado; mas aquele sobre quem ela cair será reduzido a pó.

Mat.21.45- Os principais sacerdotes e os fariseus, ouvindo essas parábolas, entenderam que era deles que Jesus falava.

Mat.21.46- E procuravam prendê-lo, mas temeram o povo, porquanto este o tinha por profeta.

Mat.22.1- Então Jesus tornou a falar-lhes por parábolas, dizendo:

Mat.22.2- O reino dos céus é semelhante a um rei que celebrou as bodas de seu filho.

Mat.22.3- Enviou os seus servos a chamar os convidados para as bodas, e estes não quiseram vir.

Mat.22.4- Depois enviou outros servos, ordenando: Dizei aos convidados: Eis que tenho o meu jantar preparado; os meus bois e cevados já estão mortos, e tudo está pronto; vinde às bodas.

Mat.22.5- Eles, porém, não fazendo caso, foram, um para o seu campo, outro para o seu negócio;

Mat.22.6- e os outros, apoderando-se dos servos, os ultrajaram e mataram.

Mat.22.7- Mas o rei encolerizou-se; e enviando os seus exércitos, destruiu aqueles homicidas, e incendiou a sua cidade.

Mat.22.8- Então disse aos seus servos: As bodas, na verdade, estão preparadas, mas os convidados não eram dignos.

Mat.22.9- Ide, pois, pelas encruzilhadas dos caminhos, e a quantos encontrardes, convidai-os para as bodas.

Mat.22.10- E saíram aqueles servos pelos caminhos, e ajuntaram todos quantos encontraram, tanto maus como bons; e encheu-se de convivas a sala nupcial.

Mat.22.11- Mas, quando o rei entrou para ver os convivas, viu ali um homem que não trajava veste nupcial;

Mat.22.12- e perguntou-lhe: Amigo, como entraste aqui, sem teres veste nupcial? Ele, porém, emudeceu.

Mat.22.13- Ordenou então o rei aos servos: Amarrai-o de pés e mãos, e lançai-o nas trevas exteriores; ali haverá choro e ranger de dentes.

Mat.22.14- Porque muitos são chamados, mas poucos escolhidos.

Mat.22.15- Então os fariseus se retiraram e consultaram entre si como o apanhariam em alguma palavra;

Mat.22.16- e enviaram-lhe os seus discípulos, juntamente com os herodianos, a dizer; Mestre, sabemos que és verdadeiro, e que ensinas segundo a verdade o caminho de Deus, e de ninguém se te dá, porque não olhas a aparência dos homens.

Mat.22.17- Diz-nos, pois, que te parece? É lícito pagar tributo a César, ou não?

Mat.22.18- Jesus, porém, percebendo a sua malícia, respondeu: Por que me experimentais, hipócritas?

Mat.22.19- Mostrai-me a moeda do tributo. E eles lhe apresentaram um denário.

Mat.22.20- Perguntou-lhes ele: De quem é esta imagem e inscrição?

Mat.22.21- Responderam: De César. Então lhes disse: Dai, pois, a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus.

Mat.22.22- Ao ouvirem isso, ficaram admirados; e, deixando-o, se retiraram.

Mat.22.23- No mesmo dia vieram alguns saduceus, que dizem não haver ressurreição, e o interrogaram, dizendo:

Mat.22.24- Mestre, Moisés disse: Se morrer alguém, não tendo filhos, seu irmão casará com a mulher dele, e suscitará descendência a seu irmão.

Mat.22.25- Ora, havia entre nós sete irmãos: o primeiro, tendo casado, morreu: e, não tendo descendência, deixou sua mulher a seu irmão;

Mat.22.26- da mesma sorte também o segundo, o terceiro, até o sétimo.

Mat.22.27- depois de todos, morreu também a mulher.

Mat.22.28- Portanto, na ressurreição, de qual dos sete será ela esposa, pois todos a tiveram?

Mat.22.29- Jesus, porém, lhes respondeu: Errais, não compreendendo as Escrituras nem o poder de Deus;

Mat.22.30- pois na ressurreição nem se casam nem se dão em casamento; mas serão como os anjos no céu.

Mat.22.31- E, quanto à ressurreição dos mortos, não lestes o que foi dito por Deus:

Mat.22.32- Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaque, e o Deus de Jacob? Ora, ele não é Deus de mortos, mas de vivos.

Mat.22.33- E as multidões, ouvindo isso, se maravilhavam da sua doutrina.

Mat.22.34- Os fariseus, quando souberam, que ele fizera emudecer os saduceus, reuniram-se todos;

Mat.22.35- e um deles, doutor da lei, para o experimentar, interrogou-o, dizendo:

Mat.22.36- Mestre, qual é o grande mandamento na lei?

Mat.22.37- Respondeu-lhe Jesus: Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento.

Mat.22.38- Este é o grande e primeiro mandamento.

Mat.22.39- E o segundo, semelhante a este, é: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo.

Mat.22.40- Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas.

Mat.22.41- Ora, enquanto os fariseus estavam reunidos, interrogou-os Jesus, dizendo:

Mat.22.42- Que pensais vós do Cristo? De quem é filho? Responderam-lhe: De David.

Mat.22.43- Replicou-lhes ele: Como é então que David, no Espírito, lhe chama Senhor, dizendo:

Mat.22.44- Disse o Senhor ao meu Senhor: Assenta-te à minha direita, até que eu ponha os teus inimigos de baixo dos teus pés?

Mat.22.45- Se David, pois, lhe chama Senhor, como é ele seu filho?

Mat.22.46- E ninguém podia responder-lhe palavra; nem desde aquele dia jamais ousou alguém interrogá-lo.

Mat.23.1- Então falou Jesus às multidões e aos seus discípulos, dizendo:

Mat.23.2- Na cadeira de Moisés se assentam os escribas e fariseus.

Mat.23.3- Portanto, tudo o que vos disserem, isso fazei e observai; mas não façais conforme as suas obras; porque dizem e não praticam.

Mat.23.4- Pois atam fardos pesados e difíceis de suportar, e os põem aos ombros dos homens; mas eles mesmos nem com o dedo querem movê-los.

Mat.23.5- Todas as suas obras eles fazem a fim de serem vistos pelos homens; pois alargam os seus filactérios, e aumentam as franjas dos seus mantos;

Mat.23.6- gostam do primeiro lugar nos banquetes, das primeiras cadeiras nas sinagogas,

Mat.23.7- das saudações nas praças, e de serem chamados pelos homens: Rabi.

Mat.23.8- Vós, porém, não queirais ser chamados Rabi; porque um só é o vosso Mestre, e todos vós sois irmãos.

Mat.23.9- E a ninguém sobre a terra chameis vosso pai; porque um só é o vosso Pai, aquele que está nos céus.

Mat.23.10- Nem queirais ser chamados guias; porque um só é o vosso Guia, que é o Cristo.

Mat.23.11- Mas o maior dentre vós há-de ser vosso servo.

Mat.23.12- Qualquer, pois, que a si mesmo se exaltar, será humilhado; e qualquer que a si mesmo se humilhar, será exaltado.

Mat.23.13- Mas ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Porque fechais aos homens o reino dos céus; pois nem vós entrais, nem aos que entrariam permitis entrar.

Mat.23.14- [Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Porque devorais as casas das viúvas e sob pretexto fazeis longas orações; por isso recebereis maior condenação.]

Mat.23.15- Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Porque percorreis o mar e a terra para fazer um prosélito; e, depois de o terdes feito, o tornais duas vezes mais filho do inferno do que vós.

Mat.23.16- Ai de vós, guias cegos! que dizeis: Quem jurar pelo ouro do santuário, esse fica obrigado ao que jurou.

Mat.23.17- Insensatos e cegos! Pois qual é o maior; o ouro, ou o santuário que santifica o ouro?

Mat.23.18- E: Quem jurar pelo altar, isso nada é; mas quem jurar pela oferta que está sobre o altar, esse fica obrigado ao que jurou.

Mat.23.19- Cegos! Pois qual é maior: a oferta, ou o altar que santifica a oferta?

Mat.23.20- Portanto, quem jurar pelo altar jura por ele e por tudo quanto sobre ele está;

Mat.23.21- e quem jurar pelo santuário jura por ele e por aquele que nele habita;

Mat.23.22- e quem jurar pelo céu jura pelo trono de Deus e por aquele que nele está assentado.

Mat.23.23- Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Porque dais o dízimo da hortelã, do endro e do cominho, e tendes omitido o que há de mais importante na lei, a saber, a justiça, a misericórdia e a fé; estas coisas, porém, devíeis fazer, sem omitir aquelas.

Mat.23.24- Guias cegos! que coais um mosquito, e engolis um camelo.

Mat.23.25- Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! porque limpais o exterior do copo e do prato, mas por dentro estão cheios de rapina e de intemperança.

Mat.23.26- Fariseu cego! limpa primeiro o interior do copo, para que também o exterior se torne limpo.

Mat.23.27- Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! porque sois semelhantes aos sepulcros caiados, que por fora realmente parecem formosos, mas por dentro estão cheios de ossos e de toda imundície.

Mat.23.28- Assim também vós exteriormente pareceis justos aos homens, mas por dentro estais cheios de hipocrisia e de iniquidade.

Mat.23.29- Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! porque edificais os sepulcros dos profetas e adornais os monumentos dos justos,

Mat.23.30- e dizeis: Se tivéssemos vivido nos dias de nossos pais, não teríamos sido cúmplices no derramar o sangue dos profetas.

Mat.23.31- Assim, vós testemunhais contra vós mesmos que sois filhos daqueles que mataram os profetas.

Mat.23.32- Enchei vós, pois, a medida de vossos pais.

Mat.23.33- Serpentes, raça de víboras! como escapareis da condenação do inferno?

Mat.23.34- Portanto, eis que eu vos envio profetas, sábios e escribas: e a uns deles matareis e crucificareis; e a outros os perseguireis de cidade em cidade;

Mat.23.35- para que sobre vós caia todo o sangue justo, que foi derramado sobre a terra, desde o sangue de Abel, o justo, até o sangue de Zacarias, filho de Baraquias, que mataste entre o santuário e o altar.

Mat.23.36- Em verdade vos digo que todas essas coisas hão-de vir sobre esta geração.

Mat.23.37- Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas, apedrejas os que a ti são enviados! Quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintos debaixo das asas, e não o quiseste!

Mat.23.38- Eis aí abandonada vos é a vossa casa.

Mat.23.39- Pois eu vos declaro que desde agora de modo nenhum me vereis, até que digais: Bendito aquele que vem em nome do Senhor.

Mat.24.1- Ora, Jesus, tendo saído do templo, ia-se retirando, quando se aproximaram dele os seus discípulos, para lhe mostrarem os edifícios do templo.

Mat.24.2- Mas ele lhes disse: Não vedes tudo isto? Em verdade vos digo que não se deixará aqui pedra sobre pedra que não seja derribada.

Mat.24.3- E estando ele sentado no Monte das Oliveiras, chegaram-se a ele os seus discípulos em particular, dizendo: Declara-nos quando serão essas coisas, e que sinal haverá da tua vinda e do fim do mundo.

Mat.24.4- Respondeu-lhes Jesus: Acautelai-vos, que ninguém vos engane.

Mat.24.5- Porque muitos virão em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo; a muitos enganarão.

Mat.24.6- E ouvireis falar de guerras e rumores de guerras; olhai não vos perturbeis; porque forçoso é que assim aconteça; mas ainda não é o fim.

Mat.24.7- Porquanto se levantará nação contra nação, e reino contra reino; e haverá fomes e terramotos em vários lugares.

Mat.24.8- Mas todas essas coisas são o princípio das dores.

Mat.24.9- Então sereis entregues à tortura, e vos matarão; e sereis odiados de todas as nações por causa do meu nome.

Mat.24.10- Nesse tempo muitos hão de se escandalizar, e trair-se uns aos outros, e mutuamente se odiarão.

Mat.24.11- Igualmente hão-de surgir muitos falsos profetas, e enganarão a muitos;

Mat.24.12- e, por se multiplicar a iniquidade, o amor de muitos esfriará.

Mat.24.13- Mas quem perseverar até o fim, esse será salvo.

Mat.24.14- E este evangelho do reino será pregado no mundo inteiro, em testemunho a todas as nações, e então virá o fim.

Mat.24.15- Quando, pois, virdes estar no lugar santo a abominação de desolação, predita pelo profeta Daniel (quem lê, entenda),

Mat.24.16- então os que estiverem na Judeia fujam para os montes;

Mat.24.17- quem estiver no eirado não desça para tirar as coisas de sua casa,

Mat.24.18- e quem estiver no campo não volte atrás para apanhar a sua capa.

Mat.24.19- Mas ai das que estiverem grávidas, e das que amamentarem naqueles dias!

Mat.24.20- Orai para que a vossa fuga não suceda no inverno nem no sábado;

Mat.24.21- porque haverá então uma tribulação tão grande, como nunca houve desde o princípio do mundo até agora, nem jamais haverá.

Mat.24.22- E se aqueles dias não fossem abreviados, ninguém se salvaria; mas por causa dos escolhidos serão abreviados aqueles dias.

Mat.24.23- Se, pois, alguém vos disser: Eis aqui o Cristo! ou: Ei-lo aí! não acrediteis;

Mat.24.24- porque hão-de surgir falsos cristos e falsos profetas, e farão grandes sinais e prodígios; de modo que, se possível fora, enganariam até os escolhidos.

Mat.24.25- Eis que de antemão vo-lo tenho dito.

Mat.24.26- Portanto, se vos disserem: Eis que ele está no deserto; não saiais; ou: Eis que ele está no interior da casa; não acrediteis.

Mat.24.27- Porque, assim como o relâmpago sai do oriente e se mostra até o ocidente, assim será também a vinda do filho do homem.

Mat.24.28- Pois onde estiver o cadáver, aí se ajuntarão os abutres.

Mat.24.29- Logo depois da tribulação daqueles dias, escurecerá o sol, e a lua não dará a sua luz; as estrelas cairão do céu e os poderes dos céus serão abalados.

Mat.24.30- Então aparecerá no céu o sinal do Filho do homem, e todas as tribos da terra se lamentarão, e verão vir o Filho do homem sobre as nuvens do céu, com poder e grande glória.

Mat.24.31- E ele enviará os seus anjos com grande clangor de trombeta, os quais lhe ajuntarão os escolhidos desde os quatro ventos, de uma à outra extremidade dos céus.

Mat.24.32- Aprendei, pois, da figueira a sua parábola: Quando já o seu ramo se torna tenro e brota folhas, sabeis que está próximo o verão.

Mat.24.33- Igualmente, quando virdes todas essas coisas, sabei que ele está próximo, mesmo às portas.

Mat.24.34- Em verdade vos digo que não passará esta geração sem que todas essas coisas se cumpram.

Mat.24.35- Passará o céu e a terra, mas as minhas palavras jamais passarão.

Mat.24.36- Daquele dia e hora, porém, ninguém sabe, nem os anjos do céu, nem o Filho, senão só o Pai.

Mat.24.37- Pois como foi dito nos dias de Noé, assim será também a vinda do Filho do homem.

Mat.24.38- Porquanto, assim como nos dias anteriores ao dilúvio, comiam, bebiam, casavam e davam-se em casamento, até o dia em que Noé entrou na arca,

Mat.24.39- e não o perceberam, até que veio o dilúvio, e os levou a todos; assim será também a vinda do Filho do homem.

Mat.24.40- Então, estando dois homens no campo, será levado um e deixado outro;

Mat.24.41- estando duas mulheres a trabalhar no moinho, será levada uma e deixada a outra.

Mat.24.42- Vigiai, pois, porque não sabeis em que dia vem o vosso Senhor;

Mat.24.43- sabei, porém, isto: se o dono da casa soubesse a que vigília da noite havia de vir o ladrão, vigiaria e não deixaria minar a sua casa.

Mat.24.44- Por isso ficai também vós apercebidos; porque numa hora em que não penseis, virá o Filho do homem.

Mat.24.45- Quem é, pois, o servo fiel e prudente, que o senhor pôs sobre os seus serviçais, para a tempo dar-lhes o sustento?

Mat.24.46- Bem-aventurado aquele servo a quem o seu senhor, quando vier, achar assim fazendo.

Mat.24.47- Em verdade vos digo que o porá sobre todos os seus bens.

Mat.24.48- Mas se aquele outro, o mau servo, disser no seu coração: Meu senhor tarda em vir,

Mat.24.49- e começar a espancar os seus conservos, e a comer e beber com os ébrios,

Mat.24.50- virá o senhor daquele servo, num dia em que não o espera, e numa hora de que não sabe,

Mat.24.51- e cortá-lo-á pelo meio, e lhe dará a sua parte com os hipócritas; ali haverá choro e ranger de dentes.

Mat.25.1- Então o reino dos céus será semelhante a dez virgens que, tomando as suas lâmpadas, saíram ao encontro do noivo.

Mat.25.2- Cinco delas eram insensatas, e cinco prudentes.

Mat.25.3- Ora, as insensatas, tomando as lâmpadas, não levaram azeite consigo.

Mat.25.4- As prudentes, porém, levaram azeite em suas vasilhas, juntamente com as lâmpadas.

Mat.25.5- E tardando o noivo, tosquenejaram todas, e dormiram.

Mat.25.6- Mas à meia-noite ouviu-se um grito: Eis o noivo! saí-lhe ao encontro!

Mat.25.7- Então todas aquelas virgens se levantaram, e prepararam as suas lâmpadas.

Mat.25.8- E as insensatas disseram às prudentes: Dai-nos do vosso azeite, porque as nossas lâmpadas estão se apagando.

Mat.25.9- Mas as prudentes responderam: não; pois de certo não chegaria para nós e para vós; ide antes aos que o vendem, e comprai-o para vós.

Mat.25.10- E, tendo elas ido comprá-lo, chegou o noivo; e as que estavam preparadas entraram com ele para as bodas, e fechou-se a porta.

Mat.25.11- Depois vieram também as outras virgens, e disseram: Senhor, Senhor, abre-nos a porta.

Mat.25.12- Ele, porém, respondeu: Em verdade vos digo, não vos conheço.

Mat.25.13- Vigiai pois, porque não sabeis nem o dia nem a hora.

Mat.25.14- Porque é assim como um homem que, ausentando-se do país, chamou os seus servos e lhes entregou os seus bens:

Mat.25.15- a um deu cinco talentos, a outro dois, e a outro um, a cada um segundo a sua capacidade; e seguiu viagem.

Mat.25.16- O que recebera cinco talentos foi imediatamente negociar com eles, e ganhou outros cinco;

Mat.25.17- da mesma sorte, o que recebera dois ganhou outros dois;

Mat.25.18- mas o que recebera um foi e cavou na terra e escondeu o dinheiro do seu senhor.

Mat.25.19- Ora, depois de muito tempo veio o senhor daqueles servos, e fez contas com eles.

Mat.25.20- Então chegando o que recebera cinco talentos, apresentou-lhe outros cinco talentos, dizendo: Senhor, entregaste-me cinco talentos; eis aqui outros cinco que ganhei.

Mat.25.21- Disse-lhe o seu senhor: Muito bem, servo bom e fiel; sobre o pouco foste fiel, sobre muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor.

Mat.25.22- Chegando também o que recebera dois talentos, disse: Senhor, entregaste-me dois talentos; eis aqui outros dois que ganhei.

Mat.25.23- Disse-lhe o seu senhor: Muito bem, servo bom e fiel; sobre o pouco foste fiel, sobre muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor.

Mat.25.24- Chegando por fim o que recebera um talento, disse: Senhor, eu te conhecia, que és um homem duro, que ceifas onde não semeaste, e recolhes onde não joeiraste;

Mat.25.25- e, atemorizado, fui esconder na terra o teu talento; eis aqui tens o que é teu.

Mat.25.26- Ao que lhe respondeu o seu senhor: Servo mau e preguiçoso, sabias que ceifo onde não semeei, e recolho onde não joeirei?

Mat.25.27- Devias então entregar o meu dinheiro aos banqueiros e, vindo eu, tê-lo-ia recebido com juros.

Mat.25.28- Tirai-lhe, pois, o talento e dai ao que tem os dez talentos.

Mat.25.29- Porque a todo o que tem, dar-se-lhe-á, e terá em abundância; mas ao que não tem, até aquilo que tem ser-lhe-á tirado.

Mat.25.30- E lançai o servo inútil nas trevas exteriores; ali haverá choro e ranger de dentes.

Mat.25.31- Quando, pois vier o Filho do homem na sua glória, e todos os anjos com ele, então se assentará no trono da sua glória;

Mat.25.32- e diante dele serão reunidas todas as nações; e ele separará uns dos outros, como o pastor separa as ovelhas dos cabritos;

Mat.25.33- e porá as ovelhas à sua direita, mas os cabritos à esquerda.

Mat.25.34- Então dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai. Possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo;

Mat.25.35- porque tive fome, e me destes de comer; tive sede, e me destes de beber; era forasteiro, e me acolhestes;

Mat.25.36- estava nu, e me vestistes; adoeci, e me visitastes; estava na prisão e fostes ver-me.

Mat.25.37- Então os justos lhe perguntarão: Senhor, quando te vimos com fome, e te demos de comer? ou com sede, e te demos de beber?

Mat.25.38- Quando te vimos forasteiro, e te acolhemos? Ou nu, e te vestimos?

Mat.25.39- Quando te vimos enfermo, ou na prisão, e fomos visitar-te?

Mat.25.40- E responder-lhes-á o Rei: Em verdade vos digo que, sempre que o fizestes a um destes meus irmãos, mesmo dos mais pequeninos, a mim o fizestes.

Mat.25.41- Então dirá também aos que estiverem à sua esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o Diabo e seus anjos;

Mat.25.42- porque tive fome, e não me destes de comer; tive sede, e não me destes de beber;

Mat.25.43- era forasteiro, e não me acolhestes; estava nu, e não me vestistes; enfermo, e na prisão, e não me visitastes.

Mat.25.44- Então também estes perguntarão: Senhor, quando te vimos com fome, ou com sede, ou forasteiro, ou nu, ou enfermo, ou na prisão, e não te servimos?

Mat.25.45- Ao que lhes responderá: Em verdade vos digo que, sempre que o deixaste de fazer a um destes mais pequeninos, deixastes de o fazer a mim.

Mat.25.46- E irão eles para o castigo eterno, mas os justos para a vida eterna.

Mat.26.1- E havendo Jesus concluído todas estas palavras, disse aos seus discípulos:

Mat.26.2- Sabeis que daqui a dois dias é a Páscoa; e o Filho do homem será entregue para ser crucificado.

Mat.26.3- Então os principais sacerdotes e os anciãos do povo se reuniram no pátio da casa do sumo-sacerdote, o qual se chamava Caifás;

Mat.26.4- e deliberaram como prender Jesus a traição, e o matar.

Mat.26.5- Mas diziam: Não durante a festa, para que não haja tumulto entre o povo.

Mat.26.6- Estando Jesus em Betânia, em casa de Simão, o leproso,

Mat.26.7- aproximou-se dele uma mulher que trazia um vaso de alabastro cheio de bálsamo precioso, e lho derramou sobre a cabeça, estando ele inclinado à mesa.

Mat.26.8- Quando os discípulos viram isso, indignaram-se, e disseram: Para que este desperdício?

Mat.26.9- Pois este bálsamo podia ser vendido por muito dinheiro, que se daria aos pobres.

Mat.26.10- Jesus, porém, percebendo isso, disse-lhes: Por que molestais esta mulher? Pois praticou uma boa acção para comigo.

Mat.26.11- Porquanto os pobres sempre os tendes convosco; a mim, porém, nem sempre me tendes.

Mat.26.12- Ora, derramando ela este bálsamo sobre o meu corpo, fê-lo a fim de preparar-me para a minha sepultura.

Mat.26.13- Em verdade vos digo que onde quer que for pregado em todo o mundo este evangelho, também o que ela fez será contado para memória sua.

Mat.26.14- Então um dos doze, chamado Judas Iscariotes, foi ter com os principais sacerdotes,

Mat.26.15- e disse: Que me quereis dar, e eu vo-lo entregarei? E eles lhe pesaram trinta moedas de prata.

Mat.26.16- E desde então buscava ele oportunidade para o entregar.

Mat.26.17- Ora, no primeiro dia dos pães ázimos, vieram os discípulos a Jesus, e perguntaram: Onde queres que façamos os preparativos para comeres a Páscoa?

Mat.26.18- Respondeu ele: Ide à cidade a um certo homem, e dizei-lhe: O Mestre diz: O meu tempo está próximo; em tua casa celebrarei a Páscoa com os meus discípulos.

Mat.26.19- E os discípulos fizeram como Jesus lhes ordenara, e prepararam a Páscoa.

Mat.26.20- Ao anoitecer reclinou-se à mesa com os doze discípulos;

Mat.26.21- e, enquanto comiam, disse: Em verdade vos digo que um de vós me trairá.

Mat.26.22- E eles, profundamente contristados, começaram cada um a perguntar-lhe: Porventura sou eu, Senhor?

Mat.26.23- Respondeu ele: O que mete comigo a mão no prato, esse me trairá.

Mat.26.24- Em verdade o Filho do homem vai, conforme está escrito a seu respeito; mas ai daquele por quem o Filho do homem é traído! Bom seria para esse homem se não houvera nascido.

Mat.26.25- Também Judas, que o traía, perguntou: Porventura sou eu, Rabi? Respondeu-lhe Jesus: Tu o disseste.

Mat.26.26- Enquanto comiam, Jesus tomou o pão e, abençoando-o, o partiu e o deu aos discípulos, dizendo: Tomai, comei; isto é o meu corpo.

Mat.26.27- E tomando um cálice, rendeu graças e deu-lho, dizendo: Bebei dele todos;

Mat.26.28- pois isto é o meu sangue, o sangue do pacto, o qual é derramado por muitos para remissão dos pecados.

Mat.26.29- Mas digo-vos que desde agora não mais beberei deste fruto da videira até aquele dia em que convosco o beba novo, no reino de meu Pai.

Mat.26.30- E tendo cantado um hino, saíram para o Monte das Oliveiras.

Mat.26.31- Então Jesus lhes disse: Todos vós esta noite vos escandalizareis de mim; pois está escrito: Ferirei o pastor, e as ovelhas do rebanho se dispersarão.

Mat.26.32- Todavia, depois que eu ressurgir, irei adiante de vós para a Galileia.

Mat.26.33- Mas Pedro, respondendo, disse-lhe: Ainda que todos se escandalizem de ti, eu nunca me escandalizarei.

Mat.26.34- Disse-lhe Jesus: Em verdade te digo que esta noite, antes que o galo cante três vezes me negarás.

Mat.26.35- Respondeu-lhe Pedro: Ainda que me seja necessário morrer contigo, de modo algum te negarei. E o mesmo disseram todos os discípulos.

Mat.26.36- Então foi Jesus com eles a um lugar chamado Getsémane, e disse aos discípulos: Sentai-vos aqui, enquanto eu vou ali orar.

Mat.26.37- E levando consigo Pedro e os dois filhos de Zebedeu, começou a entristecer-se e a angustiar-se.

Mat.26.38- Então lhes disse: A minha alma está triste até a morte; ficai aqui e vigiai comigo.

Mat.26.39- E adiantando-se um pouco, prostrou-se com o rosto em terra e orou, dizendo: Meu Pai, se é possível, passa de mim este cálice; todavia, não seja como eu quero, mas como tu queres.

Mat.26.40- Voltando para os discípulos, achou-os dormindo; e disse a Pedro: Assim nem uma hora pudestes vigiar comigo?

Mat.26.41- Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca.

Mat.26.42- Retirando-se mais uma vez, orou, dizendo: Pai meu, se este cálice não pode passar sem que eu o beba, faça-se a tua vontade.

Mat.26.43- E, voltando outra vez, achou-os dormindo, porque seus olhos estavam carregados.

Mat.26.44- Deixando-os novamente, foi orar terceira vez, repetindo as mesmas palavras.

Mat.26.45- Então voltou para os discípulos e disse-lhes: Dormi agora e descansai. Eis que é chegada a hora, e o Filho do homem está sendo entregue nas mãos dos pecadores.

Mat.26.46- Levantai-vos, vamo-nos; eis que é chegado aquele que me trai.

Mat.26.47- E estando ele ainda a falar, eis que veio Judas, um dos doze, e com ele grande multidão com espadas e varapaus, vinda da parte dos principais sacerdotes e dos anciãos do povo.

Mat.26.48- Ora, o que o traía lhes havia dado um sinal, dizendo: Aquele que eu beijar, esse é: prendei-o.

Mat.26.49- E logo, aproximando-se de Jesus disse: Salve, Rabi. E o beijou.

Mat.26.50- Jesus, porém, lhe disse: Amigo, a que vieste? Nisto, aproximando-se eles, lançaram mão de Jesus, e o prenderam.

Mat.26.51- E eis que um dos que estavam com Jesus, estendendo a mão, puxou da espada e, ferindo o servo do sumo-sacerdote, cortou-lhe uma orelha.

Mat.26.52- Então Jesus lhe disse: Mete a tua espada no seu lugar; porque todos os que lançarem mão da espada, à espada morrerão.

Mat.26.53- Ou pensas tu que eu não poderia rogar a meu Pai, e que ele não me mandaria agora mesmo mais de doze legiões de anjos?

Mat.26.54- Como, pois, se cumpririam as Escrituras, que dizem que assim convém que aconteça?

Mat.26.55- Disse Jesus à multidão naquela hora: Saístes com espadas e varapaus para me prender, como a um salteador? Todos os dias estava eu sentado no templo ensinando, e não me prendestes.

Mat.26.56- Mas tudo isso aconteceu para que se cumprissem as Escrituras dos profetas. Então todos os discípulos, deixando-o fugiram.

Mat.26.57- Aqueles que prenderam a Jesus levaram-no à presença do sumo-sacerdote Caifás, onde os escribas e os anciãos estavam reunidos.

Mat.26.58- E Pedro o seguia de longe até o pátio do sumo-sacerdote; e entrando, sentou-se entre os guardas, para ver o fim.

Mat.26.59- Ora, os principais sacerdotes e todo o sinédrio buscavam falso testemunho contra Jesus, para poderem entregá-lo à morte;

Mat.26.60- e não achavam, apesar de se apresentarem muitas testemunhas falsas. Mas por fim compareceram duas,

Mat.26.61- e disseram: Este disse: Posso destruir o santuário de Deus, e reedificá-lo em três dias.

Mat.26.62- Levantou-se então o sumo-sacerdote e perguntou-lhe: Nada respondes? Que é que estes depõem contra ti?

Mat.26.63- Jesus, porém, guardava silêncio. E o sumo-sacerdote disse-lhe: Conjuro-te pelo Deus vivo que nos digas se tu és o Cristo, o Filho do Deus.

Mat.26.64- Respondeu-lhe Jesus: É como disseste; contudo vos digo que vereis em breve o Filho do homem assentado à direita do Poder, e vindo sobre as nuvens do céu.

Mat.26.65- Então o sumo-sacerdote rasgou as suas vestes, dizendo: Blasfemou; para que precisamos ainda de testemunhas? Eis que agora acabais de ouvir a sua blasfémia.

Mat.26.66- Que vos parece? Responderam eles: É réu de morte.

Mat.26.67- Então uns lhe cuspiram no rosto e lhe deram socos;

Mat.26.68- e outros o esbofetearam, dizendo: Profetiza-nos, ó Cristo, quem foi que te bateu?

Mat.26.69- Ora, Pedro estava sentado fora, no pátio; e aproximou-se dele uma criada, que disse: Tu também estavas com Jesus, o galileu

Mat.26.70- Mas ele negou diante de todos, dizendo: Não sei o que dizes.

Mat.26.71- E saindo ele para o vestíbulo, outra criada o viu, e disse aos que ali estavam: Este também estava com Jesus, o nazareno.

Mat.26.72- E ele negou outra vez, e com juramento: Não conheço tal homem.

Mat.26.73- E daí a pouco, aproximando-se os que ali estavam, disseram a Pedro: Certamente tu também és um deles pois a tua fala te denuncia.

Mat.26.74- Então começou ele a praguejar e a jurar, dizendo: Não conheço esse homem. E imediatamente o galo cantou.

Mat.26.75- E Pedro lembrou-se do que dissera Jesus: Antes que o galo cante, três vezes me negarás. E, saindo dali, chorou amargamente.

Mat.27.1- Ora, chegada a manhã, todos os principais sacerdotes e os anciãos do povo entraram em conselho contra Jesus, para o matarem;

Mat.27.2- e, maniatando-o, levaram-no e o entregaram a Pilatos, o governador.

Mat.27.3- Então Judas, aquele que o traíra, vendo que Jesus fora condenado, devolveu, compungido, as trinta moedas de prata aos anciãos, dizendo:

Mat.27.4- Pequei, traindo o sangue inocente. Responderam eles: Que nos importa? Seja isto lá contigo.

Mat.27.5- E tendo ele atirado para dentro do santuário as moedas de prata, retirou-se, e foi enforcar-se.

Mat.27.6- Os principais sacerdotes, pois, tomaram as moedas de prata, e disseram: Não é lícito metê-las no cofre das ofertas, porque é preço de sangue.

Mat.27.7- E, tendo deliberado em conselho, compraram com elas o campo do oleiro, para servir de cemitério para os estrangeiros.

Mat.27.8- Por isso tem sido chamado aquele campo, até o dia de hoje, Campo de Sangue.

Mat.27.9- Cumpriu-se, então, o que foi dito pelo profeta Jeremias: Tomaram as trinta moedas de prata, preço do que foi avaliado, a quem certos filhos de Israel avaliaram,

Mat.27.10- e deram-nas pelo campo do oleiro, assim como me ordenou o Senhor.

Mat.27.11- Jesus, pois, ficou em pé diante do governador; e este lhe perguntou: És tu o rei dos judeus? Respondeu-lhe Jesus: É como dizes.

Mat.27.12- Mas ao ser acusado pelos principais sacerdotes e pelos anciãos, nada respondeu.

Mat.27.13- Perguntou-lhe então Pilatos: Não ouves quantas coisas testificam contra ti?

Mat.27.14- E Jesus não lhe respondeu a uma pergunta sequer; de modo que o governador muito se admirava.

Mat.27.15- Ora, por ocasião da festa costumava o governador soltar um preso, escolhendo o povo aquele que quisesse.

Mat.27.16- Nesse tempo tinham um preso notório, chamado Barrabás.

Mat.27.17- Portanto, estando o povo reunido, perguntou-lhe Pilatos: Qual quereis que vos solte? Barrabás, ou Jesus, chamado o Cristo?

Mat.27.18- Pois sabia que por inveja o haviam entregado.

Mat.27.19- E estando ele assentado no tribunal, sua mulher mandou dizer-lhe: Não te envolvas na questão desse justo, porque muito sofri hoje em sonho por causa dele.

Mat.27.20- Mas os principais sacerdotes e os anciãos persuadiram as multidões a que pedissem Barrabás e fizessem morrer Jesus.

Mat.27.21- O governador, pois, perguntou-lhes: Qual dos dois quereis que eu vos solte? E disseram: Barrabás.

Mat.27.22- Tornou-lhes Pilatos: Que farei então de Jesus, que se chama Cristo? Disseram todos: Seja crucificado.

Mat.27.23- Pilatos, porém, disse: Pois que mal fez ele? Mas eles clamavam ainda mais: Seja crucificado.

Mat.27.24- Ao ver Pilatos que nada conseguia, mas pelo contrário que o tumulto aumentava, mandando trazer água, lavou as mãos diante da multidão, dizendo: Sou inocente do sangue deste homem; seja isso lá convosco.

Mat.27.25- E todo o povo respondeu: O seu sangue caia sobre nós e sobre nossos filhos.

Mat.27.26- Então lhes soltou Barrabás; mas a Jesus mandou açoitar, e o entregou para ser crucificado.

Mat.27.27- Nisso os soldados do governador levaram Jesus ao pretório, e reuniram em torno dele toda a coorte.

Mat.27.28- E, despindo-o, vestiram-lhe um manto escarlate;

Mat.27.29- e tecendo uma coroa de espinhos, puseram-lha na cabeça, e na mão direita uma cana, e ajoelhando-se diante dele, o escarneciam, dizendo: Salve, rei dos judeus!

Mat.27.30- E, cuspindo nele, tiraram-lhe a cana, e davam-lhe com ela na cabeça.

Mat.27.31- Depois de o terem escarnecido, despiram-lhe o manto, puseram-lhe as suas vestes, e levaram-no para ser crucificado.

Mat.27.32- Ao saírem, encontraram um homem cireneu, chamado Simão, a quem obrigaram a levar a cruz de Jesus.

Mat.27.33- Quando chegaram ao lugar chamado Gólgota, que quer dizer, lugar da Caveira,

Mat.27.34- deram-lhe a beber vinho misturado com fel; mas ele, provando-o, não quis beber.

Mat.27.35- Então, depois de o crucificarem, repartiram as vestes dele, lançando sortes, [para que se cumprisse o que foi dito pelo profeta: Repartiram entre si as minhas vestes, e sobre a minha túnica deitaram sortes.]

Mat.27.36- E, sentados, ali o guardavam.

Mat.27.37- Puseram-lhe por cima da cabeça a sua acusação escrita: ESTE É JESUS, O REI DOS JUDEUS.

Mat.27.38- Então foram crucificados com ele dois salteadores, um à direita, e outro à esquerda.

Mat.27.39- E os que iam passando blasfemavam dele, meneando a cabeça

Mat.27.40- e dizendo: Tu, que destróis o santuário e em três dias o reedificas, salva-te a ti mesmo; se és Filho de Deus, desce da cruz.

Mat.27.41- De igual modo também os principais sacerdotes, com os escribas e anciãos, escarnecendo, diziam:

Mat.27.42- A outros salvou; a si mesmo não pode salvar. Rei de Israel é ele; desça agora da cruz, e creremos nele;

Mat.27.43- confiou em Deus, livre-o ele agora, se lhe quer bem; porque disse: Sou Filho de Deus.

Mat.27.44- O mesmo lhe lançaram em rosto também os salteadores que com ele foram crucificados.

Mat.27.45- E, desde a hora sexta, houve trevas sobre toda a terra, até a hora nona.

Mat.27.46- Cerca da hora nona, bradou Jesus em alta voz, dizendo: Eli, Eli, lamá sabactani; isto é, Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?

Mat.27.47- Alguns dos que ali estavam, ouvindo isso, diziam: Ele chama por Elias.

Mat.27.48- E logo correu um deles, tomou uma esponja, ensopou-a em vinagre e, pondo-a numa cana, dava-lhe de beber.

Mat.27.49- Os outros, porém, disseram: Deixa, vejamos se Elias vem salvá-lo.

Mat.27.50- De novo bradou Jesus com grande voz, e entregou o espírito.

Mat.27.51- E eis que o véu do santuário se rasgou em dois, de alto a baixo; a terra tremeu, as pedras se fenderam,

Mat.27.52- os sepulcros se abriram, e muitos corpos de santos que tinham dormido foram ressuscitados;

Mat.27.53- e, saindo dos sepulcros, depois da ressurreição dele, entraram na cidade santa, e apareceram a muitos.

Mat.27.54- ora, o centurião e os que com ele guardavam Jesus, vendo o terramoto e as coisas que aconteciam, tiveram grande temor, e disseram: Verdadeiramente este era filho de Deus.

Mat.27.55- Também estavam ali, olhando de longe, muitas mulheres que tinham seguido Jesus desde a Galileia para o ouvir;

Mat.27.56- entre as quais se achavam Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago e de José, e a mãe dos filhos de Zebedeu.

Mat.27.57- Ao cair da tarde, veio um homem rico de Arimateia, chamado José, que também era discípulo de Jesus.

Mat.27.58- Esse foi a Pilatos e pediu o corpo de Jesus. Então Pilatos mandou que lhe fosse entregue.

Mat.27.59- José, tomando o corpo, envolveu-o num pano limpo, de linho,

Mat.27.60- e depositou-o no seu sepulcro novo, que havia aberto em rocha; e, rodando uma grande pedra para a porta do sepulcro, retirou-se.

Mat.27.61- Mas achavam-se ali Maria Madalena e a outra Maria, sentadas defronte do sepulcro.

Mat.27.62- No dia seguinte, isto é, o dia depois da preparação, reuniram-se os principais sacerdotes e os fariseus perante Pilatos,

Mat.27.63- e disseram: Senhor, lembramo-nos de que aquele embusteiro, quando ainda vivo, afirmou: Depois de três dias ressurgirei.

Mat.27.64- Manda, pois, que o sepulcro seja guardado com segurança até o terceiro dia; para não suceder que, vindo os discípulos, o furtem e digam ao povo: Ressurgiu dos mortos; e assim o último embuste será pior do que o primeiro.

Mat.27.65- Disse-lhes Pilatos: Tendes uma guarda; ide, tornai-o seguro, como entendeis.

Mat.27.66- Foram, pois, e tornaram seguro o sepulcro, selando a pedra, e deixando ali a guarda.

Mat.28.1- No fim do sábado, quando já despontava o primeiro dia da semana, Maria Madalena e a outra Maria foram ver o sepulcro.

Mat.28.2- E eis que houvera um grande terramoto; pois um anjo do Senhor descera do céu e, chegando-se, removera a pedra e estava sentado sobre ela.

Mat.28.3- o seu aspecto era como um relâmpago, e as suas vestes brancas como a neve.

Mat.28.4- E de medo dele tremeram os guardas, e ficaram como mortos.

Mat.28.5- Mas o anjo disse às mulheres: Não temais vós; pois eu sei que buscais a Jesus, que foi crucificado.

Mat.28.6- Não está aqui, porque ressurgiu, como ele disse. Vinde, vede o lugar onde jazia;

Mat.28.7- e ide depressa, e dizei aos seus discípulos que ressurgiu dos mortos; e eis que vai adiante de vós para a Galileia; ali o vereis. Eis que vo-lo tenho dito.

Mat.28.8- E, partindo elas pressurosamente do sepulcro, com temor e grande alegria, correram a anunciá-lo aos discípulos.

Mat.28.9- E eis que Jesus lhes veio ao encontro, dizendo: Salve. E elas, aproximando-se, abraçaram-lhe os pés, e o adoraram.

Mat.28.10- Então lhes disse Jesus: Não temais; ide dizer a meus irmãos que vão para a Galileia; ali me verão.

Mat.28.11- Ora, enquanto elas iam, eis que alguns da guarda foram à cidade, e contaram aos principais sacerdotes tudo quanto havia acontecido.

Mat.28.12- E congregados eles com os anciãos e tendo consultado entre si, deram muito dinheiro aos soldados,

Mat.28.13- e ordenaram-lhes que dissessem: Vieram de noite os seus discípulos e, estando nós dormindo, furtaram-no.

Mat.28.14- E, se isto chegar aos ouvidos do governador, nós o persuadiremos, e vos livraremos de cuidado.

Mat.28.15- Então eles, tendo recebido o dinheiro, fizeram como foram instruídos. E essa história tem-se divulgado entre os judeus até o dia de hoje.

Mat.28.16- Partiram, pois, os onze discípulos para a Galileia, para o monte onde Jesus lhes designara.

Mat.28.17- Quando o viram, o adoraram; mas alguns duvidaram.

Mat.28.18- E, aproximando-se Jesus, falou-lhes, dizendo: Foi-me dada toda a autoridade no céu e na terra.

Mat.28.19- Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo;

Mat.28.20- ensinando-os a observar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos.

Marcos

Mrc.1.1- Princípio do evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus.

Mrc.1.2- Conforme está escrito no profeta Isaías: Eis que envio ante a tua face o meu mensageiro, que há-de preparar o teu caminho;

Mrc.1.3- voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas;

Mrc.1.4- assim apareceu João, o Batista, no deserto, pregando o batismo de arrependimento para remissão dos pecados.

Mrc.1.5- E saíam a ter com ele toda a terra da Judeia, e todos os moradores de Jerusalém; e eram por ele batizados no rio Jordão, confessando os seus pecados.

Mrc.1.6- Ora, João usava uma veste de pêlos de camelo, e um cinto de couro em torno de seus lombos, e comia gafanhotos e mel silvestre.

Mrc.1.7- E pregava, dizendo: Após mim vem aquele que é mais poderoso do que eu, de quem não sou digno de, inclinando-me, desatar a correia das alparcas.

Mrc.1.8- Eu vos batizei em água; ele, porém, vos batizará no Espírito Santo.

Mrc.1.9- E aconteceu naqueles dias que veio Jesus de Nazaré da Galileia, e foi batizado por João no Jordão.

Mrc.1.10- E logo, quando saía da água, viu os céus se abrirem, e o Espírito, qual pomba, a descer sobre ele;

Mrc.1.11- e ouviu-se dos céus esta voz: Tu és meu Filho amado; em ti me comprazo.

Mrc.1.12- Imediatamente o Espírito o impeliu para o deserto.

Mrc.1.13- E esteve no deserto quarenta dias sentado tentado por Satanás; estava entre as feras, e os anjos o serviam.

Mrc.1.14- Ora, depois que João foi entregue, veio Jesus para a Galileia pregando o evangelho de Deus

Mrc.1.15- e dizendo: O tempo está cumprido, e é chegado o reino de Deus. Arrependei-vos, e crede no evangelho.

Mrc.1.16- E, andando junto do mar da Galileia, viu a Simão, e a André, irmão de Simão, os quais lançavam a rede ao mar, pois eram pescadores.

Mrc.1.17- Disse-lhes Jesus: Vinde após mim, e eu farei que vos torneis pescadores de homens.

Mrc.1.18- Então eles, deixando imediatamente as suas redes, o seguiram.

Mrc.1.19- E ele, passando um pouco adiante, viu Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão, que estavam no barco, consertando as redes,

Mrc.1.20- e logo os chamou; eles, deixando seu pai Zebedeu no barco com os empregados, o seguiram.

Mrc.1.21- Entraram em Cafarnaum; e, logo no sábado, indo ele à sinagoga, pôs-se a ensinar.

Mrc.1.22- E maravilhavam-se da sua doutrina, porque os ensinava como tendo autoridade, e não como os escribas.

Mrc.1.23- Ora, estava na sinagoga um homem possesso dum espírito imundo, o qual gritou:

Mrc.1.24- Que temos nós contigo, Jesus, nazareno? Vieste destruir-nos? Bem sei quem és: o Santo de Deus.

Mrc.1.25- Mas Jesus o repreendeu, dizendo: Cala-te, e sai dele.

Mrc.1.26- Então o espírito imundo, convulsionando-o e clamando com grande voz, saiu dele.

Mrc.1.27- E todos se maravilharam a ponto de perguntarem entre si, dizendo: Que é isto? Uma nova doutrina com autoridade! Pois ele ordena aos espíritos imundos, e eles lhe obedecem!

Mrc.1.28- E logo correu a sua fama por toda a região da Galileia.

Mrc.1.29- Em seguida, saiu da sinagoga e foi a casa de Simão e André com Tiago e João.

Mrc.1.30- A sogra de Simão estava de cama com febre, e logo lhe falaram a respeito dela.

Mrc.1.31- Então Jesus, chegando-se e tomando-a pela mão, a levantou; e a febre a deixou, e ela os servia.

Mrc.1.32- Sendo já tarde, tendo-se posto o sol, traziam-lhe todos os enfermos, e os endemoninhados;

Mrc.1.33- e toda a cidade estava reunida à porta;

Mrc.1.34- e ele curou muitos doentes atacados de diversas moléstias, e expulsou muitos demónios; mas não permitia que os demónios falassem, porque o conheciam.

Mrc.1.35- De madrugada, ainda bem escuro, levantou-se, saiu e foi a um lugar deserto, e ali orava.

Mrc.1.36- Foram, pois, Simão e seus companheiros procurá-lo;

Mrc.1.37- quando o encontraram, disseram-lhe: Todos te buscam.

Mrc.1.38- Respondeu-lhes Jesus: Vamos a outras partes, às povoações vizinhas, para que eu pregue ali também; pois para isso é que vim.

Mrc.1.39- Foi, então, por toda a Galileia, pregando nas sinagogas deles e expulsando os demónios.

Mrc.1.40- E veio a ele um leproso que, de joelhos, lhe rogava, dizendo: Se quiseres, bem podes tornar-me limpo.

Mrc.1.41- Jesus, pois, compadecido dele, estendendo a mão, tocou-o e disse-lhe: Quero; sê limpo.

Mrc.1.42- Imediatamente desapareceu dele a lepra e ficou limpo.

Mrc.1.43- E Jesus, advertindo-o secretamente, logo o despediu,

Mrc.1.44- dizendo-lhe: Olha, não digas nada a ninguém; mas vai, mostra-te ao sacerdote e oferece pela tua purificação o que Moisés determinou, para lhes servir de testemunho.

Mrc.1.45- Ele, porém, saindo dali, começou a publicar o caso por toda parte e a divulgá-lo, de modo que Jesus já não podia entrar abertamente numa cidade, mas conservava-se fora em lugares desertos; e de todos os lados iam ter com ele.

Mrc.2.1- Alguns dias depois entrou Jesus outra vez em Cafarnaum, e soube-se que ele estava em casa.

Mrc.2.2- Ajuntaram-se, pois, muitos, a ponta de não caberem nem mesmo diante da porta; e ele lhes anunciava a palavra.

Mrc.2.3- Nisso vieram alguns a trazer-lhe um paralítico, carregado por quatro;

Mrc.2.4- e não podendo aproximar-se dele, por causa da multidão, descobriram o telhado onde estava e, fazendo uma abertura, baixaram o leito em que jazia o paralítico.

Mrc.2.5- E Jesus, vendo-lhes a fé, disse ao paralítico: Filho, perdoados são os teus pecados.

Mrc.2.6- Ora, estavam ali sentados alguns dos escribas, que arrazoavam em seus corações, dizendo:

Mrc.2.7- Por que fala assim este homem? Ele blasfema. Quem pode perdoar pecados senão um só, que é Deus?

Mrc.2.8- Mas Jesus logo percebeu em seu espírito que eles assim arrazoavam dentro de si, e perguntou-lhes: Por que arrazoais desse modo em vossos corações?

Mrc.2.9- Qual é mais fácil? Dizer ao paralítico: Perdoados são os teus pecados; ou dizer: Levanta-te, toma o teu leito, e anda?

Mrc.2.10- Ora, para que saibais que o Filho do homem tem sobre a terra autoridade para perdoar pecados (disse ao paralítico),

Mrc.2.11- a ti te digo, levanta-te, toma o teu leito, e vai para tua casa.

Mrc.2.12- Então ele se levantou e, tomando logo o leito, saiu à vista de todos; de modo que todos pasmavam e glorificavam a Deus, dizendo: Nunca vimos coisa semelhante.

Mrc.2.13- Outra vez saiu Jesus para a beira do mar; e toda a multidão ia ter com ele, e ele os ensinava.

Mrc.2.14- Quando ia passando, viu a Levi, filho de Alfeu, sentado na alfândega, e disse-lhe: Segue-me. E ele, levantando-se, o seguiu.

Mrc.2.15- Ora, estando Jesus à mesa em casa de Levi, estavam também ali reclinados com ele e seus discípulos muitos publicanos e pecadores; pois eram em grande número e o seguiam.

Mrc.2.16- Vendo os escribas dos fariseus que comia com os publicanos e pecadores, perguntavam aos discípulos: Por que é que ele como com os publicanos e pecadores?

Mrc.2.17- Jesus, porém, ouvindo isso, disse-lhes: Não necessitam de médico os sãos, mas sim os enfermos; eu não vim chamar justos, mas pecadores.

Mrc.2.18- Ora, os discípulos de João e os fariseus estavam jejuando; e foram perguntar-lhe: Por que jejuam os discípulos de João e os dos fariseus, mas os teus discípulos não jejuam?

Mrc.2.19- Respondeu-lhes Jesus: Podem, porventura, jejuar os convidados às núpcias, enquanto está com eles o noivo? Enquanto têm consigo o noivo não podem jejuar;

Mrc.2.20- dias virão, porém, em que lhes será tirado o noivo; nesses dias, sim hão-de jejuar.

Mrc.2.21- Ninguém cose remendo de pano novo em vestido velho; do contrário o remendo novo tira parte do velho, e torna-se maior a rotura.

Mrc.2.22- E ninguém deita vinho novo em odres velhos; do contrário, o vinho novo romperá os odres, e perder-se-á o vinho e também os odres; mas deita-se vinho novo em odres novos.

Mrc.2.23- E sucedeu passar ele num dia de sábado pelas searas; e os seus discípulos, caminhando, começaram a colher espigas.

Mrc.2.24- E os fariseus lhe perguntaram: Olha, por que estão fazendo no sábado o que não é lícito?

Mrc.2.25- Respondeu-lhes ele: Acaso nunca lestes o que fez David quando se viu em necessidade e teve fome, ele e seus companheiros?

Mrc.2.26- Como entrou na casa de Deus, no tempo do sumo-sacerdote Abiatar, e comeu dos pães da proposição, dos quais não era lícito comer senão aos sacerdotes, e deu também aos companheiros?

Mrc.2.27- E prosseguiu: O sábado foi feito por causa do homem, e não o homem por causa do sábado.

Mrc.2.28- Pelo que o Filho do homem até do sábado é Senhor.

Mrc.3.1- Outra vez entrou numa sinagoga, e estava ali um homem que tinha uma das mãos atrofiada.

Mrc.3.2- E observavam-no para ver se no sábado curaria o homem, a fim de o acusarem.

Mrc.3.3- E disse Jesus ao homem que tinha a mão atrofiada: Levanta-te e vem para o meio.

Mrc.3.4- Então lhes perguntou: É lícito no sábado fazer bem, ou fazer mal? Salvar a vida ou matar? Eles, porém, se calaram.

Mrc.3.5- E olhando em redor para eles com indignação, condoendo-se da dureza dos seus corações, disse ao homem: Estende a tua mão. Ele estendeu, e lhe foi restabelecida.

Mrc.3.6- E os fariseus, saindo dali, entraram logo em conselho com os herodianos contra ele, para o matarem.

Mrc.3.7- Jesus, porém, se retirou com os seus discípulos para a beira do mar; e uma grande multidão dos da Galileia o seguiu; também da Judeia,

Mrc.3.8- e de Jerusalém, da Idumeia e de além do Jordão, e das regiões de Tiro e de Sídon, grandes multidões, ouvindo falar de tudo quanto fazia, vieram ter com ele.

Mrc.3.9- Recomendou, pois, a seus discípulos que se lhe preparasse um barquinho, por causa da multidão, para que não o apertasse;

Mrc.3.10- porque tinha curado a muitos, de modo que todos quantos tinham algum mal arrojavam-se a ele para lhe tocarem.

Mrc.3.11- E os espíritos imundos, quando o viam, prostravam-se diante dele e clamavam, dizendo: Tu és o Filho de Deus.

Mrc.3.12- E ele lhes advertia com insistência que não o dessem a conhecer.

Mrc.3.13- Depois subiu ao monte, e chamou a si os que ele mesmo queria; e vieram a ele.

Mrc.3.14- Então designou doze para que estivessem com ele, e os mandasse a pregar;

Mrc.3.15- e para que tivessem autoridade de expulsar os demónios.

Mrc.3.16- Designou, pois, os doze, a saber: Simão, a quem pôs o nome de Pedro;

Mrc.3.17- Tiago, filho de Zebedeu, e João, irmão de Tiago, aos quais pôs o nome de Boanerges, que significa: Filhos do trovão;

Mrc.3.18- André, Filipe, Bartolomeu, Mateus, Tomé, Tiago, filho de Alfeu, Tadeu, Simão, o cananeu,

Mrc.3.19- e Judas Iscariotes, aquele que o traiu.

Mrc.3.20- Depois entrou numa casa. E afluiu outra vez a multidão, de tal modo que nem podiam comer.

Mrc.3.21- Quando os seus ouviram isso, saíram para o prender; porque diziam: Ele está fora de si.

Mrc.3.22- E os escribas que tinham descido de Jerusalém diziam: Ele está possesso de Belzebu; e: É pelo príncipe dos demónios que expulsa os demónios.

Mrc.3.23- Então Jesus os chamou e lhes disse por parábolas: Como pode Satanás expulsar Satanás?

Mrc.3.24- Pois, se um reino se dividir contra si mesmo, tal reino não pode subsistir;

Mrc.3.25- ou, se uma casa se dividir contra si mesma, tal casa não poderá subsistir;

Mrc.3.26- e se Satanás se tem levantado contra si mesmo, e está dividido, tampouco pode ele subsistir; antes tem fim.

Mrc.3.27- Pois ninguém pode entrar na casa do valente e roubar-lhe os bens, se primeiro não amarrar o valente; e então lhe saqueará a casa.

Mrc.3.28- Em verdade vos digo: Todos os pecados serão perdoados aos filhos dos homens, bem como todas as blasfémias que proferirem;

Mrc.3.29- mas aquele que blasfemar contra o Espírito Santo, nunca mais terá perdão, mas será réu de pecado eterno.

Mrc.3.30- Porquanto eles diziam: Está possesso de um espírito imundo.

Mrc.3.31- Chegaram então sua mãe e seus irmãos e, ficando da parte de fora, mandaram chamá-lo.

Mrc.3.32- E a multidão estava sentada ao redor dele, e disseram-lhe: Eis que tua mãe e teus irmãos estão lá fora e te procuram.

Mrc.3.33- Respondeu-lhes Jesus, dizendo: Quem é minha mãe e meus irmãos!

Mrc.3.34- E olhando em redor para os que estavam sentados à roda de si, disse: Eis aqui minha mãe e meus irmãos!

Mrc.3.35- Pois aquele que fizer a vontade de Deus, esse é meu irmão, irmã e mãe.

Mrc.4.1- Outra vez começou a ensinar à beira do mar. E reuniu-se a ele tão grande multidão que ele entrou num barco e sentou-se nele, sobre o mar; e todo o povo estava em terra junto do mar.

Mrc.4.2- Então lhes ensinava muitas coisas por parábolas, e lhes dizia no seu ensino:

Mrc.4.3- Ouvi: Eis que o semeador saiu a semear;

Mrc.4.4- e aconteceu que, quando semeava, uma parte da semente caiu à beira do caminho, e vieram as aves e a comeram.

Mrc.4.5- Outra caiu no solo pedregoso, onde não havia muita terra: e logo nasceu, porque não tinha terra profunda;

Mrc.4.6- mas, saindo o sol, queimou-se; e, porque não tinha raiz, secou-se.

Mrc.4.7- E outra caiu entre espinhos; e cresceram os espinhos, e a sufocaram; e não deu fruto.

Mrc.4.8- Mas outras caíram em boa terra e, vingando e crescendo, davam fruto; e um grão produzia trinta, outro sessenta, e outro cem.

Mrc.4.9- E disse-lhes: Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.

Mrc.4.10- Quando se achou só, os que estavam ao redor dele, com os doze, interrogaram-no acerca da parábola.

Mrc.4.11- E ele lhes disse: A vós é confiado o mistério do reino de Deus, mas aos de fora tudo se lhes diz por parábolas;

Mrc.4.12- para que vendo, vejam, e não percebam; e ouvindo, ouçam, e não entendam; para que não se convertam e sejam perdoados.

Mrc.4.13- Disse-lhes ainda: Não percebeis esta parábola? Como pois entendereis todas as parábolas?

Mrc.4.14- O semeador semeia a palavra.

Mrc.4.15- E os que estão junto do caminho são aqueles em quem a palavra é semeada; mas, tendo-a eles ouvido, vem logo Satanás e tira a palavra que neles foi semeada.

Mrc.4.16- Do mesmo modo, aqueles que foram semeados nos lugares pedregosos são os que, ouvindo a palavra, imediatamente com alegria a recebem;

Mrc.4.17- mas não têm raiz em si mesmos, antes são de pouca duração; depois, sobrevindo tribulação ou perseguição por causa da palavra, logo se escandalizam.

Mrc.4.18- Outros ainda são aqueles que foram semeados entre os espinhos; estes são os que ouvem a palavra;

Mrc.4.19- mas os cuidados do mundo, a sedução das riquezas e a cobiça doutras coisas, entrando, sufocam a palavra, e ela fica infrutífera.

Mrc.4.20- Aqueles outros que foram semeados em boa terra são os que ouvem a palavra e a recebem, e dão fruto, a trinta, a sessenta, e a cem, por um.

Mrc.4.21- Disse-lhes mais: Vem porventura a candeia para se meter debaixo do alqueire, ou debaixo da cama? Não é antes para se colocar no velador?

Mrc.4.22- Porque nada está encoberto senão para ser manifesto; e nada foi escondido senão para vir à luz.

Mrc.4.23- Se alguém tem ouvidos para ouvir, ouça.

Mrc.4.24- Também lhes disse: Atendei ao que ouvis. Com a medida com que medis vos medirão a vós, e ainda se vos acrescentará.

Mrc.4.25 -Pois ao que tem, ser-lhe-á dado; e ao que não tem, até aquilo que tem ser-lhe-á tirado.

Mrc.4.26- Disse também: O reino de Deus é assim como se um homem lançasse semente à terra,

Mrc.4.27- e dormisse e se levantasse de noite e de dia, e a semente brotasse e crescesse, sem ele saber como.

Mrc.4.28- A terra por si mesma produz fruto, primeiro a erva, depois a espiga, e por último o grão cheio na espiga.

Mrc.4.29- Mas assim que o fruto amadurecer, logo lhe mete a foice, porque é chegada a ceifa.

Mrc.4.30- Disse ainda: A que assemelharemos o reino de Deus? ou com que parábola o representaremos?

Mrc.4.31- É como um grão de mostarda que, quando se semeia, é a menor de todas as sementes que há na terra;

Mrc.4.32- mas, tendo sido semeado, cresce e faz-se a maior de todas as hortaliças e cria grandes ramos, de tal modo que as aves do céu podem aninhar-se à sua sombra.

Mrc.4.33- E com muitas parábolas tais lhes dirigia a palavra, conforme podiam compreender.

Mrc.4.34- E sem parábola não lhes falava; mas em particular explicava tudo a seus discípulos.

Mrc.4.35- Naquele dia, quando já era tarde, disse-lhes: Passemos para o outro lado.

Mrc.4.36- E eles, deixando a multidão, o levaram consigo, assim como estava, no barco; e havia com ele também outros barcos.

Mrc.4.37- E se levantou grande tempestade de vento, e as ondas batiam dentro do barco, de modo que já se enchia.

Mrc.4.38- Ele, porém, estava na popa dormindo sobre a almofada; e despertaram-no, e lhe perguntaram: Mestre, não se te dá que pereçamos?

Mrc.4.39- E ele, levantando-se, repreendeu o vento, e disse ao mar: Cala-te, aquieta-te. E cessou o vento, e fez-se grande bonança.

Mrc.4.40- Então lhes perguntou: Por que sois assim tímidos? Ainda não tendes fé?

Mrc.4.41- Encheram-se de grande temor, e diziam uns aos outros: Quem, porventura, é este, que até o vento e o mar lhe obedecem?

Mrc.5.1- Chegaram então ao outro lado do mar, à terra dos gerasenos.

Mrc.5.2- E, logo que Jesus saíra do barco, lhe veio ao encontro, dos sepulcros, um homem com espírito imundo,

Mrc.5.3- o qual tinha a sua morada nos sepulcros; e nem ainda com cadeias podia alguém prendê-lo;

Mrc.5.4- porque, tendo sido muitas vezes preso com grilhões e cadeias, as cadeias foram por ele feitas em pedaços, e os grilhões em migalhas; e ninguém o podia domar;

Mrc.5.5- e sempre, de dia e de noite, andava pelos sepulcros e pelos montes, gritando, e ferindo-se com pedras,

Mrc.5.6- Vendo, pois, de longe a Jesus, correu e adorou-o;

Mrc.5.7- e, clamando com grande voz, disse: Que tenho eu contigo, Jesus, Filho do Deus Altíssimo? Conjuro-te por Deus que não me atormentes.

Mrc.5.8- Pois Jesus lhe dizia: Sai desse homem, espírito imundo.

Mrc.5.9- E perguntou-lhe: Qual é o teu nome? Respondeu-lhe ele: Legião é o meu nome, porque somos muitos.

Mrc.5.10- E rogava-lhe muito que não os enviasse para fora da região.

Mrc.5.11- Ora, andava ali pastando no monte uma grande manada de porcos.

Mrc.5.12- Rogaram-lhe, pois, os demónios, dizendo: Manda-nos para aqueles porcos, para que entremos neles.

Mrc.5.13- E ele lho permitiu. Saindo, então, os espíritos imundos, entraram nos porcos; e precipitou-se a manada, que era de uns dois mil, pelo despenhadeiro no mar, onde todos se afogaram.

Mrc.5.14- Nisso fugiram aqueles que os apascentavam, e o anunciaram na cidade e nos campos; e muitos foram ver o que era aquilo que tinha acontecido.

Mrc.5.15- Chegando-se a Jesus, viram o endemoninhado, o que tivera a legião, sentado, vestido, e em perfeito juízo; e temeram.

Mrc.5.16- E os que tinham visto aquilo contaram-lhes como havia acontecido ao endemoninhado, e acerca dos porcos.

Mrc.5.17- Então começaram a rogar-lhe que se retirasse dos seus termos.

Mrc.5.18- E, entrando ele no barco, rogava-lhe o que fora endemoninhado que o deixasse estar com ele.

Mrc.5.19- Jesus, porém, não lho permitiu, mas disse-lhe: Vai para tua casa, para os teus, e anuncia-lhes o quanto o Senhor te fez, e como teve misericórdia de ti.

Mrc.5.20- Ele se retirou, pois, e começou a publicar em Decápolis tudo quanto lhe fizera Jesus; e todos se admiravam.

Mrc.5.21- Tendo Jesus passado de novo no barco para o outro lado, ajuntou-se a ele uma grande multidão; e ele estava à beira do mar.

Mrc.5.22- Chegou um dos chefes da sinagoga, chamado Jairo e, logo que viu a Jesus, lançou-se-lhe aos pés.

Mrc.5.23- e lhe rogava com instância, dizendo: Minha filhinha está nas últimas; rogo-te que venhas e lhe imponhas as mãos para que sare e viva.

Mrc.5.24- Jesus foi com ele, e seguia-o uma grande multidão, que o apertava.

Mrc.5.25- Ora, certa mulher, que havia doze anos padecia de uma hemorragia,

Mrc.5.26- e que tinha sofrido bastante às mãos de muitos médicos, e despendido tudo quanto possuía sem nada aproveitar, antes indo a pior,

Mrc.5.27- tendo ouvido falar a respeito de Jesus, veio por detrás, entre a multidão, e tocou-lhe o manto;

Mrc.5.28- porque dizia: Se tão-somente tocar-lhe as vestes, ficaria curada.

Mrc.5.29- E imediatamente cessou a sua hemorragia; e sentiu no corpo estar já curada do seu mal.

Mrc.5.30- E logo Jesus, percebendo em si mesmo que saíra dele poder, virou-se no meio da multidão e perguntou: Quem me tocou as vestes?

Mrc.5.31- Responderam-lhe os seus discípulos: Vês que a multidão te aperta, e perguntas: Quem me tocou?

Mrc.5.32- Mas ele olhava em redor para ver a que isto fizera.

Mrc.5.33- Então a mulher, atemorizada e trémula, cônscia do que nela se havia operado, veio e prostrou-se diante dele, e declarou-lhe toda a verdade.

Mrc.5.34- Disse-lhe ele: Filha, a tua fé te salvou; vai-te em paz, e fica livre desse teu mal.

Mrc.5.35- Enquanto ele ainda falava, chegaram pessoas da casa do chefe da sinagoga, a quem disseram: A tua filha já morreu; por que ainda incomodas o Mestre?

Mrc.5.36- O que percebendo Jesus, disse ao chefe da sinagoga: Não temas, crê somente.

Mrc.5.37- E não permitiu que ninguém o acompanhasse, senão Pedro, Tiago, e João, irmão de Tiago.

Mrc.5.38- Quando chegaram a casa do chefe da sinagoga, viu Jesus um alvoroço, e os que choravam e faziam grande pranto.

Mrc.5.39- E, entrando, disse-lhes: Por que fazeis alvoroço e chorais? A menina não morreu, mas dorme.

Mrc.5.40- E riam-se dele; porém ele, tendo feito sair a todos, tomou consigo o pai e a mãe da menina, e os que com ele vieram, e entrou onde a menina estava.

Mrc.5.41- E, tomando a mão da menina, disse-lhe: Talita cumi, que, traduzido, é: Menina, a ti te digo, levanta-te.

Mrc.5.42- Imediatamente a menina se levantou, e pôs-se a andar, pois tinha doze anos. E logo foram tomados de grande espanto.

Mrc.5.43- Então ordenou-lhes expressamente que ninguém o soubesse; e mandou que lhe dessem de comer.

Mrc.6.1- Saiu Jesus dali, e foi para a sua terra, e os seus discípulos o seguiam.

Mrc.6.2- Ora, chegando o sábado, começou a ensinar na sinagoga; e muitos, ao ouvi-lo, se maravilhavam, dizendo: Donde lhe vêm estas coisas? E que sabedoria é esta que lhe é dada? E como se fazem tais milagres por suas mãos?

Mrc.6.3- Não é este o carpinteiro, filho de Maria, irmão de Tiago, de José, de Judas e de Simão? E não estão aqui entre nós suas irmãs? E escandalizavam-se dele.

Mrc.6.4- Então Jesus lhes dizia: Um profeta não fica sem honra senão na sua terra, entre os seus parentes, e na sua própria casa.

Mrc.6.5- E não podia fazer ali nenhum milagre, a não ser curar alguns poucos enfermos, impondo-lhes as mãos.

Mrc.6.6- E admirou-se da incredulidade deles. Em seguida percorria as aldeias circunvizinhas, ensinando.

Mrc.6.7- E chamou a si os doze, e começou a enviá-los a dois e dois, e dava-lhes poder sobre os espíritos imundos;

Mrc.6.8- ordenou-lhes que nada levassem para o caminho, senão apenas um bordão; nem pão, nem alforge, nem dinheiro no cinto;

Mrc.6.9- mas que fossem calçados de sandálias, e que não vestissem duas túnicas.

Mrc.6.10- Dizia-lhes mais: Onde quer que entrardes numa casa, ficai nela até sairdes daquele lugar.

Mrc.6.11- E se qualquer lugar não vos receber, nem os homens vos ouvirem, saindo dali, sacudi o pó que estiver debaixo dos vossos pés, em testemunho contra eles.

Mrc.6.12- Então saíram e pregaram que todos se arrependessem;

Mrc.6.13- e expulsavam muitos demónios, e ungiam muitos enfermos com óleo, e os curavam.

Mrc.6.14- E soube disso o rei Herodes (porque o nome de Jesus se tornara célebre), e disse: João, o Batista, ressuscitou dos mortos; e por isso estes poderes milagrosos operam nele.

Mrc.6.15- Mas outros diziam: É Elias. E ainda outros diziam: É profeta como um dos profetas.

Mrc.6.16- Herodes, porém, ouvindo isso, dizia: É João, aquele a quem eu mandei degolar: ele ressuscitou.

Mrc.6.17- Porquanto o próprio Herodes mandara prender a João, e encerrá-lo maniatado no cárcere, por causa de Herodias, mulher de seu irmão Filipe; porque ele se havia casado com ela.

Mrc.6.18- Pois João dizia a Herodes: Não te é lícito ter a mulher de teu irmão.

Mrc.6.19- Por isso Herodias lhe guardava rancor e queria matá-lo, mas não podia;

Mrc.6.20- porque Herodes temia a João, sabendo que era varão justo e santo, e o guardava em segurança; e, ao ouvi-lo, ficava muito perplexo, contudo de boa mente o escutava.

Mrc.6.21- Chegado, porém, um dia oportuno quando Herodes no seu aniversário natalício ofereceu um banquete aos grandes da sua corte, aos principais da Galileia,

Mrc.6.22- entrou a filha da mesma Herodias e, dançando, agradou a Herodes e aos convivas. Então o rei disse à jovem: Pede-me o que quiseres, e eu to darei.

Mrc.6.23- E jurou-lhe, dizendo: Tudo o que me pedires te darei, ainda que seja metade do meu reino.

Mrc.6.24- Tendo ela saído, perguntou a sua mãe: Que pedirei? Ela respondeu: A cabeça de João, o Batista.

Mrc.6.25- E tornando logo com pressa à presença do rei, pediu, dizendo: Quero que imediatamente me dês num prato a cabeça de João, o Batista.

Mrc.6.26- Ora, entristeceu-se muito o rei; todavia, por causa dos seus juramentos e por causa dos que estavam à mesa, não lha quis negar.

Mrc.6.27- O rei, pois, enviou logo um soldado da sua guarda com ordem de trazer a cabeça de João. Então ele foi e o degolou no cárcere,

Mrc.6.28- e trouxe a cabeça num prato e a deu à jovem, e a jovem a deu à sua mãe.

Mrc.6.29- Quando os seus discípulos ouviram isso, vieram, tomaram o seu corpo e o puseram num sepulcro.

Mrc.6.30- Reuniram-se os apóstolos com Jesus e contaram-lhe tudo o que tinham feito e ensinado.

Mrc.6.31- Ao que ele lhes disse: Vinde vós, à parte, para um lugar deserto, e descansai um pouco. Porque eram muitos os que vinham e iam, e não tinham tempo nem para comer.

Mrc.6.32- Retiraram-se, pois, no barco para um lugar deserto, à parte.

Mrc.6.33- Muitos, porém, os viram partir, e os reconheceram; e para lá - correram a pé de todas as cidades, e ali chegaram primeiro do que eles.

Mrc.6.34- E Jesus, ao desembarcar, viu uma grande multidão e compadeceu-se deles, porque eram como ovelhas que não têm pastor; e começou a ensinar-lhes muitas coisas.

Mrc.6.35- Estando a hora já muito adiantada, aproximaram-se dele seus discípulos e disseram: O lugar é deserto, e a hora já está muito adiantada;

Mrc.6.36- despede-os, para que vão aos sítios e às aldeias, em redor, e comprem para si o que comer.

Mrc.6.37- Ele, porém, lhes respondeu: Dai-lhes vós de comer. Então eles lhe perguntaram: Havemos de ir comprar duzentos denários de pão e dar-lhes de comer?

Mrc.6.38- Ao que ele lhes disse: Quantos pães tendes? Ide ver. E, tendo-se informado, responderam: Cinco pães e dois peixes.

Mrc.6.39- Então lhes ordenou que a todos fizessem reclinar-se, em grupos, sobre a relva verde.

Mrc.6.40- E reclinaram-se em grupos de cem e de cinquenta.

Mrc.6.41- E tomando os cinco pães e os dois peixes, e erguendo os olhos ao céu, os abençoou; partiu os pães e os entregava a seus discípulos para lhos servirem; também repartiu os dois peixes por todos.

Mrc.6.42- E todos comeram e se fartaram.

Mrc.6.43- Em seguida, recolheram doze cestos cheios dos pedaços de pão e de peixe.

Mrc.6.44- Ora, os que comeram os pães eram cinco mil homens.

Mrc.6.45- Logo em seguida obrigou os seus discípulos a entrar no barco e passar adiante, para o outro lado, a Betsaida, enquanto ele despedia a multidão.

Mrc.6.46- E, tendo-a despedido, foi ao monte para orar.

Mrc.6.47- Chegada a tardinha, estava o barco no meio do mar, e ele sozinho em terra

Mrc.6.48- E, vendo-os fatigados a remar, porque o vento lhes era contrário, pela quarta vigília da noite, foi ter com eles, andando sobre o mar; e queria passar-lhes adiante;

Mrc.6.49- eles, porém, ao vê-lo andando sobre o mar, pensaram que era um fantasma e gritaram;

Mrc.6.50- porque todos o viram e se assustaram; mas ele imediatamente falou com eles e disse-lhes: Tende ânimo; sou eu; não temais.

Mrc.6.51- E subiu para junto deles no barco, e o vento cessou; e ficaram, no seu íntimo, grandemente pasmados;

Mrc.6.52- pois não tinham compreendido o milagre dos pães, antes o seu coração estava endurecido.

Mrc.6.53- E, terminada a travessia, chegaram à terra em Genesaré, e ali atracaram.

Mrc.6.54- Logo que desembarcaram, o povo reconheceu a Jesus;

Mrc.6.55- e correndo eles por toda aquela região, começaram a levar nos leitos os que se achavam enfermos, para onde ouviam dizer que ele estava.

Mrc.6.56- Onde quer, pois, que entrava, fosse nas aldeias, nas cidades ou nos campos, apresentavam os enfermos nas praças, e rogavam-lhe que os deixasse tocar ao menos a orla do seu manto; e todos os que a tocavam ficavam curados.

Mrc.7.1- Foram ter com Jesus os fariseus, e alguns dos escribas vindos de Jerusalém,

Mrc.7.2- e repararam que alguns dos seus discípulos comiam pão com as mãos impuras, isto é, por lavar.

Mrc.7.3- Pois os fariseus, e todos os judeus, guardando a tradição dos anciãos, não comem sem lavar as mãos cuidadosamente;

Mrc.7.4- e quando voltam do mercado, se não se purificarem, não comem. E muitas outras coisas há que receberam para observar, como a lavagem de copos, de jarros e de vasos de bronze.

Mrc.7.5- Perguntaram-lhe, pois, os fariseus e os escribas: Por que não andam os teus discípulos conforme a tradição dos anciãos, mas comem o pão com as mãos por lavar?

Mrc.7.6- Respondeu-lhes: Bem profetizou Isaías acerca de vós, hipócritas, como está escrito: Este povo honra-me com os lábios; o seu coração, porém, está longe de mim;

Mrc.7.7- mas em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos de homens.

Mrc.7.8- Vós deixais o mandamento de Deus, e vos apegais à tradição dos homens

Mrc.7.9- Disse-lhes ainda: Bem sabeis rejeitar o mandamento de deus, para guardardes a vossa tradição.

Mrc.7.10- Pois Moisés disse: Honra a teu pai e a tua mãe; e: Quem maldisser ao pai ou à mãe, certamente morrerá.

Mrc.7.11- Mas vós dizeis: Se um homem disser a seu pai ou a sua mãe: Aquilo que poderias aproveitar de mim é Corbã, isto é, oferta ao Senhor,

Mrc.7.12- não mais lhe permitis fazer coisa alguma por seu pai ou por sua mãe,

Mrc.7.13- invalidando assim a palavra de Deus pela vossa tradição que vós transmitistes; também muitas outras coisas semelhantes fazeis.

Mrc.7.14- E chamando a si outra vez a multidão, disse-lhes: Ouvi-me vós todos, e entendei.

Mrc.7.15- Nada há fora do homem que, entrando nele, possa contaminá-lo; mas o que sai do homem, isso é que o contamina.

Mrc.7.16- [Se alguém tem ouvidos para ouvir, ouça.]

Mrc.7.17- Depois, quando deixou a multidão e entrou em casa, os seus discípulos o interrogaram acerca da parábola.

Mrc.7.18- Respondeu-lhes ele: Assim também vós estais sem entender? Não compreendeis que tudo o que de fora entra no homem não o pode contaminar,

Mrc.7.19- porque não lhe entra no coração, mas no ventre, e é lançado fora? Assim declarou puros todos os alimentos.

Mrc.7.20- E prosseguiu: O que sai do homem, isso é que o contamina.

Mrc.7.21- Pois é do interior, do coração dos homens, que procedem os maus pensamentos, as prostituições, os furtos, os homicídios, os adultérios,

Mrc.7.22- a cobiça, as maldades, o dolo, a libertinagem, a inveja, a blasfémia, a soberba, a insensatez;

Mrc.7.23- todas estas más coisas procedem de dentro e contaminam o homem.

Mrc.7.24- Levantando-se dali, foi para as regiões de Tiro e Sídon. E entrando numa casa, não queria que ninguém o soubesse, mas não pode ocultar-se;

Mrc.7.25- porque logo, certa mulher, cuja filha estava possessa de um espírito imundo, ouvindo falar dele, veio e prostrou-se-lhe aos pés;

Mrc.7.26- (ora, a mulher era grega, de origem siro-fenícia) e rogava-lhe que expulsasse de sua filha o demónio.

Mrc.7.27- Respondeu-lhes Jesus: Deixa que primeiro se fartem os filhos; porque não é bom tomar o pão dos filhos e lança-lo aos cachorrinhos.

Mrc.7.28- Ela, porém, replicou, e disse-lhe: Sim, Senhor; mas também os cachorrinhos debaixo da mesa comem das migalhas dos filhos.

Mrc.7.29- Então ele lhe disse: Por essa palavra, vai; o demónio já saiu de tua filha.

Mrc.7.30- E, voltando ela para casa, achou a menina deitada sobre a cama, e que o demónio já havia saído.

Mrc.7.31- Tendo Jesus partido das regiões de Tiro, foi por Sídon até o mar da Galileia, passando pelas regiões de Decápolis.

Mrc.7.32- E trouxeram-lhe um surdo, que falava dificilmente; e rogaram-lhe que pusesse a mão sobre ele.

Mrc.7.33- Jesus, pois, tirou-o de entre a multidão, à parte, meteu-lhe os dedos nos ouvidos e, cuspindo, tocou-lhe na língua;

Mrc.7.34- e erguendo os olhos ao céu, suspirou e disse-lhe: Efatá; isto é Abre-te.

Mrc.7.35- E abriram-se-lhe os ouvidos, a prisão da língua se desfez, e falava perfeitamente.

Mrc.7.36- Então lhes ordenou Jesus que a ninguém o dissessem; mas, quando mais lho proibia, tanto mais o divulgavam.

Mrc.7.37- E se maravilhavam sobremaneira, dizendo: Tudo tem feito bem; faz até os surdos ouvir e os mudos falar.

Mrc.8.1- Naqueles dias, havendo de novo uma grande multidão, e não tendo o que comer, chamou Jesus os discípulos e disse-lhes:

Mrc.8.2- Tenho compaixão da multidão, porque já faz três dias que eles estão comigo, e não têm o que comer.

Mrc.8.3- Se eu os mandar em jejum para suas casas, desfalecerão no caminho; e alguns deles vieram de longe.

Mrc.8.4- E seus discípulos lhe responderam: Donde poderá alguém satisfazê-los de pão aqui no deserto?

Mrc.8.5- Perguntou-lhes Jesus: Quantos pães tendes? Responderam: Sete.

Mrc.8.6- Logo mandou ao povo que se sentasse no chão; e tomando os sete pães e havendo dado graças, partiu-os e os entregava a seus discípulos para que os distribuíssem; e eles os distribuíram pela multidão.

Mrc.8.7- Tinham também alguns peixinhos, os quais ele abençoou, e mandou que estes também fossem distribuídos.

Mrc.8.8- Comeram, pois, e se fartaram; e dos pedaços que sobejavam levantaram sete alcofas.

Mrc.8.9- Ora, eram cerca de quatro mil homens. E Jesus os despediu.

Mrc.8.10- E, entrando logo no barco com seus discípulos, foi para as regiões de Dalmanuta.

Mrc.8.11- Saíram os fariseus e começaram a discutir com ele, pedindo-lhe um sinal do céu, para o experimentarem.

Mrc.8.12- Ele, suspirando profundamente em seu espírito, disse: Por que pede esta geração um sinal? Em verdade vos digo que a esta geração não será dado sinal algum.

Mrc.8.13- E, deixando-os, tornou a embarcar e foi para o outro lado.

Mrc.8.14- Ora, eles se esqueceram de levar pão, e no barco não tinham consigo senão um pão.

Mrc.8.15- E Jesus ordenou-lhes, dizendo: Olhai, guardai-vos do fermento dos fariseus e do fermento de Herodes.

Mrc.8.16- Pelo que eles arrazoavam entre si porque não tinham pão.

Mrc.8.17- E Jesus, percebendo isso, disse-lhes: Por que arrazoais por não terdes pão? Não compreendeis ainda, nem entendeis? Tendes o vosso coração endurecido?

Mrc.8.18- Tendo olhos, não vedes? e tendo ouvidos, não ouvis? e não vos lembrais?

Mrc.8.19- Quando parti os cinco pães para os cinco mil, quantos cestos cheios de pedaços levantastes? Responderam-lhe: Doze.

Mrc.8.20- E quando parti os sete para os quatro mil, quantas alcofas cheias de pedaços levantastes? Responderam-lhe: Sete.

Mrc.8.21- E ele lhes disse: Não entendeis ainda?

Mrc.8.22- Então chegaram a Betsaída. E trouxeram-lhe um cego, e rogaram-lhe que o tocasse.

Mrc.8.23- Jesus, pois, tomou o cego pela mão, e o levou para fora da aldeia; e cuspindo-lhe nos olhos, e impondo-lhe as mãos, perguntou-lhe: Vês alguma coisa?

Mrc.8.24- E, levantando ele os olhos, disse: Estou vendo os homens; porque como árvores os vejo andando.

Mrc.8.25- Então tornou a pôr-lhe as mãos sobre os olhos; e ele, olhando atentamente, ficou restabelecido, pois já via nitidamente todas as coisas.

Mrc.8.26- Depois o mandou para casa, dizendo: Mas não entres na aldeia.

Mrc.8.27- E saiu Jesus com os seus discípulos para as aldeias de Cesareia de Filipe, e no caminho interrogou os discípulos, dizendo: Quem dizem os homens que eu sou?

Mrc.8.28- Responderam-lhe eles: Uns dizem: João, o Batista; outros: Elias; e ainda outros: Algum dos profetas.

Mrc.8.29- Então lhes perguntou: Mas vós, quem dizeis que eu sou? Respondendo, Pedro lhe disse: Tu és o Cristo.

Mrc.8.30- E ordenou-lhes Jesus que a ninguém dissessem aquilo a respeito dele.

Mrc.8.31- Começou então a ensinar-lhes que era necessário que o Filho do homem padecesse muitas coisas, que fosse rejeitado pelos anciãos e principais sacerdotes e pelos escribas, que fosse morto, e que depois de três dias ressurgisse.

Mrc.8.32- E isso dizia abertamente. Ao que Pedro, tomando-o à parte, começou a repreendê-lo.

Mrc.8.33- Mas ele, virando-se olhando para seus discípulos, repreendeu a Pedro, dizendo: Para trás de mim, Satanás; porque não cuidas das coisas que são de Deus, mas sim das que são dos homens.

Mrc.8.34- E chamando a si a multidão com os discípulos, disse-lhes: Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz, e siga-me.

Mrc.8.35- Pois quem quiser salvar a sua vida, perdê-la-á; mas quem perder a sua vida por amor de mim e do evangelho, salvá-la-á.

Mrc.8.36- Pois que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua vida?

Mrc.8.37- Ou que diria o homem em troca da sua vida?

Mrc.8.38- Porquanto, qualquer que, entre esta geração adúltera e pecadora, se envergonhar de mim e das minhas palavras, também dele se envergonhará o Filho do homem quando vier na glória de seu Pai com os santos anjos.

Mrc.9.1- Disse-lhes mais: Em verdade vos digo que, dos que aqui estão, alguns há que de modo nenhum provarão a morte até que vejam o reino de Deus já chegando com poder.

Mrc.9.2- Seis dias depois tomou Jesus consigo a Pedro, a Tiago, e a João, e os levou à parte sós, a um alto monte; e foi transfigurado diante deles;

Mrc.9.3- as suas vestes tornaram-se resplandecentes, extremamente brancas, tais como nenhum lavadeiro sobre a terra as poderia branquear.

Mrc.9.4- E apareceu-lhes Elias com Moisés, e falavam com Jesus.

Mrc.9.5- Pedro, tomando a palavra, disse a Jesus: Mestre, bom é estarmos aqui; façamos, pois, três cabanas, uma para ti, outra para Moisés, e outra para Elias.

Mrc.9.6- Pois não sabia o que havia de dizer, porque ficaram atemorizados.

Mrc.9.7- Nisto veio uma nuvem que os cobriu, e dela saiu uma voz que dizia: Este é o meu Filho amado; a ele ouvi.

Mrc.9.8- De repente, tendo olhado em redor, não viram mais a ninguém consigo, senão só a Jesus.

Mrc.9.9- Enquanto desciam do monte, ordenou-lhes que a ninguém contassem o que tinham visto, até que o Filho do homem ressurgisse dentre os mortos.

Mrc.9.10- E eles guardaram o caso em segredo, indagando entre si o que seria o ressurgir dentre os mortos.

Mrc.9.11- Então lhe perguntaram: Por que dizem os escribas que é necessário que Elias venha primeiro?

Mrc.9.12- Respondeu-lhes Jesus: Na verdade Elias havia de vir primeiro, a restaurar todas as coisas; e como é que está escrito acerca do Filho do homem que ele deva padecer muito e ser aviltado?

Mrc.9.13- Digo-vos, porém, que Elias já veio, e fizeram-lhe tudo quanto quiseram, como dele está escrito.

Mrc.9.14- Quando chegaram aonde estavam os discípulos, viram ao redor deles uma grande multidão, e alguns escribas a discutirem com eles.

Mrc.9.15- E logo toda a multidão, vendo a Jesus, ficou grandemente surpreendida; e correndo todos para ele, o saudavam.

Mrc.9.16- Perguntou ele aos escribas: Que é que discutis com eles?

Mrc.9.17- Respondeu-lhe um dentre a multidão: Mestre, eu te trouxe meu filho, que tem um espírito mudo;

Mrc.9.18- e este, onde quer que o apanha, convulsiona-o, de modo que ele espuma, range os dentes, e vai definhando; e eu pedi aos teus discípulos que o expulsassem, e não puderam.

Mrc.9.19- Ao que Jesus lhes respondeu: Ó geração incrédula! Até quando estarei convosco? Até quando vos hei-de suportar? Trazei-mo.

Mrc.9.20- Então lho trouxeram; e quando ele viu a Jesus, o espírito imediatamente o convulsionou; e o endemoninhado, caindo por terra, revolvia-se espumando.

Mrc.9.21- E perguntou Jesus ao pai dele: Há quanto tempo sucede-lhe isto? Respondeu ele: Desde a infância;

Mrc.9.22- e muitas vezes o tem lançado no fogo, e na água, para o destruir; mas se podes fazer alguma coisa, tem compaixão de nós e ajuda-nos.

Mrc.9.23- Ao que lhe disse Jesus: Se podes! - Tudo é possível ao que crê.

Mrc.9.24- Imediatamente o pai do menino, clamando, [com lágrimas] disse: Creio! Ajuda a minha incredulidade.

Mrc.9.25- E Jesus, vendo que a multidão, correndo, se aglomerava, repreendeu o espírito imundo, dizendo: Espírito mudo e surdo, eu te ordeno: Sai dele, e nunca mais entres nele.

Mrc.9.26- E ele, gritando, e agitando-o muito, saiu; e ficou o menino como morto, de modo que a maior parte dizia: Morreu.

Mrc.9.27- Mas Jesus, tomando-o pela mão, o ergueu; e ele ficou em pé.

Mrc.9.28- E quando entrou em casa, seus discípulos lhe perguntaram à parte: Por que não pudemos nós expulsá-lo?

Mrc.9.29- Respondeu-lhes: Esta casta não sai de modo algum, salvo à força de oração [e jejum.]

Mrc.9.30- Depois, tendo partido dali, passavam pela Galileia, e ele não queria que ninguém o soubesse;

Mrc.9.31- porque ensinava a seus discípulos, e lhes dizia: O Filho do homem será entregue nas mãos dos homens, que o matarão; e morto ele, depois de três dias ressurgirá.

Mrc.9.32- Mas eles não entendiam esta palavra, e temiam interrogá-lo.

Mrc.9.33- Chegaram a Cafarnaum. E estando ele em casa, perguntou-lhes: Que estáveis discutindo pelo caminho?

Mrc.9.34- Mas eles se calaram, porque pelo caminho haviam discutido entre si qual deles era o maior.

Mrc.9.35- E ele, sentando-se, chamou os doze e lhes disse: se alguém quiser ser o primeiro, será o derradeiro de todos e o servo de todos.

Mrc.9.36- Então tomou uma criança, pô-la no meio deles e, abraçando-a, disse-lhes:

Mrc.9.37- Qualquer que em meu nome receber uma destas crianças, a mim me recebe; e qualquer que me recebe a mim, recebe não a mim mas àquele que me enviou.

Mrc.9.38- Disse-lhe João: Mestre, vimos um homem que em teu nome expulsava demónios, e nós lho proibimos, porque não nos seguia.

Mrc.9.39- Jesus, porém, respondeu: Não lho proibais; porque ninguém há que faça milagre em meu nome e possa logo depois falar mal de mim;

Mrc.9.40- pois quem não é contra nós, é por nós.

Mrc.9.41- Porquanto qualquer que vos der a beber um copo de água em meu nome, porque sois de Cristo, em verdade vos digo que de modo algum perderá a sua recompensa.

Mrc.9.42- Mas qualquer que fizer tropeçar um destes pequeninos que crêem em mim, melhor lhe fora que se lhe pendurasse ao pescoço uma pedra de moinho, e que fosse lançado no mar.

Mrc.9.43- E se a tua mão te fizer tropeçar, corta-a; melhor é entrares na vida aleijado, do que, tendo duas mãos, ires para o inferno, para o fogo que nunca se apaga.

Mrc.9.44- [onde o seu verme não morre, e o fogo não se apaga.]

Mrc.9.45- Ou, se o teu pé te fizer tropeçar, corta-o; melhor é entrares coxo na vida, do que, tendo dois pés, seres lançado no inferno.

Mrc.9.46- [onde o seu verme não morre, e o fogo não se apaga.]

Mrc.9.47- Ou, se o teu olho te fizer tropeçar, lança-o fora; melhor é entrares no reino de Deus com um só olho, do que, tendo dois olhos, seres lançado no inferno.

Mrc.9.48- onde o seu verme não morre, e o fogo não se apaga.

Mrc.9.49- Porque cada um será salgado com fogo.

Mrc.9.50- Bom é o sal; mas, se o sal se tornar insípido, com que o haveis de temperar? Tende sal em vós mesmos, e guardai a paz uns com os outros.

Mrc.10.1- Levantando-se Jesus, partiu dali para os termos da Judeia, e para além do Jordão; e do novo as multidões se reuniram em torno dele; e tornou a ensiná-las, como tinha por costume.

Mrc.10.2- Então se aproximaram dele alguns fariseus e, para o experimentarem, lhe perguntaram: É lícito ao homem repudiar sua mulher?

Mrc.10.3- Ele, porém, respondeu-lhes: Que vos ordenou Moisés?

Mrc.10.4- Replicaram eles: Moisés permitiu escrever carta de divórcio, e repudiar a mulher.

Mrc.10.5- Disse-lhes Jesus: Pela dureza dos vossos corações ele vos deixou escrito esse mandamento.

Mrc.10.6- Mas desde o princípio da criação, Deus os fez homem e mulher.

Mrc.10.7- Por isso deixará o homem a seu pai e a sua mãe, [e unir-se-á à sua mulher,]

Mrc.10.8- e serão os dois uma só carne; assim já não são mais dois, mas uma só carne.

Mrc.10.9- Porquanto o que Deus ajuntou, não o separe o homem.

Mrc.10.10- Em casa os discípulos interrogaram-no de novo sobre isso.

Mrc.10.11- Ao que lhes respondeu: Qualquer que repudiar sua mulher e casar com outra comete adultério contra ela;

Mrc.10.12- e se ela repudiar seu marido e casar com outro, comete adultério.

Mrc.10.13- Então lhe traziam algumas crianças para que as tocasse; mas os discípulos o repreenderam.

Mrc.10.14- Jesus, porém, vendo isto, indignou-se e disse-lhes: Deixai vir a mim as crianças, e não as impeçais, porque de tais é o reino de Deus.

Mrc.10.15- Em verdade vos digo que qualquer que não receber o reino de Deus como criança, de maneira nenhuma entrará nele.

Mrc.10.16- E, tomando-as nos seus braços, as abençoou, pondo as mãos sobre elas.

Mrc.10.17- Ora, ao sair para se pôr a caminho, correu para ele um homem, o qual se ajoelhou diante dele e lhe perguntou: Bom Mestre, que hei-de fazer para herdar a vida eterna?

Mrc.10.18- Respondeu-lhe Jesus: Por que me chamas bom? Ninguém é bom, senão um que é Deus.

Mrc.10.19- Sabes os mandamentos: Não matarás; não adulterarás; não furtarás; não dirás falso testemunho; a ninguém defraudarás; honra a teu pai e a tua mãe.

Mrc.10.20- Ele, porém, lhe replicou: Mestre, tudo isso tenho guardado desde a minha juventude.

Mrc.10.21- E Jesus, olhando para ele, o amou e lhe disse: Uma coisa te falta; vai, vende tudo quanto tens e dá-o aos pobres, e terás um tesouro no céu; e vem, segue-me.

Mrc.10.22- Mas ele, pesaroso desta palavra, retirou-se triste, porque possuía muitos bens.

Mrc.10.23- Então Jesus, olhando em redor, disse aos seus discípulos: Quão dificilmente entrarão no reino de Deus os que têm riquezas!

Mrc.10.24- E os discípulos se maravilharam destas suas palavras; mas Jesus, tornando a falar, disse-lhes: Filhos, quão difícil é [para os que confiam nas riquezas] entrar no reino de Deus!

Mrc.10.25- É mais fácil um camelo passar pelo fundo de uma agulha, do que entrar um rico no reino de Deus.

Mrc.10.26 -Com isso eles ficaram sobremaneira maravilhados, dizendo entre si: Quem pode, então, ser salvo?

Mrc.10.27- Jesus, fixando os olhos neles, respondeu: Para os homens é impossível, mas não para Deus; porque para Deus tudo é possível.

Mrc.10.28- Pedro começou a dizer-lhe: Eis que nós deixamos tudo e te seguimos.

Mrc.10.29- Respondeu Jesus: Em verdade vos digo que ninguém há, que tenha deixado casa, ou irmãos, ou irmãs, ou mãe, ou pai, ou filhos, ou campos, por amor de mim e do evangelho,

Mrc.10.30- que não receba cem vezes tanto, já neste tempo, em casas, e irmãos, e irmãs, e mães, e filhos, e campos, com perseguições; e no mundo vindouro a vida eterna.

Mrc.10.31- Mas muitos que são primeiros serão últimos; e muitos que são últimos serão primeiros.

Mrc.10.32- Ora, estavam a caminho, subindo para Jerusalém; e Jesus ia adiante deles, e eles se maravilhavam e o seguiam atemorizados. De novo tomou consigo os doze e começou a contar-lhes as coisas que lhe haviam de sobrevir,

Mrc.10.33- dizendo: Eis que subimos a Jerusalém, e o Filho do homem será entregue aos principais sacerdotes e aos escribas; e eles o condenarão à morte, e o entregarão aos gentios;

Mrc.10.34- e hão-de escarnecê-lo e cuspir nele, e açoitá-lo, e matá-lo; e depois de três dias ressurgirá.

Mrc.10.35- Nisso aproximaram-se dele Tiago e João, filhos de Zebedeu, dizendo-lhe: Mestre, queremos que nos faças o que te pedirmos.

Mrc.10.36- Ele, pois, lhes perguntou: Que quereis que eu vos faça?

Mrc.10.37- Responderam-lhe: Concede-nos que na tua glória nos sentemos, um à tua direita, e outro à tua esquerda.

Mrc.10.38- Mas Jesus lhes disse: Não sabeis o que pedis; podeis beber o cálice que eu bebo, e ser batizados no batismo em que eu sou batizado?

Mrc.10.39- E lhe responderam: Podemos. Mas Jesus lhes disse: O cálice que eu bebo, haveis de bebê-lo, e no batismo em que eu sou batizado, haveis de ser batizados;

Mrc.10.40- mas o sentar-se à minha direita, ou à minha esquerda, não me pertence concedê-lo; mas isso é para aqueles a quem está reservado.

Mrc.10.41- E ouvindo isso os dez, começaram a indignar-se contra Tiago e João.

Mrc.10.42- Então Jesus chamou-os para junto de si e lhes disse: Sabeis que os que são reconhecidos como governadores dos gentios, deles se assenhoreiam, e que sobre eles os seus grandes exercem autoridade.

Mrc.10.43- Mas entre vós não será assim; antes, qualquer que entre vós quiser tornar-se grande, será esse o que vos sirva;

Mrc.10.44- e qualquer que entre vós quiser ser o primeiro, será servo de todos.

Mrc.10.45- Pois também o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir, e para dar a sua vida em resgate de muitos.

Mrc.10.46- Depois chegaram a Jericó. E, ao sair ele de Jericó com seus discípulos e uma grande multidão, estava sentado junto do caminho um mendigo cego, Bartimeu filho de Timeu.

Mrc.10.47- Este, quando ouviu que era Jesus, o nazareno, começou a clamar, dizendo: Jesus, Filho de David, tem compaixão de mim!

Mrc.10.48- E muitos o repreendiam, para que se calasse; mas ele clamava ainda mais: Filho de David, tem compaixão de mim.

Mrc.10.49- Parou, pois, Jesus e disse: Chamai-o. E chamaram o cego, dizendo-lhe: Tem bom ânimo; levanta-te, ele te chama.

Mrc.10.50- Nisto, lançando de si a sua capa, de um salto se levantou e foi ter com Jesus.

Mrc.10.51- Perguntou-lhe Jesus: Que queres que te faça? Respondeu-lhe o cego: Mestre, que eu veja.

Mrc.10.52- Disse-lhe Jesus: Vai, a tua fé te salvou. E imediatamente recuperou a vista, e foi seguindo pelo caminho.

Mrc.11.1- Ora, quando se aproximavam de Jerusalém, de Betfagé e de Betânia, junto do Monte das Oliveiras, enviou Jesus dois dos seus discípulos

Mrc.11.2- e disse-lhes: Ide à aldeia que está defronte de vós; e logo que nela entrardes, encontrareis preso um jumentinho, em que ainda ninguém montou; desprendei-o e trazei-o.

Mrc.11.3- E se alguém vos perguntar: Por que fazeis isso? Respondei: O Senhor precisa dele, e logo tornará a enviá-lo para aqui.

Mrc.11.4- Foram, pois, e acharam o jumentinho preso ao portão do lado de fora na rua, e o desprenderam.

Mrc.11.5- E alguns dos que ali estavam lhes perguntaram: Que fazeis, desprendendo o jumentinho?

Mrc.11.6- Responderam como Jesus lhes tinha mandado; e lho deixaram levar.

Mrc.11.7- Então trouxeram a Jesus o jumentinho e lançaram sobre ele os seus mantos; e Jesus montou nele.

Mrc.11.8- Muitos também estenderam pelo caminho os seus mantos, e outros, ramagens que tinham cortado nos campos.

Mrc.11.9- E tanto os que o precediam como os que o seguiam, clamavam: Hosana! Bendito o que vem em nome do Senhor!

Mrc.11.10- Bendito o reino que vem, o reino de nosso pai David! Hosana nas alturas!

Mrc.11.11- Tendo Jesus entrado em Jerusalém, foi ao templo; e tendo observado tudo em redor, como já fosse tarde, saiu para Betânia com os doze.

Mrc.11.12- No dia seguinte, depois de saírem de Betânia teve fome,

Mrc.11.13- e avistando de longe uma figueira que tinha folhas, foi ver se, porventura, acharia nela alguma coisa; e chegando a ela, nada achou senão folhas, porque não era tempo de figos.

Mrc.11.14- E Jesus, falando, disse à figueira: Nunca mais coma alguém fruto de ti. E seus discípulos ouviram isso.

Mrc.11.15- Chegaram, pois, a Jerusalém. E entrando ele no templo, começou a expulsar os que ali vendiam e compravam; e derribou as mesas dos cambistas, e as cadeiras dos que vendiam pombas;

Mrc.11.16- e não consentia que ninguém atravessasse o templo levando qualquer utensílio;

Mrc.11.17- e ensinava, dizendo-lhes: Não está escrito: A minha casa será chamada casa de oração para todas as nações? Vós, porém, a tendes feito covil de salteadores.

Mrc.11.18- Ora, os principais sacerdotes e os escribas ouviram isto, e procuravam um modo de o matar; pois o temiam, porque toda a multidão se maravilhava da sua doutrina.

Mrc.11.19- Ao cair da tarde, saíam da cidade.

Mrc.11.20- Quando passavam na manhã seguinte, viram que a figueira tinha secado desde as raízes.

Mrc.11.21- Então Pedro, lembrando-se, disse-lhe: Olha, Mestre, secou-se a figueira que amaldiçoaste.

Mrc.11.22- Respondeu-lhes Jesus: Tende fé em Deus.

Mrc.11.23- Em verdade vos digo que qualquer que disser a este monte: Ergue-te e lança-te no mar; e não duvidar em seu coração, mas crer que se fará aquilo que diz, assim lhe será feito.

Mrc.11.24- Por isso vos digo que tudo o que pedirdes em oração, crede que o recebereis, e tê-lo-eis.

Mrc.11.25- Quando estiverdes orando, perdoai, se tendes alguma coisa contra alguém, para que também vosso Pai que está no céu, vos perdoe as vossas ofensas.

Mrc.11.26- [Mas, se vós não perdoardes, também vosso Pai, que está no céu, não vos perdoará as vossas ofensas.]

Mrc.11.27- Vieram de novo a Jerusalém. E andando Jesus pelo templo, aproximaram-se dele os principais sacerdotes, os escribas e os anciãos,

Mrc.11.28- que lhe perguntaram: Com que autoridade fazes tu estas coisas? Ou quem te deu autoridade para fazê-las?

Mrc.11.29- Respondeu-lhes Jesus: Eu vos perguntarei uma coisa; respondei-me, pois, e eu vos direi com que autoridade faço estas coisas.

Mrc.11.30- O batismo de João era do céu, ou dos homens? Respondei-me.

Mrc.11.31- Ao que eles arrazoavam entre si: Se dissermos: Do céu, ele dirá: Então por que não o crestes?

Mrc.11.32- Mas se respondermos: Dos homens? - É que temiam o povo; porque todos verdadeiramente tinham a João como profeta.

Mrc.11.33- Responderam, pois, a Jesus: Não sabemos. Replicou-lhes ele: Nem eu vos digo com que autoridade faço estas coisas.

Mrc.12.1- Então começou Jesus a falar-lhes por parábolas. Um homem plantou uma vinha, cercou-a com uma sebe, cavou um lagar, e edificou uma torre; depois arrendou-a a uns lavradores e ausentou-se do país.

Mrc.12.2- No tempo próprio, enviou um servo aos lavradores para que deles recebesse do fruto da vinha.

Mrc.12.3- Mas estes, apoderando-se dele, o espancaram e o mandaram embora de mãos vazias.

Mrc.12.4- E tornou a enviar-lhes outro servo; e a este feriram na cabeça e o ultrajaram.

Mrc.12.5- Então enviou ainda outro, e a este mataram; e a outros muitos, dos quais a uns espancaram e a outros mataram.

Mrc.12.6- Ora, tinha ele ainda um, o seu filho amado; a este lhes enviou por último, dizendo: A meu filho terão respeito.

Mrc.12.7- Mas aqueles lavradores disseram entre si: Este é o herdeiro; vinde, matemo-lo, e a herança será nossa.

Mrc.12.8- E, agarrando-o, o mataram, e o lançaram fora da vinha.

Mrc.12.9- Que fará, pois, o senhor da vinha? Virá e destruirá os lavradores, e dará a vinha a outros.

Mrc.12.10- Nunca lestes esta escritura: A pedra que os edificadores rejeitaram, essa foi posta como pedra angular;

Mrc.12.11- pelo Senhor foi feito isso, e é maravilhoso aos nossos olhos?

Mrc.12.12- Procuravam então prendê-lo, mas temeram a multidão, pois perceberam que contra eles proferira essa parábola; e, deixando-o, se retiraram.

Mrc.12.13- Enviaram-lhe então alguns dos fariseus e dos herodianos, para que o apanhassem em alguma palavra.

Mrc.12.14- Aproximando-se, pois, disseram-lhe: Mestre, sabemos que és verdadeiro, e de ninguém se te dá; porque não olhas à aparência dos homens, mas ensinas segundo a verdade o caminho de Deus; é lícito dar tributo a César, ou não? Daremos, ou não daremos?

Mrc.12.15- Mas Jesus, percebendo a hipocrisia deles, respondeu-lhes: Por que me experimentais? Trazei-me um denário para que eu o veja.

Mrc.12.16- E eles lho trouxeram. Perguntou-lhes Jesus: De quem é esta imagem e inscrição? Responderam-lhe: De César.

Mrc.12.17- Disse-lhes Jesus: Dai, pois, a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus. E admiravam-se dele.

Mrc.12.18- Então se aproximaram dele alguns dos saduceus, que dizem não haver ressurreição, e lhe perguntaram, dizendo:

Mrc.12.19- Mestre, Moisés nos deixou escrito que se morrer alguém, deixando mulher sem deixar filhos, o irmão dele case com a mulher, e suscite descendência ao irmão.

Mrc.12.20- Ora, havia sete irmãos; o primeiro casou-se e morreu sem deixar descendência;

Mrc.12.21- o segundo casou-se com a viúva, e morreu, não deixando descendência; e da mesma forma, o terceiro; e assim os sete, e não deixaram descendência.

Mrc.12.22- Depois de todos, morreu também a mulher.

Mrc.12.23- Na ressurreição, de qual deles será ela esposa, pois os sete por esposa a tiveram?

Mrc.12.24- Respondeu-lhes Jesus: Porventura não errais vós em razão de não compreenderdes as Escrituras nem o poder de Deus?

Mrc.12.25- Porquanto, ao ressuscitarem dos mortos, nem se casam, nem se dão em casamento; pelo contrário, são como os anjos nos céus.

Mrc.12.26- Quanto aos mortos, porém, serem ressuscitados, não lestes no livro de Moisés, onde se fala da sarça, como Deus lhe disse: Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacob?

Mrc.12.27- Ora, ele não é Deus de mortos, mas de vivos. Estais em grande erro.

Mrc.12.28- Aproximou-se dele um dos escribas que os ouvira discutir e, percebendo que lhes havia respondido bem, perguntou-lhe: Qual é o primeiro de todos os mandamentos?

Mrc.12.29- Respondeu Jesus: O primeiro é: Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor.

Mrc.12.30- Amarás, pois, ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e de todas as tuas forças.

Mrc.12.31- E o segundo é este: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior do que esses.

Mrc.12.32- Ao que lhe disse o escriba: Muito bem, Mestre; com verdade disseste que ele é um, e fora dele não há outro;

Mrc.12.33- e que amá-lo de todo o coração, de todo o entendimento e de todas as forças, e amar o próximo como a si mesmo, é mais do que todos os holocaustos e sacrifícios.

Mrc.12.34- E Jesus, vendo que havia respondido sabiamente, disse-lhe: Não estás longe do reino de Deus. E ninguém ousava mais interrogá-lo.

Mrc.12.35- Por sua vez, Jesus, enquanto ensinava no templo, perguntou: Como é que os escribas dizem que o Cristo é filho de David?

Mrc.12.36- O próprio David falou, movido pelo Espírito Santo: Disse o Senhor ao meu Senhor: Assenta-te à minha direita, até que eu ponha os teus inimigos debaixo dos teus pés.

Mrc.12.37- David mesmo lhe chama Senhor; como é ele seu filho? E a grande multidão o ouvia com prazer.

Mrc.12.38- E prosseguindo ele no seu ensino, disse: Guardai-vos dos escribas, que gostam de andar com vestes compridas, e das saudações nas praças,

Mrc.12.39- e dos primeiros assentos nas sinagogas, e dos primeiros lugares nos banquetes,

Mrc.12.40- que devoram as casas das viúvas, e por pretexto fazem longas orações; estes hão-de receber muito maior condenação.

Mrc.12.41- E sentando-se Jesus defronte do cofre das ofertas, observava como a multidão lançava dinheiro no cofre; e muitos ricos deitavam muito.

Mrc.12.42- Vindo, porém, uma pobre viúva, lançou dois leptos, que valiam um quadrante.

Mrc.12.43- E chamando ele os seus discípulos, disse-lhes: Em verdade vos digo que esta pobre viúva deu mais do que todos os que deitavam ofertas no cofre;

Mrc.12.44- porque todos deram daquilo que lhes sobrava; mas esta, da sua pobreza, deu tudo o que tinha, mesmo todo o seu sustento.

Mrc.13.1- Quando saía do templo, disse-lhe um dos seus discípulos: Mestre, olha que pedras e que edifícios!

Mrc.13.2- Ao que Jesus lhe disse: Vês estes grandes edifícios? Não se deixará aqui pedra sobre pedra que não seja derribada.

Mrc.13.3- Depois estando ele sentado no Monte das Oliveiras, defronte do templo, Pedro, Tiago, João e André perguntaram-lhe em particular:

Mrc.13.4- Diz-nos, quando sucederão essas coisas, e que sinal haverá quando todas elas estiverem para se cumprir?

Mrc.13.5- Então Jesus começou a dizer-lhes: Acautelai-vos; ninguém vos engane;

Mrc.13.6- muitos virão em meu nome, dizendo: Sou eu; e a muitos enganarão.

Mrc.13.7- Quando, porém, ouvirdes falar em guerras e rumores de guerras, não vos perturbeis; forçoso é que assim aconteça: mas ainda não é o fim.

Mrc.13.8- Pois se levantará nação contra nação, e reino contra reino; e haverá terramotos em diversos lugares, e haverá fomes. Isso será o princípio das dores.

Mrc.13.9- Mas olhai por vós mesmos; pois por minha causa vos hão-de entregar aos sinédrios e às sinagogas, e sereis açoitados; também sereis levados perante governadores e reis, para lhes servir de testemunho.

Mrc.13.10- Mas importa que primeiro o evangelho seja pregado entre todas as nações.

Mrc.13.11- Quando, pois, vos conduzirem para vos entregar, não vos preocupeis com o que haveis de dizer; mas, o que vos for dado naquela hora, isso falai; porque não sois vós que falais, mas sim o Espírito Santo.

Mrc.13.12- Um irmão entregará à morte a seu irmão, e um pai a seu filho; e filhos se levantarão contra os pais e os matarão.

Mrc.13.13- E sereis odiados de todos por causa do meu nome; mas aquele que perseverar até o fim, esse será salvo.

Mrc.13.14- Ora, quando vós virdes a abominação da desolação estar onde não deve estar (quem lê, entenda), então os que estiverem na Judeia fujam para os montes;

Mrc.13.15- quem estiver no eirado não desça, nem entre para tirar alguma coisa da sua casa;

Mrc.13.16- e quem estiver no campo não volte atrás para buscar a sua capa.

Mrc.13.17- Mas ai das que estiverem grávidas, e das que amamentarem naqueles dias!

Mrc.13.18- Orai, pois, para que isto não suceda no inverno;

Mrc.13.19- porque naqueles dias haverá uma tribulação tal, qual nunca houve desde o princípio da criação, que Deus criou, até agora, nem jamais haverá.

Mrc.13.20- Se o Senhor não abreviasse aqueles dias, ninguém se salvaria mas ele, por causa dos eleitos que escolheu, abreviou aqueles dias.

Mrc.13.21- Então, se alguém vos disser: Eis aqui o Cristo! Ou: Ei-lo ali! Não acrediteis.

Mrc.13.22- Porque hão-de surgir falsos cristos e falsos profetas, e farão sinais e prodígios para enganar, se possível, até os escolhidos.

Mrc.13.23- Ficai vós, pois, de sobreaviso; eis que de antemão vos tenho dito tudo.

Mrc.13.24- Mas naqueles dias, depois daquela tribulação, o sol escurecerá, e a lua não dará a sua luz;

Mrc.13.25- as estrelas cairão do céu, e os poderes que estão nos céus, serão abalados.

Mrc.13.26- Então verão vir o Filho do homem nas nuvens, com grande poder e glória.

Mrc.13.27- E logo enviará os seus anjos, e ajuntará os seus eleitos, desde os quatro ventos, desde a extremidade da terra até a extremidade do céu.

Mrc.13.28- Da figueira, pois, aprendei a parábola: Quando já o seu ramo se torna tenro e brota folhas, sabeis que está próximo o verão.

Mrc.13.29- Assim também vós, quando virdes sucederem essas coisas, sabei que ele está próximo, mesmo às portas.

Mrc.13.30- Em verdade vos digo que não passará esta geração, até que todas essas coisas aconteçam.

Mrc.13.31- Passará o céu e a terra, mas as minhas palavras não passarão.

Mrc.13.32- Quanto, porém, ao dia e à hora, ninguém sabe, nem os anjos no céu nem o Filho, senão o Pai.

Mrc.13.33- Olhai! Vigiai! Porque não sabeis quando chegará o tempo.

Mrc.13.34- É como se um homem, devendo viajar, ao deixar a sua casa, desse autoridade aos seus servos, a cada um o seu trabalho, e ordenasse também ao porteiro que vigiasse.

Mrc.13.35- Vigiai, pois; porque não sabeis quando virá o senhor da casa; se à tarde, se à meia-noite, se ao cantar do galo, se pela manhã;

Mrc.13.36- para que, vindo de improviso, não vos ache dormindo.

Mrc.13.37- O que vos digo a vós, a todos o digo: Vigiai.

Mrc.14.1- Ora, dali a dois dias era a Páscoa e a festa dos pães ázimos; e os principais sacerdotes e os escribas andavam buscando como prender Jesus à traição, para o matarem.

Mrc.14.2- Pois eles diziam: Não durante a festa, para que não haja tumulto entre o povo.

Mrc.14.3- Estando ele em Betânia, reclinado à mesa em casa de Simão, o leproso, veio uma mulher que trazia um vaso de alabastro cheio de bálsamo de nardo puro, de grande preço; e, quebrando o vaso, derramou-lhe sobre a cabeça o bálsamo.

Mrc.14.4- Mas alguns houve que em si mesmos se indignaram e disseram: Para que se fez este desperdício do bálsamo?

Mrc.14.5- Pois podia ser vendido por mais de trezentos denários que se dariam aos pobres. E bramavam contra ela.

Mrc.14.6- Jesus, porém, disse: Deixai-a; por que a molestais? Ela praticou uma boa acção para comigo.

Mrc.14.7- Porquanto os pobres sempre os tendes convosco e, quando quiserdes, podeis fazer-lhes bem; a mim, porém, nem sempre me tendes.

Mrc.14.8- ela fez o que pode; antecipou-se a ungir o meu corpo para a sepultura.

Mrc.14.9- Em verdade vos digo que, em todo o mundo, onde quer que for pregado o evangelho, também o que ela fez será contado para memória sua.

Mrc.14.10- Então Judas Iscariotes, um dos doze, foi ter com os principais sacerdotes para lhes entregar Jesus.

Mrc.14.11- Ouvindo-o eles, alegraram-se, e prometeram dar-lhe dinheiro. E buscava como o entregaria em ocasião oportuna.

Mrc.14.12- Ora, no primeiro dia dos pães ázimos, quando imolavam a Páscoa, disseram-lhe seus discípulos: Aonde queres que vamos fazer os preparativos para comeres a Páscoa?

Mrc.14.13- Enviou, pois, dois dos seus discípulos, e disse-lhes: Ide à cidade, e vos sairá ao encontro um homem levando um cântaro de água; segui-o;

Mrc.14.14- e, onde ele entrar, dizei ao dono da casa: O Mestre manda perguntar: Onde está o meu aposento em que hei de comer a Páscoa com os meus discípulos?

Mrc.14.15- E ele vos mostrará um grande cenáculo mobilado e pronto; aí fazei-nos os preparativos.

Mrc.14.16- Partindo, pois, os discípulos, foram à cidade, onde acharam tudo como ele lhes dissera, e prepararam a Páscoa.

Mrc.14.17- Ao anoitecer chegou ele com os doze.

Mrc.14.18- E, quando estavam reclinados à mesa e comiam, disse Jesus: Em verdade vos digo que um de vós, que comigo come, há-de trair-me.

Mrc.14.19- Ao que eles começaram a entristecer-se e a perguntar-lhe um após outro: Porventura sou eu?

Mrc.14.20- Respondeu-lhes: É um dos doze, que mete comigo a mão no prato.

Mrc.14.21- Pois o Filho do homem vai, conforme está escrito a seu respeito; mas ai daquele por quem o Filho do homem é traído! Bom seria para esse homem se não houvera nascido.

Mrc.14.22- Enquanto comiam, Jesus tomou pão e, abençoando-o, o partiu e deu-lho, dizendo: Tomai; isto é o meu corpo.

Mrc.14.23- E tomando um cálice, rendeu graças e deu-lho; e todos beberam dele.

Mrc.14.24- E disse-lhes: Isto é o meu sangue, o sangue do pacto, que por muitos é derramado.

Mrc.14.25- Em verdade vos digo que não beberei mais do fruto da videira, até aquele dia em que o beber, novo, no reino de Deus.

Mrc.14.26- E, tendo cantado um hino, saíram para o Monte das Oliveiras.

Mrc.14.27- Disse-lhes então Jesus: Todos vós vos escandalizareis; porque escrito está: Ferirei o pastor, e as ovelhas se dispersarão.

Mrc.14.28- Todavia, depois que eu ressurgir, irei adiante de vós para a Galileia.

Mrc.14.29- Ao que Pedro lhe disse: Ainda que todos se escandalizem, nunca, porém, eu.

Mrc.14.30- Replicou-lhe Jesus: Em verdade te digo que hoje, nesta noite, antes que o galo cante duas vezes, três vezes tu me negarás.

Mrc.14.31- Mas ele repetia com veemência: Ainda que me seja necessário morrer contigo, de modo nenhum te negarei. Assim também diziam todos.

Mrc.14.32- Então chegaram a um lugar chamado Getsémane, e disse Jesus a seus discípulos: Sentai-vos aqui, enquanto eu oro.

Mrc.14.33- E levou consigo a Pedro, a Tiago e a João, e começou a ter pavor e a angustiar-se;

Mrc.14.34- e disse-lhes: A minha alma está triste até a morte; ficai aqui e vigiai.

Mrc.14.35- E adiantando-se um pouco, prostrou-se em terra; e orava para que, se fosse possível, passasse dele aquela hora.

Mrc.14.36- E dizia: Aba, Pai, tudo te é possível; afasta de mim este cálice; todavia não seja o que eu quero, mas o que tu queres.

Mrc.14.37- Voltando, achou-os dormindo; e disse a Pedro: Simão, dormes? Não pudeste vigiar uma hora?

Mrc.14.38- Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca.

Mrc.14.39- Retirou-se de novo e orou, dizendo as mesmas palavras.

Mrc.14.40- E voltando outra vez, achou-os dormindo, porque seus olhos estavam carregados; e não sabiam o que lhe responder.

Mrc.14.41- Ao voltar pela terceira vez, disse-lhes: Dormi agora e descansai. - Basta; é chegada a hora. Eis que o Filho do homem está sendo entregue nas mãos dos pecadores.

Mrc.14.42- Levantai-vos, vamo-nos; eis que é chegado aquele que me trai.

Mrc.14.43- E logo, enquanto ele ainda falava, chegou Judas, um dos doze, e com ele uma multidão com espadas e varapaus, vinda da parte dos principais sacerdotes, dos escribas e dos anciãos.

Mrc.14.44- Ora, o que o traía lhes havia dado um sinal, dizendo: Aquele que eu beijar, esse é; prendei-o e levai-o com segurança.

Mrc.14.45- E, logo que chegou, aproximando-se de Jesus, disse: Rabi! E o beijou.

Mrc.14.46- Ao que eles lhes lançaram as mãos, e o prenderam.

Mrc.14.47- Mas um dos que ali estavam, puxando da espada, feriu o servo do sumo-sacerdote e cortou-lhe uma orelha.

Mrc.14.48- Disse-lhes Jesus: Saístes com espadas e varapaus para me prender, como a um salteador?

Mrc.14.49- Todos os dias estava convosco no templo, a ensinar, e não me prendestes; mas isto é para que se cumpram as Escrituras.

Mrc.14.50- Nisto, todos o deixaram e fugiram.

Mrc.14.51- Ora, seguia-o certo jovem envolto em um lençol sobre o corpo nu; e o agarraram.

Mrc.14.52- Mas ele, largando o lençol, fugiu despido.

Mrc.14.53- Levaram Jesus ao sumo-sacerdote, e ajuntaram-se todos os principais sacerdotes, os anciãos e os escribas.

Mrc.14.54- E Pedro o seguiu de longe até dentro do pátio do sumo-sacerdote, e estava sentado com os guardas, aquentando-se ao fogo.

Mrc.14.55- Os principais sacerdotes procuravam um testemunho contra Jesus para o matar, e não o achavam.

Mrc.14.56- Porque contra ele muitos depunham falsamente, mas os testemunhos não concordavam.

Mrc.14.57- Levantaram-se por fim alguns que depunham falsamente contra ele, dizendo:

Mrc.14.58- Nós o ouvimos dizer: Eu destruirei este santuário, construído por mãos de homens, e em três dias edificarei outro, não feito por mãos de homens.

Mrc.14.59- E nem assim concordava o seu testemunho.

Mrc.14.60- Levantou-se então o sumo-sacerdote no meio e perguntou a Jesus: Não respondes coisa alguma? Que é que estes depõem conta ti?

Mrc.14.61- Ele, porém, permaneceu calado, e nada respondeu. Tornou o sumo-sacerdote a interrogá-lo, perguntando-lhe: És tu o Cristo, o Filho do Deus bendito?

Mrc.14.62- Respondeu Jesus: Eu o sou; e vereis o Filho do homem assentado à direita do Poder e vindo com as nuvens do céu.

Mrc.14.63- Então o sumo-sacerdote, rasgando as suas vestes, disse: Para que precisamos ainda de testemunhas?

Mrc.14.64- Acabais de ouvir a blasfémia; que vos parece? E todos o condenaram como réu de morte.

Mrc.14.65- E alguns começaram a cuspir nele, e a cobrir-lhe o rosto, e a dar-lhe socos, e a dizer-lhe: Profetiza. E os guardas receberam-no a bofetadas.

Mrc.14.66- Ora, estando Pedro em baixo, no átrio, chegou uma das criadas do sumo-sacerdote

Mrc.14.67- e, vendo a Pedro, que se estava aquentando, encarou-o e disse: Tu também estavas com o nazareno, esse Jesus.

Mrc.14.68- Mas ele o negou, dizendo: Não sei nem compreendo o que dizes. E saiu para o alpendre.

Mrc.14.69- E a criada, vendo-o, começou de novo a dizer aos que ali estavam: Esse é um deles.

Mrc.14.70- Mas ele o negou outra vez. E pouco depois os que ali estavam disseram novamente a Pedro: Certamente tu és um deles; pois és também galileu.

Mrc.14.71- Ele, porém, começou a praguejar e a jurar: Não conheço esse homem de quem falais.

Mrc.14.72- Nesse instante o galo cantou pela segunda vez. E Pedro lembrou-se da palavra que lhe dissera Jesus: Antes que o galo cante duas vezes, três vezes me negarás. E caindo em si, começou a chorar.

Mrc.15.1- Logo de manhã tiveram conselho os principais sacerdotes com os anciãos, os escribas e todo o Sinédrio; e maniatando a Jesus, o levaram e o entregaram a Pilatos.

Mrc.15.2- Pilatos lhe perguntou: És tu o rei dos judeus? Respondeu-lhe Jesus: É como dizes.

Mrc.15.3- e os principais dos sacerdotes o acusavam de muitas coisas.

Mrc.15.4- Tornou Pilatos a interrogá-lo, dizendo: Não respondes nada? Vê quantas acusações te fazem.

Mrc.15.5- Mas Jesus nada mais respondeu, de maneira que Pilatos se admirava.

Mrc.15.6- Ora, por ocasião da festa costumava soltar-lhes um preso qualquer que eles pedissem.

Mrc.15.7- E havia um, chamado Barrabás, preso com outros sediciosos, os quais num motim haviam cometido um homicídio.

Mrc.15.8- E a multidão subiu e começou a pedir o que lhe costumava fazer.

Mrc.15.9- Ao que Pilatos lhes perguntou: Quereis que vos solte o rei dos judeus?

Mrc.15.10- Pois ele sabia que por inveja os principais sacerdotes lho haviam entregado.

Mrc.15.11- Mas os principais sacerdotes incitaram a multidão a pedir que lhes soltasse antes a Barrabás.

Mrc.15.12- E Pilatos, tornando a falar, perguntou-lhes: Que farei então daquele a quem chamais reis dos judeus?

Mrc.15.13- Novamente clamaram eles: Crucifica-o!

Mrc.15.14- Disse-lhes Pilatos: Mas que mal fez ele? Ao que eles clamaram ainda mais: Crucifica-o!

Mrc.15.15- Então Pilatos, querendo satisfazer a multidão, soltou-lhe Barrabás; e tendo mandado açoitar a Jesus, o entregou para ser crucificado.

Mrc.15.16- Os soldados, pois, levaram-no para dentro, ao pátio, que é o pretório, e convocaram toda a coorte;

Mrc.15.17- vestiram-no de púrpura e puseram-lhe na cabeça uma coroa de espinhos que haviam tecido;

Mrc.15.18- e começaram a saudá-lo: Salve, rei dos judeus!

Mrc.15.19- Davam-lhe com uma cana na cabeça, cuspiam nele e, postos de joelhos, o adoravam.

Mrc.15.20- Depois de o terem assim escarnecido, despiram-lhe a púrpura, e lhe puseram as vestes. Então o levaram para fora, a fim de o crucificarem.

Mrc.15.21- E obrigaram certo Simão, cireneu, pai de Alexandre e de Rufo, que por ali passava, vindo do campo, a carregar-lhe a cruz.

Mrc.15.22- Levaram-no, pois, ao lugar do Gólgota, que quer dizer, lugar da Caveira.

Mrc.15.23- E ofereciam-lhe vinho misturado com mirra; mas ele não o tomou.

Mrc.15.24- Então o crucificaram, e repartiram entre si as vestes dele, lançando sortes sobre elas para ver o que cada um levaria.

Mrc.15.25- E era a hora terceira quando o crucificaram.

Mrc.15.26- Por cima dele estava escrito o título da sua acusação: O REI DOS JUDEUS.

Mrc.15.27- Também, com ele, crucificaram dois salteadores, um à sua direita, e outro à esquerda.

Mrc.15.28- [E cumpriu-se a escritura que diz: E com os malfeitores foi contado.]

Mrc.15.29- E os que iam passando blasfemavam dele, meneando a cabeça e dizendo: Ah! tu que destróis o santuário e em três dias o reedificas.

Mrc.15.30- salva-te a ti mesmo, descendo da cruz.

Mrc.15.31- De igual modo também os principais sacerdotes, com os escribas, escarnecendo-o, diziam entre si: A outros salvou; a si mesmo não pode salvar;

Mrc.15.32- desça agora da cruz o Cristo, o rei de Israel, para que vejamos e creiamos. Também os que com ele foram crucificados o injuriavam.

Mrc.15.33- E, chegada a hora sexta, houve trevas sobre a terra, até a hora nona.

Mrc.15.34- E, à hora nona, bradou Jesus em alta voz: Eloí, Eloí, lamá, sabactani? Que, traduzido, é: Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?

Mrc.15.35- Alguns dos que ali estavam, ouvindo isso, diziam: Eis que chama por Elias.

Mrc.15.36- Correu um deles, ensopou uma esponja em vinagre e, pondo-a numa cana, dava-lhe de beber, dizendo: Deixai, vejamos se Elias virá tirá-lo.

Mrc.15.37- Mas Jesus, dando um grande brado, expirou.

Mrc.15.38- Então o véu do santuário se rasgou em dois, de alto a baixo.

Mrc.15.39- Ora, o centurião, que estava defronte dele, vendo-o assim expirar, disse: Verdadeiramente este homem era filho de Deus.

Mrc.15.40- Também ali estavam algumas mulheres olhando de longe, entre elas Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago o Menor e de José, e Salomé;

Mrc.15.41- as quais o seguiam e o serviam quando ele estava na Galileia; e muitas outras que tinham subido com ele a Jerusalém.

Mrc.15.42- Ao cair da tarde, como era o dia da preparação, isto é, a véspera do sábado,

Mrc.15.43- José de Arimateia, ilustre membro do Sinédrio, que também esperava o reino de Deus, cobrando ânimo foi Pilatos e pediu o corpo de Jesus.

Mrc.15.44- Admirou-se Pilatos de que já tivesse morrido; e chamando o centurião, perguntou-lhe se, de fato, havia morrido.

Mrc.15.45- E, depois que o soube do centurião, cedeu o cadáver a José;

Mrc.15.46- o qual, tendo comprado um pano de linho, tirou da cruz o corpo, envolveu-o no pano e o depositou num sepulcro aberto em rocha; e rolou uma pedra para a porta do sepulcro.

Mrc.15.47- E Maria Madalena e Maria, mãe de José, observavam onde fora posto.

Mrc.16.1- Ora, passado o sábado, Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago, e Salomé, compraram aromas para irem ungi-lo.

Mrc.16.2- E, no primeiro dia da semana, foram ao sepulcro muito cedo, ao levantar do sol.

Mrc.16.3- E diziam umas às outras: Quem nos revolverá a pedra da porta do sepulcro?

Mrc.16.4- Mas, levantando os olhos, notaram que a pedra, que era muito grande, já estava revolvida;

Mrc.16.5- e entrando no sepulcro, viram um moço sentado à direita, vestido de alvo manto; e ficaram atemorizadas.

Mrc.16.6- Ele, porém, lhes disse: Não vos atemorizeis; buscais a Jesus, o nazareno, que foi crucificado; ele ressurgiu; não está aqui; eis o lugar onde o puseram.

Mrc.16.7- Mas ide, dizei a seus discípulos, e a Pedro, que ele vai adiante de vós para a Galileia; ali o vereis, como ele vos disse.

Mrc.16.8- E, saindo elas, fugiram do sepulcro, porque estavam possuídas de medo e assombro; e não disseram nada a ninguém, porque temiam.

Mrc.16.9- [Ora, havendo Jesus ressurgido cedo no primeiro dia da semana, apareceu primeiramente a Maria Madalena, da qual tinha expulsado sete demónios.

Mrc.16.10- Foi ela anunciá-lo aos que haviam andado com ele, os quais estavam tristes e chorando;

Mrc.16.11- e ouvindo eles que vivia, e que tinha sido visto por ela, não o creram.

Mrc.16.12- Depois disso manifestou-se sob outra forma a dois deles que iam de caminho para o campo,

Mrc.16.13- os quais foram anunciá-lo aos outros; mas nem a estes deram crédito.

Mrc.16.14- Por último, então, apareceu aos onze, estando eles reclinados à mesa, e lançou-lhes em rosto a sua incredulidade e dureza de coração, por não haverem dado crédito aos que o tinham visto já ressurgido.

Mrc.16.15- E disse-lhes: Ide por todo o mundo, e pregai o evangelho a toda criatura.

Mrc.16.16- Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado.

Mrc.16.17- E estes sinais acompanharão aos que crerem: em meu nome expulsarão demónios; falarão novas línguas;

Mrc.16.18- pegarão em serpentes; e se beberem alguma coisa mortífera, não lhes fará dano algum; e porão as mãos sobre os enfermos, e estes serão curados.

Mrc.16.19- Ora, o Senhor, depois de lhes ter falado, foi recebido no céu, e assentou-se à direita de Deus.

Mrc.16.20- Eles, pois, saindo, pregaram por toda parte, cooperando com eles o Senhor, e confirmando a palavra com os sinais que os acompanhavam.

Lucas

Luc.1.1- Visto que muitos têm empreendido fazer uma narração coordenada dos fatos que entre nós se realizaram,

Luc.1.2- segundo no-los transmitiram os que desde o princípio foram testemunhas oculares e ministros da palavra,

Luc.1.3- também a mim, depois de haver investigado tudo cuidadosamente desde o começo, pareceu-me bem, ó excelentíssimo Teófilo, escrever-te uma narração em ordem.

Luc.1.4- para que conheças plenamente a verdade das coisas em que foste instruído.

Luc.1.5- Houve nos dias do Rei Herodes, rei da Judeia, um sacerdote chamado Zacarias, da turma de Abias; e sua mulher era descendente de Arão, e chamava-se Isabel.

Luc.1.6- Ambos eram justos diante de Deus, andando irrepreensíveis em todos os mandamentos e preceitos do Senhor.

Luc.1.7- Mas não tinham filhos, porque Isabel era estéril, e ambos avançados em idade.

Luc.1.8- Ora, estando ele a exercer as funções sacerdotais perante Deus, na ordem da sua turma,

Luc.1.9- segundo o costume do sacerdócio, coube-lhe por sorte entrar no santuário do Senhor, para oferecer o incenso;

Luc.1.10- e toda a multidão do povo orava da parte de fora, à hora do incenso.

Luc.1.11- Apareceu-lhe, então, um anjo do Senhor, em pé à direita do altar do incenso.

Luc.1.12- E Zacarias, vendo-o, ficou turbado, e o temor o assaltou.

Luc.1.13- Mas o anjo lhe disse: Não temais, Zacarias; porque a tua oração foi ouvida, e Isabel, tua mulher, te dará à luz um filho, e lhe porás o nome de João;

Luc.1.14- e terás alegria e regozijo, e muitos se alegrarão com o seu nascimento;

Luc.1.15- porque ele será grande diante do Senhor; não beberá vinho, nem bebida forte; e será cheio do Espírito Santo já desde o ventre de sua mãe;

Luc.1.16- converterá muitos dos filhos de Israel ao Senhor seu Deus;

Luc.1.17- irá adiante dele no espírito e poder de Elias, para converter os corações dos pais aos filhos, e os rebeldes à prudência dos justos, a fim de preparar para o Senhor um povo apercebido.

Luc.1.18- Disse então Zacarias ao anjo: Como terei certeza disso? Pois eu sou velho, e minha mulher também está avançada em idade.

Luc.1.19- Ao que lhe respondeu o anjo: Eu sou Gabriel, que assisto diante de Deus, e fui enviado para te falar e te dar estas boas novas;

Luc.1.20- e eis que ficarás mudo, e não poderás falar até o dia em que estas coisas aconteçam; porquanto não creste nas minhas palavras, que a seu tempo hão-de cumprir-se.

Luc.1.21- O povo estava esperando Zacarias, e se admirava da sua demora no santuário.

Luc.1.22- Quando saiu, porém, não lhes podia falar, e perceberam que tivera uma visão no santuário. E falava-lhes por acenos, mas permanecia mudo.

Luc.1.23- E, terminados os dias do seu ministério, voltou para casa.

Luc.1.24- Depois desses dias Isabel, sua mulher, concebeu, e por cinco meses se ocultou, dizendo:

Luc.1.25- Assim me fez o Senhor nos dias em que atentou para mim, a fim de acabar com o meu opróbrio diante dos homens.

Luc.1.26- Ora, no sexto mês, foi o anjo Gabriel enviado por Deus a uma cidade da Galileia, chamada Nazaré,

Luc.1.27- a uma virgem desposada com um varão cujo nome era José, da casa de David; e o nome da virgem era Maria.

Luc.1.28- E, entrando o anjo onde ela estava disse: Salve, agraciada; o Senhor é contigo.

Luc.1.29- Ela, porém, ao ouvir estas palavras, turbou-se muito e pôs-se a pensar que saudação seria essa.

Luc.1.30- Disse-lhe então o anjo: Não temas, Maria; pois achaste graça diante de Deus.

Luc.1.31- Eis que conceberás e darás à luz um filho, ao qual porás o nome de Jesus.

Luc.1.32- Este será grande e será chamado filho do Altíssimo; o Senhor Deus lhe dará o trono de David seu pai;

Luc.1.33- e reinará eternamente sobre a casa de Jacob, e o seu reino não terá fim.

Luc.1.34- Então Maria perguntou ao anjo: Como se fará isso, uma vez que não conheço varão?

Luc.1.35- Respondeu-lhe o anjo: Virá sobre ti o Espírito Santo, e o poder do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra; por isso o que há-de nascer será chamado santo, Filho de Deus.

Luc.1.36- Eis que também Isabel, tua parenta concebeu um filho em sua velhice; e é este o sexto mês para aquela que era chamada estéril;

Luc.1.37- porque para Deus nada será impossível.

Luc.1.38- Disse então Maria. Eis aqui a serva do Senhor; cumpra-se em mim segundo a tua palavra. E o anjo ausentou-se dela.

Luc.1.39- Naqueles dias levantou-se Maria, foi apressadamente à região montanhosa, a uma cidade de Judá,

Luc.1.40- entrou em casa de Zacarias e saudou a Isabel.

Luc.1.41- Ao ouvir Isabel a saudação de Maria, saltou a criancinha no seu ventre, e Isabel ficou cheia do Espírito Santo,

Luc.1.42- e exclamou em alta voz: Bendita és tu entre as mulheres, e bendito é o fruto do teu ventre!

Luc.1.43- E donde me provém isto, que venha visitar-me a mãe do meu Senhor?

Luc.1.44- Pois logo que me soou aos ouvidos a voz da tua saudação, a criancinha saltou de alegria dentro de mim.

Luc.1.45- Bem-aventurada aquela que creu que se hão-de cumprir as coisas que da parte do Senhor lhe foram ditas.

Luc.1.46- Disse então Maria: A minha alma engrandece ao Senhor,

Luc.1.47- e o meu espírito exulta em Deus meu Salvador;

Luc.1.48- porque atentou na condição humilde de sua serva. Desde agora, pois, todas as gerações me chamarão bem-aventurada,

Luc.1.49- porque o Poderoso me fez grandes coisas; e santo é o seu nome.

Luc.1.50- E a sua misericórdia vai de geração em geração sobre os que o temem.

Luc.1.51- Com o seu braço manifestou poder; dissipou os que eram soberbos nos pensamentos de seus corações;

Luc.1.52- depôs dos tronos os poderosos, e elevou os humildes.

Luc.1.53- Aos famintos encheu de bens, e vazios despediu os ricos.

Luc.1.54- Auxiliou a Isabel, seu servo, lembrando-se de misericórdia

Luc.1.55- (como falou a nossos pais) para com Abraão e a sua descendência para sempre.

Luc.1.56- E Maria ficou com ela cerca de três meses; e depois voltou para sua casa.

Luc.1.57- Ora, completou-se para Isabel o tempo de dar à luz, e teve um filho.

Luc.1.58- Ouviram seus vizinhos e parentes que o Senhor lhe multiplicara a sua misericórdia, e se alegravam com ela.

Luc.1.59- Sucedeu, pois, no oitavo dia, que vieram circuncidar o menino; e queriam dar-lhe o nome de seu pai, Zacarias.

Luc.1.60- Respondeu, porém, sua mãe: De modo nenhum, mas será chamado João.

Luc.1.61- Ao que lhe disseram: Ninguém há na tua parentela que se chame por este nome.

Luc.1.62- E perguntaram por acenos ao pai como queria que se chamasse.

Luc.1.63- E pedindo ele uma tabuinha, escreveu: Seu nome é João. E todos se admiraram.

Luc.1.64- Imediatamente a boca se lhe abriu, e a língua se lhe soltou; louvando a Deus.

Luc.1.65- Então veio temor sobre todos os seus vizinhos; e em toda a região montanhosa da Judeia foram divulgadas todas estas coisas.

Luc.1.66- E todos os que delas souberam as guardavam no coração, dizendo: Que virá a ser, então, este menino? Pois a mão do Senhor estava com ele.

Luc.1.67- Zacarias, seu pai, ficou cheio do Espírito Santo e profetizou, dizendo:

Luc.1.68- Bendito, seja o Senhor Deus de Israel, porque visitou e remiu o seu povo,

Luc.1.69- e para nós fez surgir uma salvação poderosa na casa de David, seu servo;

Luc.1.70- assim como desde os tempos antigos tem anunciado pela boca dos seus santos profetas;

Luc.1.71- para nos livrar dos nossos inimigos e da mão de todos os que nos odeiam;

Luc.1.72- para usar de misericórdia com nossos pais, e lembrar-se do seu santo pacto

Luc.1.73- e do juramento que fez a Abraão, nosso pai,

Luc.1.74- de conceder-nos que, libertados da mão de nossos inimigos, o servíssemos sem temor,

Luc.1.75- em santidade e justiça perante ele, todos os dias da nossa vida.

Luc.1.76- E tu, menino, serás chamado profeta do Altíssimo, porque irás ante a face do Senhor, a preparar os seus caminhos;

Luc.1.77- para dar ao seu povo conhecimento da salvação, na remissão dos seus pecados,

Luc.1.78- graças à entranhável misericórdia do nosso Deus, pela qual nos há-de visitar a aurora lá do alto,

Luc.1.79- para alumiar aos que jazem nas trevas e na sombra da morte, a fim de dirigir os nossos pés no caminho da paz.

Luc.1.80- Ora, o menino crescia, e se robustecia em espírito; e habitava nos desertos até o dia da sua manifestação a Israel.

Luc.2.1- Naqueles dias saiu um decreto da parte de César Augusto, para que todo o mundo fosse recenseado.

Luc.2.2- Este primeiro recenseamento foi feito quando Quirinio era governador da Síria.

Luc.2.3- E todos iam alistar-se, cada um à sua própria cidade.

Luc.2.4- Subiu também José, da Galileia, da cidade de Nazaré, à cidade de David, chamada Belém, porque era da casa e família de David,

Luc.2.5- a fim de alistar-se com Maria, sua esposa, que estava grávida.

Luc.2.6- Enquanto estavam ali, chegou o tempo em que ela havia de dar à luz,

Luc.2.7- e teve a seu filho primogénito; envolveu-o em faixas e o deitou em uma manjedoura, porque não havia lugar para eles na estalagem.

Luc.2.8- Ora, havia naquela mesma região pastores que estavam no campo, e guardavam durante as vigílias da noite o seu rebanho.

Luc.2.9- E um anjo do Senhor apareceu-lhes, e a glória do Senhor os cercou de resplendor; pelo que se encheram de grande temor.

Luc.2.10- O anjo, porém, lhes disse: Não temais, porquanto vos trago novas de grande alegria que o será para todo o povo:

Luc.2.11- É que vos nasceu hoje, na cidade de David, o Salvador, que é Cristo, o Senhor.

Luc.2.12- E isto vos será por sinal: Achareis um menino envolto em faixas, e deitado em uma manjedoura.

Luc.2.13- Então, de repente, apareceu junto ao anjo grande multidão da milícia celestial, louvando a Deus e dizendo:

Luc.2.14- Glória a Deus nas maiores alturas, e paz na terra entre os homens a quem ele quer bem.

Luc.2.15- E logo que os anjos se retiraram deles para o céu, diziam os pastores uns aos outros: Vamos já até Belém, e vejamos isso que aconteceu e que o Senhor nos deu a conhecer.

Luc.2.16- Foram, pois, a toda a pressa, e acharam Maria e José, e o menino deitado na manjedoura;

Luc.2.17- e, vendo-o, divulgaram a palavra que acerca do menino lhes fora dita;

Luc.2.18- e todos os que a ouviram se admiravam do que os pastores lhes diziam.

Luc.2.19- Maria, porém, guardava todas estas coisas, meditando-as em seu coração.

Luc.2.20- E voltaram os pastores, glorificando e louvando a Deus por tudo o que tinham ouvido e visto, como lhes havia dito.

Luc.2.21- Quando se completaram os oito dias para ser circuncidado o menino, foi-lhe dado o nome de Jesus, que pelo anjo lhe fora posto antes de ser concebido.

Luc.2.22- Terminados os dias da purificação, segundo a lei de Moisés, levaram-no a Jerusalém, para apresentá-lo ao Senhor

Luc.2.23- (conforme está escrito na lei do Senhor: Todo primogénito será consagrado ao Senhor),

Luc.2.24- e para oferecerem um sacrifício segundo o disposto na lei do Senhor: um par de rolas, ou dois pombinhos.

Luc.2.25- Ora, havia em Jerusalém um homem cujo nome era Simeão; e este homem, justo e temente a Deus, esperava a consolação de Israel; e o Espírito Santo estava sobre ele.

Luc.2.26- E lhe fora revelado pelo Espírito Santo que ele não morreria antes de ver o Cristo do Senhor.

Luc.2.27- Assim pelo Espírito foi ao templo; e quando os pais trouxeram o menino Jesus, para fazerem por ele segundo o costume da lei,

Luc.2.28- Simeão o tomou em seus braços, e louvou a Deus, e disse:

Luc.2.29- Agora, Senhor, despede em paz o teu servo, segundo a tua palavra;

Luc.2.30- pois os meus olhos já viram a tua salvação,

Luc.2.31- a qual tu preparaste ante a face de todos os povos;

Luc.2.32- luz para revelação aos gentios, e para glória do teu povo Israel.

Luc.2.33- Enquanto isso, seu pai e sua mãe se admiravam das coisas que deles se diziam.

Luc.2.34- E Simeão os abençoou, e disse a Maria, mãe do menino: Eis que este é posto para queda e para levantamento de muitos em Israel, e para ser alvo de contradição,

Luc.2.35- sim, e uma espada trespassará a tua própria alma, para que se manifestem os pensamentos de muitos corações.

Luc.2.36- Havia também uma profetisa, Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser. Era já avançada em idade, tendo vivido com o marido sete anos desde a sua virgindade;

Luc.2.37- e era viúva, de quase oitenta e quatro anos. Não se afastava do templo, servindo a Deus noite e dia em jejuns e orações.

Luc.2.38- Chegando ela na mesma hora, deu graças a Deus, e falou a respeito do menino a todos os que esperavam a redenção de Jerusalém.

Luc.2.39- Assim que cumpriram tudo segundo a lei do Senhor, voltaram à Galileia, para sua cidade de Nazaré.

Luc.2.40- E o menino ia crescendo e fortalecendo-se, ficando cheio de sabedoria; e a graça de Deus estava sobre ele.

Luc.2.41- Ora, seus pais iam todos os anos a Jerusalém, à festa da Páscoa.

Luc.2.42- Quando Jesus completou doze anos, subiram eles segundo o costume da festa;

Luc.2.43- e, terminados aqueles dias, ao regressarem, ficou o menino Jesus em Jerusalém sem o saberem seus pais;

Luc.2.44- julgando, porém, que estivesse entre os companheiros de viagem, andaram caminho de um dia, e o procuravam entre os parentes e conhecidos;

Luc.2.45- e não o achando, voltaram a Jerusalém em busca dele.

Luc.2.46- E aconteceu que, passados três dias, o acharam no templo, sentado no meio dos doutores, ouvindo-os, e interrogando-os.

Luc.2.47- E todos os que o ouviam se admiravam da sua inteligência e das suas respostas.

Luc.2.48- Quando o viram, ficaram maravilhados, e disse-lhe sua mãe: Filho, por que procedeste assim para connosco? Eis que teu pai e eu ansiosos te procurávamos.

Luc.2.49- Respondeu-lhes ele: Por que me procuráveis? Não sabíeis que eu devia estar na casa de meu Pai?

Luc.2.50- Eles, porém, não entenderam as palavras que lhes dissera.

Luc.2.51- Então, descendo com eles, foi para Nazaré, e era-lhes sujeito. E sua mãe guardava todas estas coisas em seu coração.

Luc.2.52- E crescia Jesus em sabedoria, em estatura e em graça diante de Deus e dos homens.

Luc.3.1- No décimo quinto ano do reinado de Tibério César, sendo Pôncio Pilatos governador da Judeia, Herodes tetrarca da Galileia, seu irmão Filipe tetrarca da região da Itureia e de Traconites, e Lisânias tetrarca de Abilínia,

Luc.3.2- sendo Anás e Caifás sumos-sacerdotes, veio a palavra de Deus a João, filho de Zacarias, no deserto.

Luc.3.3- E ele percorreu toda a circunvizinhança do Jordão, pregando o batismo de arrependimento para remissão de pecados;

Luc.3.4- como está escrito no livro das palavras do profeta Isaías: Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor; endireitai as suas veredas.

Luc.3.5- Todo vale se encherá, e se abaixará todo monte e outeiro; o que é tortuoso se endireitará, e os caminhos escabrosos se aplanarão;

Luc.3.6- e toda a carne verá a salvação de Deus.

Luc.3.7- João dizia, pois, às multidões que saíam para ser batizadas por ele: Raça de víboras, quem vos ensina a fugir da ira vindoura?

Luc.3.8- Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento; e não comeceis a dizer em vós mesmos: Temos por pai a Abraão; porque eu vos digo que até destas pedras Deus pode suscitar filhos a Abraão.

Luc.3.9- Também já está posto o machado à raiz das árvores; toda árvore, pois, que não produz bom fruto, é cortada e lançada no fogo.

Luc.3.10- Ao que lhe perguntavam as multidões: Que faremos, pois?

Luc.3.11- Respondia-lhes então: Aquele que tem duas túnicas, reparta com o que não tem nenhuma, e aquele que tem alimentos, faça o mesmo.

Luc.3.12- Chegaram também uns publicanos para serem batizados, e perguntaram-lhe: Mestre, que havemos nós de fazer?

Luc.3.13- Respondeu-lhes ele: Não cobreis além daquilo que vos foi prescrito.

Luc.3.14- Interrogaram-no também uns soldados: E nós, que faremos? Disse-lhes: A ninguém queirais extorquir coisa alguma; nem deis denúncia falsa; e contentai-vos com o vosso soldo.

Luc.3.15- Ora, estando o povo em expectativa e arrazoando todos em seus corações a respeito de João, se porventura seria ele o Cristo,

Luc.3.16- respondeu João a todos, dizendo: Eu, na verdade, vos batizo com água, mas vem aquele que é mais poderoso do que eu, de quem não sou digno de desatar a correia das alparcas; ele vos batizará com o Espírito Santo e com fogo.

Luc.3.17- A sua pá ele tem na mão para limpar bem a sua eira, e recolher o trigo ao seu celeiro; mas queimará a palha em fogo inextinguível.

Luc.3.18- Assim pois, com muitas outras exortações ainda, anunciava o evangelho ao povo.

Luc.3.19- Mas o tetrarca Herodes, sendo repreendido por ele por causa de Herodias, mulher de seu irmão, e por todas as maldades que havia feito,

Luc.3.20- acrescentou a todas elas ainda esta, a de encerrar João no cárcere.

Luc.3.21- Quando todo o povo fora batizado, tendo sido Jesus também batizado, e estando ele a orar, o céu se abriu;

Luc.3.22- e o Espírito Santo desceu sobre ele em forma corpórea, como uma pomba; e ouviu-se do céu esta voz: Tu és o meu Filho amado; em ti me comprazo.

Luc.3.23- Ora, Jesus, ao começar o seu ministério, tinha cerca de trinta anos; sendo (como se cuidava) filho de José, filho de Eli;

Luc.3.24- Eli de Matate, Matate de Levi, Levi de Melqui, Melqui de Janai, Janai de José,

Luc.3.25- José de Matatias, Matatias de Amós, Amós de Naum, Naum de Esli, Esli de Nagai,

Luc.3.26- Nagai de Maate, Maate de Matatias, Matatias de Semei, Semei de Joseque, Joseque de Jodá,

Luc.3.27- Jodá de Joanã, Joanã de Resa, Resa de Zorobabel, Zorobabel de Salatiel, Salatiel de Neri,

Luc.3.28- Neri de Melqui, Melqui de Adi, Adi de Cosão, Cosão de Elmodã, Elmodão de Er,

Luc.3.29- Er de Josué, Josué de Eliézer, Eliézer de Jorim, Jorim de Matate, Matate de Levi,

Luc.3.30- Levi de Simeão, Simeão de Judá, Judá de José, José de Jonã, Jonã de Eliaquim,

Luc.3.31- Eliaquim de Meleá, Meleá de Mená, Mená de Matatá, Matatá de Natã, Natã de David,

Luc.3.32- David de Jessé, Jessé de Obede, Obede de Boaz, Boaz de Salá, Salá de Nasom,

Luc.3.33- Nasom de Aminadabe, Aminadabe de Admim, Admim de Arni, Arni de Esrom, Esrom de Farés, Farés de Judá,

Luc.3.34- Judá de Jacob, Jacob de Isaque, Isaque de Abraão, Abraão de Tará, Tará de Naor,

Luc.3.35- Naor de Seruque, Seruque de Ragaú, Ragaú de Faleque, Faleque de Eber, Eber de Salá,

Luc.3.36- Salá de Cainã, Cainã de Arfaxade, Arfaxade de Sem, Sem de Noé, Noé de Lameque,

Luc.3.37- Lameque de Matusalém, Matusalém de Enoque, Enoque de Jarede, Jarede de Maleleel, Maleleel de Cainã,

Luc.3.38- Cainã de Enos, Enos de Sete, Sete de Adão, e Adão de Deus.

Luc.4.1- Jesus, pois, cheio do Espírito Santo, voltou do Jordão; e era levado pelo Espírito no deserto,

Luc.4.2- durante quarenta dias, sendo tentado pelo Diabo. E naqueles dias não comeu coisa alguma; e terminados eles, teve fome.

Luc.4.3- Disse-lhe então o Diabo: Se tu és Filho de Deus, manda a esta pedra que se torne em pão.

Luc.4.4- Jesus, porém, lhe respondeu: Está escrito: Nem só de pão viverá o homem.

Luc.4.5- Então o Diabo, levando-o a um lugar elevado, mostrou-lhe num relance todos os reinos do mundo.

Luc.4.6- E disse-lhe: Dar-te-ei toda a autoridade e glória destes reinos, porque me foi entregue, e a dou a quem eu quiser;

Luc.4.7- se tu, me adorares, será toda tua.

Luc.4.8- Respondeu-lhe Jesus: Está escrito: Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele servirás.

Luc.4.9- Então o levou a Jerusalém e o colocou sobre o pináculo do templo e lhe disse: Se tu és Filho de Deus, lança-te daqui abaixo;

Luc.4.10- porque está escrito: Aos seus anjos ordenará a teu respeito, que te guardem;

Luc.4.11- e: eles te susterão nas mãos, para que nunca tropeces em alguma pedra.

Luc.4.12- Respondeu-lhe Jesus: Dito está: Não tentarás o Senhor teu Deus.

Luc.4.13- Assim, tendo o Diabo acabado toda sorte de tentação, retirou-se dele até ocasião oportuna.

Luc.4.14- Então voltou Jesus para a Galileia no poder do Espírito; e a sua fama correu por toda a circunvizinhança.

Luc.4.15- Ensinava nas sinagogas deles, e por todos era louvado.

Luc.4.16- Chegando a Nazaré, onde fora criado; entrou na sinagoga no dia de sábado, segundo o seu costume, e levantou-se para ler.

Luc.4.17- Foi-lhe entregue o livro do profeta Isaías; e abrindo-o, achou o lugar em que estava escrito:

Luc.4.18- O Espírito do Senhor está sobre mim, porquanto me ungiu para anunciar boas novas aos pobres; enviou-me para proclamar libertação aos cativos, e restauração da vista aos cegos, para pôr em liberdade os oprimidos,

Luc.4.19- e para proclamar o ano aceitável do Senhor.

Luc.4.20- E fechando o livro, devolveu-o ao assistente e sentou-se; e os olhos de todos na sinagoga estavam fitos nele.

Luc.4.21- Então começou a dizer-lhes: Hoje se cumpriu esta escritura aos vossos ouvidos.

Luc.4.22- E todos lhe davam testemunho, e se admiravam das palavras de graça que saíam da sua boca; e diziam: Este não é filho de José?

Luc.4.23- Disse-lhes Jesus: Sem dúvida me direis este provérbio: Médico, cura-te a ti mesmo; Tudo o que ouvimos teres feito em Cafarnaum, faz também aqui na tua terra.

Luc.4.24- E prosseguiu: Em verdade vos digo que nenhum profeta é aceito na sua terra.

Luc.4.25- Em verdade vos digo que muitas viúvas havia em Israel nos dias de Elias, quando céu se fechou por três anos e seis meses, de sorte que houve grande fome por toda a terra;

Luc.4.26- e a nenhuma delas foi enviado Elias, senão a uma viúva em Serepta de Sídon.

Luc.4.27- Também muitos leprosos havia em Israel no tempo do profeta Eliseu, mas nenhum deles foi purificado senão Naamã, o sírio.

Luc.4.28- Todos os que estavam na sinagoga, ao ouvirem estas coisas, ficaram cheios de ira.

Luc.4.29- e, levantando-se, expulsaram-no da cidade e o levaram até o despenhadeiro do monte em que a sua cidade estava edificada, para dali o precipitarem.

Luc.4.30- Ele, porém, passando pelo meio deles, seguiu o seu caminho.

Luc.4.31- Então desceu a Cafarnaum, cidade da Galileia, e os ensinava no sábado.

Luc.4.32- e maravilharam-se da sua doutrina, porque a sua palavra era com autoridade.

Luc.4.33- Havia na sinagoga um homem que tinha o espírito de um demónio imundo; e gritou em alta voz:

Luc.4.34- Ah! Que temos nós contigo, Jesus, nazareno? Vieste destruir-nos? Bem sei quem és: o Santo de Deus.

Luc.4.35- Mas Jesus o repreendeu, dizendo: Cala-te, e sai dele. E o demónio, tendo-o lançado por terra no meio do povo, saiu dele sem lhe fazer mal algum.

Luc.4.36- E veio espanto sobre todos, e falavam entre si, perguntando uns aos outros: Que palavra é esta, pois com autoridade e poder ordena aos espíritos imundos, e eles saem?

Luc.4.37- E se divulgava a sua fama por todos os lugares da circunvizinhança.

Luc.4.38- Ora, levantando-se Jesus, saiu da sinagoga e entrou em casa de Simão; e estando a sogra de Simão enferma com muita febre, rogaram-lhe por ela.

Luc.4.39- E ele, inclinando-se para ela, repreendeu a febre, e esta a deixou. Imediatamente ela se levantou e os servia.

Luc.4.40- Ao pôr-do-sol, todos os que tinham enfermos de várias doenças lhos traziam; e ele punha as mãos sobre cada um deles e os curava.

Luc.4.41- Também de muitos saíam demónios, gritando e dizendo: Tu és o Filho de Deus. Ele, porém, os repreendia, e não os deixava falar; pois sabiam que ele era o Cristo.

Luc.4.42- Ao romper do dia saiu, e foi a um lugar deserto; e as multidões procuravam-no e, vindo a ele, queriam detê-lo, para que não se ausentasse delas.

Luc.4.43- Ele, porém, lhes disse: É necessário que também às outras cidades eu anuncie o evangelho do reino de Deus; porque para isso é que fui enviado.

Luc.4.44- E pregava nas sinagogas da Judeia.

Luc.5.1- Certa vez, quando a multidão apertava Jesus para ouvir a palavra de Deus, ele estava junto ao lago de Genesaré;

Luc.5.2- e viu dois barcos junto à praia do lago; mas os pescadores haviam descido deles, e estavam lavando as redes.

Luc.5.3- Entrando ele num dos barcos, que era o de Simão, pediu-lhe que o afastasse um pouco da terra; e, sentando-se, ensinava do barco as multidões.

Luc.5.4- Quando acabou de falar, disse a Simão: Faz-te ao largo e lançai as vossas redes para a pesca.

Luc.5.5- Ao que disse Simão: Mestre, trabalhamos a noite toda, e nada apanhamos; mas, sobre tua palavra, lançarei as redes.

Luc.5.6- Feito isto, apanharam uma grande quantidade de peixes, de modo que as redes se rompiam.

Luc.5.7- Acenaram então aos companheiros que estavam no outro barco, para virem ajudá-los. Eles, pois, vieram, e encheram ambos os barcos, de maneira tal que quase iam a pique.

Luc.5.8- Vendo isso Simão Pedro, prostrou-se aos pés de Jesus, dizendo: Retira-te de mim, Senhor, porque sou um homem pecador.

Luc.5.9- Pois, à vista da pesca que haviam feito, o espanto se apoderara dele e de todos os que com ele estavam,

Luc.5.10- bem como de Tiago e João, filhos de Zebedeu, que eram sócios de Simão. Disse Jesus a Simão: Não temas; de agora em diante serás pescador de homens.

Luc.5.11- E, levando eles os barcos para a terra, deixaram tudo e o seguiram.

Luc.5.12- Estando ele numa das cidades, apareceu um homem cheio de lepra que, vendo a Jesus, prostrou-se com o rosto em terra e suplicou-lhe: Senhor, se quiseres, bem podes tornar-me limpo.

Luc.5.13- Jesus, pois, estendendo a mão, tocou-lhe, dizendo: Quero; sê limpo. No mesmo instante desapareceu dele a lepra.

Luc.5.14- Ordenou-lhe, então, que a ninguém contasse isto. Mas vai, disse ele, mostra-te ao sacerdote e faz a oferta pela tua purificação, conforme Moisés determinou, para lhes servir de testemunho.

Luc.5.15- A sua fama, porém, se divulgava cada vez mais, e grandes multidões se ajuntavam para ouvi-lo e serem curadas das suas enfermidades.

Luc.5.16- Mas ele se retirava para os desertos, e ali orava.

Luc.5.17- Um dia, quando ele estava ensinando, achavam-se ali sentados fariseus e doutores da lei, que tinham vindo de todas as aldeias da Galileia e da Judeia, e de Jerusalém; e o poder do Senhor estava com ele para curar.

Luc.5.18- E eis que uns homens, trazendo num leito um paralítico, procuravam introduzi-lo e pô-lo diante dele.

Luc.5.19- Mas, não achando por onde o pudessem introduzir por causa da multidão, subiram ao eirado e, por entre as telhas, o baixaram com o leito, para o meio de todos, diante de Jesus.

Luc.5.20- E vendo-lhes a fé, disse ele: Homem, são-te perdoados os teus pecados.

Luc.5.21- Então os escribas e os fariseus começaram a arrazoar, dizendo: Quem é este que profere blasfémias? Quem pode perdoar pecados, senão só Deus?

Luc.5.22- Jesus, porém, percebendo os seus pensamentos, respondeu, e disse-lhes: Por que arrazoais em vossos corações?

Luc.5.23- Qual é mais fácil? Dizer: São-te perdoados os teus pecados; ou dizer: Levanta-te, e anda?

Luc.5.24- Ora, para que saibais que o Filho do homem tem sobre a terra autoridade para perdoar pecados (disse ao paralítico), a ti te digo: Levanta-te, toma o teu leito e vai para tua casa.

Luc.5.25- Imediatamente se levantou diante deles, tomou o leito em que estivera deitado e foi para sua casa, glorificando a Deus.

Luc.5.26- E, tomados de pasmo, todos glorificavam a Deus; e diziam, cheios de temor: Hoje vimos coisas extraordinárias.

Luc.5.27- Depois disso saiu e, vendo um publicano chamado Levi, sentado na recebedoria, disse-lhe: Segue-me.

Luc.5.28- Este, deixando tudo, levantou-se e o seguiu.

Luc.5.29- Deu-lhe então Levi um lauto banquete em sua casa; havia ali grande número de publicanos e outros que estavam com eles à mesa.

Luc.5.30- Murmuravam, pois, os fariseus e seus escribas contra os discípulos, perguntando: Por que comeis e bebeis com publicanos e pecadores?

Luc.5.31- Respondeu-lhes Jesus: Não necessitam de médico os sãos, mas sim os enfermos;

Luc.5.32- eu não vim chamar justos, mas pecadores, ao arrependimento.

Luc.5.33- Disseram-lhe eles: Os discípulos de João jejuam frequentemente e fazem orações, como também os dos fariseus, mas os teus comem e bebem.

Luc.5.34- Respondeu-lhes Jesus: Podeis, porventura, fazer jejuar os convidados às núpcias enquanto o noivo está com eles?

Luc.5.35- Dias virão, porém, em que lhes será tirado o noivo; naqueles dias, sim hão-de jejuar.

Luc.5.36- Propôs-lhes também uma parábola: Ninguém tira um pedaço de um vestido novo para o coser em vestido velho; do contrário, não somente rasgará o novo, mas também o pedaço do novo não condirá com o velho.

Luc.5.37- E ninguém deita vinho novo em odres velhos; do contrário, o vinho novo romperá os odres e se derramará, e os odres se perderão;

Luc.5.38- mas vinho novo deve ser deitado em odres novos.

Luc.5.39- E ninguém, tendo bebido o velho, quer o novo; porque diz: O velho é que é bom.

Luc.6.1- E sucedeu que, num dia de sábado, passava Jesus pelas searas; e seus discípulos iam colhendo espigas e, debulhando-as com as mãos, as comiam.

Luc.6.2- Alguns dos fariseus, porém, perguntaram; Por que estais fazendo o que não é lícito fazer nos sábados?

Luc.6.3- E Jesus, respondendo-lhes, disse: Nem ao menos tendes lido o que fez David quando teve fome, ele e seus companheiros?

Luc.6.4- Como entrou na casa de Deus, tomou os pães da proposição, dos quais não era lícito comer senão só aos sacerdotes, e deles comeu e deu também aos companheiros?

Luc.6.5- Também lhes disse: O Filho do homem é Senhor do sábado.

Luc.6.6- Ainda em outro sábado entrou na sinagoga, e pôs-se a ensinar. Estava ali um homem que tinha a mão direita atrofiada.

Luc.6.7- E os escribas e os fariseus observavam-no, para ver se curaria em dia de sábado, para acharem de que o acusar.

Luc.6.8- Mas ele, conhecendo-lhes os pensamentos, disse ao homem que tinha a mão atrofiada: Levanta-te, e fica em pé aqui no meio. E ele, levantando-se, ficou em pé.

Luc.6.9- Disse-lhes, então, Jesus: Eu vos pergunto: É lícito no sábado fazer bem, ou fazer mal? Salvar a vida, ou tirá-la?

Luc.6.10- E olhando para todos em redor, disse ao homem: Estende a tua mão. Ele assim o fez, e a mão lhe foi restabelecida.

Luc.6.11- Mas eles se encheram de furor; e uns com os outros conferenciam sobre o que fariam a Jesus.

Luc.6.12- Naqueles dias retirou-se para o monte a fim de orar; e passou a noite toda em oração a Deus.

Luc.6.13- Depois do amanhecer, chamou seus discípulos, e escolheu doze dentre eles, aos quais deu também o nome de apóstolos:

Luc.6.14- Simão, ao qual também chamou Pedro, e André, seu irmão; Tiago e João; Filipe e Bartolomeu;

Luc.6.15- Mateus e Tomé; Tiago, filho de Alfeu, e Simão, chamado Zelote;

Luc.6.16- Judas, filho de Tiago; e Judas Iscariotes, que veio a ser o traidor.

Luc.6.17- E Jesus, descendo com eles, parou num lugar plano, onde havia não só grande número de seus discípulos, mas também grande multidão do povo, de toda a Judeia e Jerusalém, e do litoral de Tiro e de Sídon, que tinham vindo para ouvi-lo e serem curados das suas doenças;

Luc.6.18- e os que eram atormentados por espíritos imundos ficavam curados.

Luc.6.19- E toda a multidão procurava tocar-lhe; porque saía dele poder que curava a todos.

Luc.6.20- Então, levantando ele os olhos para os seus discípulos, dizia: Bem-aventurados vós, os pobres, porque vosso é o reino de Deus.

Luc.6.21- Bem-aventurados vós, que agora tendes fome, porque sereis fartos. Bem-aventurados vós, que agora chorais, porque haveis de rir.

Luc.6.22- Bem-aventurados sereis quando os homens vos odiarem, e quando vos expulsarem da sua companhia, e vos injuriarem, e rejeitarem o vosso nome como indigno, por causa do Filho do homem.

Luc.6.23- Regozijai-vos nesse dia e exultai, porque eis que é grande o vosso galardão no céu; pois assim faziam os seus pais aos profetas.

Luc.6.24- Mas ai de vós que sois ricos! Porque já recebestes a vossa consolação.

Luc.6.25- Ai de vós, os que agora estais fartos! Porque tereis fome. Ai de vós, os que agora rides! Porque vos lamentareis e chorareis.

Luc.6.26- Ai de vós, quando todos os homens vos louvarem! Porque assim faziam os seus pais aos falsos profetas.

Luc.6.27- Mas a vós que ouvis, digo: Amai a vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam,

Luc.6.28- bendizei aos que vos maldizem, e orai pelos que vos caluniam.

Luc.6.29- Ao que te ferir numa face, oferece-lhe também a outra; e ao que te houver tirado a capa, não lhe negues também a túnica.

Luc.6.30- Dá a todo o que te pedir; e ao que tomar o que é teu, não lho reclames.

Luc.6.31- Assim como quereis que os homens vos façam, do mesmo modo lhes fazei vós também.

Luc.6.32- Se amardes aos que vos amam, que mérito há nisso? Pois também os pecadores amam aos que os amam.

Luc.6.33- E se fizerdes bem aos que vos fazem bem, que mérito há nisso? Também os pecadores fazem o mesmo.

Luc.6.34- E se emprestardes àqueles de quem esperais receber, que mérito há nisso? Também os pecadores emprestam aos pecadores, para receberem outro tanto.

Luc.6.35- Amai, porém a vossos inimigos, fazei bem e emprestai, nunca desanimando; e grande será a vossa recompensa, e sereis filhos do Altíssimo; porque ele é benigno até para com os ingratos e maus.

Luc.6.36- Sede misericordiosos, como também vosso Pai é misericordioso.

Luc.6.37- Não julgueis, e não sereis julgados; não condeneis, e não sereis condenados; perdoai, e sereis perdoados.

Luc.6.38- Dai, e ser-vos-á dado; boa medida, recalcada, sacudida e transbordando vos deitarão no regaço; porque com a mesma medida com que medis, vos medirão a vós.

Luc.6.39- E propôs-lhes também uma parábola: Pode porventura um cego guiar outro cego? Não cairão ambos no barranco?

Luc.6.40- Não é o discípulo mais do que o seu mestre; mas todo o que for bem instruído será como o seu mestre.

Luc.6.41- Por que vês o argueiro no olho de teu irmão, e não reparas na trave que está no teu próprio olho?

Luc.6.42- Ou como podes dizer a teu irmão: Irmão, deixa-me tirar o argueiro que está no teu olho, não vendo tu mesmo a trave que está no teu? Hipócrita! Tira primeiro a trave do teu olho; e então verás bem para tirar o argueiro que está no olho de teu irmão.

Luc.6.43- Porque não há árvore boa que dê mau fruto nem tampouco árvore má que dê bom fruto.

Luc.6.44- Porque cada árvore se conhece pelo seu próprio fruto; pois dos espinheiros não se colhem figos, nem dos abrolhos se vindimam uvas.

Luc.6.45- O homem bom, do bom tesouro do seu coração tira o bem; e o homem mau, do seu mau tesouro tira o mal; pois do que há em abundância no coração, disso fala a boca.

Luc.6.46- E por que me chamais: Senhor, Senhor, e não fazeis o que eu vos digo?

Luc.6.47- Todo aquele que vem a mim, e ouve as minhas palavras, e as pratica, eu vos mostrarei a quem é semelhante.

Luc.6.48- É semelhante ao homem que, edificando uma casa, cavou, abriu profunda vala, e pôs os alicerces sobre a rocha; e vindo a enchente, bateu com ímpeto a torrente naquela casa, e não a pôde abalar, porque tinha sido bem edificada.

Luc.6.49- Mas o que ouve e não pratica é semelhante a um homem que edificou uma casa sobre terra, sem alicerces, na qual bateu com ímpeto a torrente, e logo caiu; e foi grande a ruína daquela casa.

Luc.7.1- Quando acabou de proferir todas estas palavras aos ouvidos do povo, entrou em Cafarnaum.

Luc.7.2- E um servo de certo centurião, de quem era muito estimado, estava doente, quase à morte.

Luc.7.3- O centurião, pois, ouvindo falar de Jesus, enviou-lhes uns anciãos dos judeus, a pedir-lhe que viesse curar o seu servo.

Luc.7.4- E chegando eles junto de Jesus, rogavam-lhe com instância, dizendo: É digno de que lhe concedas isto;

Luc.7.5- porque ama a nossa nação, e ele mesmo nos edificou a sinagoga.

Luc.7.6- Ia, pois, Jesus com eles; mas, quando já estava perto da casa, enviou o centurião uns amigos a dizer-lhe: Senhor, não te incomodes; porque não sou digno de que entres debaixo do meu telhado;

Luc.7.7- por isso nem ainda me julguei digno de ir à tua presença; diz, porém, uma palavra, e seja o meu servo curado.

Luc.7.8- Pois também eu sou homem sujeito à autoridade, e tenho soldados às minhas ordens; e digo a este: Vai, e ele vai; e a outro: Vem, e ele vem; e ao meu servo: Faz isto, e ele o faz.

Luc.7.9- Jesus, ouvindo isso, admirou-se dele e, voltando-se para a multidão que o seguia, disse: Eu vos afirmo que nem mesmo em Israel encontrei tamanha fé.

Luc.7.10- E voltando para casa os que haviam sido enviados, encontraram o servo com saúde.

Luc.7.11- Pouco depois seguiu ele viagem para uma cidade chamada Naim; e iam com ele seus discípulos e uma grande multidão.

Luc.7.12- Quando chegou perto da porta da cidade, eis que levavam para fora um defunto, filho único de sua mãe, que era viúva; e com ela ia uma grande multidão da cidade.

Luc.7.13- Logo que o Senhor a viu, encheu-se de compaixão por ela, e disse-lhe: Não chores.

Luc.7.14- Então, chegando-se, tocou no esquife e, quando pararam os que o levavam, disse: Moço, a ti te digo: Levanta-te.

Luc.7.15- O que estivera morto sentou-se e começou a falar. Então Jesus o entregou à sua mãe.

Luc.7.16- O medo se apoderou de todos, e glorificavam a Deus, dizendo: Um grande profeta se levantou entre nós; e: Deus visitou o seu povo.

Luc.7.17- E correu a notícia disto por toda a Judeia e por toda a região circunvizinha.

Luc.7.18- Ora, os discípulos de João anunciaram-lhe todas estas coisas.

Luc.7.19- E João, chamando a dois deles, enviou-os ao Senhor para perguntar-lhe: És tu aquele que havia de vir, ou havemos de esperar outro?

Luc.7.20- Quando aqueles homens chegaram junto dele, disseram: João, o Batista, enviou-nos a perguntar-te: És tu aquele que havia de vir, ou havemos de esperar outro?

Luc.7.21- Naquela mesma hora, curou a muitos de doenças, de moléstias e de espíritos malignos; e deu vista a muitos cegos.

Luc.7.22- Então lhes respondeu: Ide, e contai a João o que tens visto e ouvido: os cegos vêem, os coxos andam, os leprosos são purificados, e os surdos ouvem; os mortos são ressuscitados, e aos pobres é anunciado o evangelho.

Luc.7.23- E bem-aventurado aquele que não se escandalizar de mim.

Luc.7.24- E, tendo-se retirado os mensageiros de João, Jesus começou a dizer às multidões a respeito de João: Que saístes a ver no deserto? Um caniço agitado pelo vento?

Luc.7.25- Mas que saístes a ver? Um homem trajado de vestes luxuosas? Eis que aqueles que trajam roupas preciosas, e vivem em delícias, estão nos paços reais.

Luc.7.26- Mas que saístes a ver? Um profeta? Sim, vos digo, e muito mais do que profeta.

Luc.7.27- Este é aquele de quem está escrito: Eis aí envio ante a tua face o meu mensageiro, que há-de preparar adiante de ti o teu caminho.

Luc.7.28- Pois eu vos digo que, entre os nascidos de mulher, não há nenhum maior do que João; mas aquele que é o menor no reino de Deus é maior do que ele.

Luc.7.29- E todo o povo que o ouviu, e até os publicanos, reconheceram a justiça de Deus, recebendo o batismo de João.

Luc.7.30- Mas os fariseus e os doutores da lei rejeitaram o desígnio de Deus quanto a si mesmos, não sendo batizados por ele.

Luc.7.31- A que, pois, compararei os homens desta geração, e a que são semelhantes?

Luc.7.32- São semelhantes aos meninos que, sentados nas praças, gritam uns para os outros: Tocámo-vos flauta, e não dançastes; cantamos lamentações, e não chorastes.

Luc.7.33- Porquanto veio João, o Batista, não comendo pão nem bebendo vinho, e dizeis: Tem demónio;

Luc.7.34- veio o Filho do homem, comendo e bebendo, e dizeis: Eis aí um comilão e bebedor de vinho, amigo de publicanos e pecadores.

Luc.7.35- Mas a sabedoria é justificada por todos os seus filhos.

Luc.7.36- Um dos fariseus convidou-o para comer com ele; e entrando em casa do fariseu, reclinou-se à mesa.

Luc.7.37- E eis que uma mulher pecadora que havia na cidade, quando soube que ele estava à mesa em casa do fariseu, trouxe um vaso de alabastro com bálsamo;

Luc.7.38- e estando por detrás, aos seus pés, chorando, começou a regar-lhe os pés com lágrimas e os enxugava com os cabelos da sua cabeça; e beijava-lhe os pés e ungia-os com o bálsamo.

Luc.7.39- Mas, ao ver isso, o fariseu que o convidara falava consigo, dizendo: Se este homem fosse profeta, saberia quem e de que qualidade é essa mulher que o toca, pois é uma pecadora.

Luc.7.40- E respondendo Jesus, disse-lhe: Simão, tenho uma coisa a dizer-te. Respondeu ele: Diz, Mestre.

Luc.7.41- Certo credor tinha dois devedores; um lhe devia quinhentos denários, e outro cinquenta.

Luc.7.42- Não tendo eles com que pagar, perdoou a ambos. Qual deles, pois, o amará mais?

Luc.7.43- Respondeu Simão: Suponho que é aquele a quem mais perdoou. Replicou-lhe Jesus: Julgaste bem.

Luc.7.44- E, voltando-se para a mulher, disse a Simão: Vês tu esta mulher? Entrei em tua casa, e não me deste água para os pés; mas esta com suas lágrimas os regou e com seus cabelos os enxugou.

Luc.7.45- Não me deste ósculo; ela, porém, desde que entrei, não tem cessado de beijar-me os pés.

Luc.7.46- Não me ungiste a cabeça com óleo; mas esta com bálsamo ungiu-me os pés.

Luc.7.47- Por isso te digo: Perdoados lhe são os pecados, que são muitos; porque ela muito amou; mas aquele a quem pouco se perdoa, pouco ama.

Luc.7.48- E disse a ela: Perdoados são os teus pecados.

Luc.7.49- Mas os que estavam com ele à mesa começaram a dizer entre si: Quem é este que até perdoa pecados?

Luc.7.50- Jesus, porém, disse à mulher: A tua fé te salvou; vai-te em paz.

Luc.8.1- Logo depois disso, andava Jesus de cidade em cidade, e de aldeia em aldeia, pregando e anunciando o evangelho do reino de Deus; e iam com ele os doze,

Luc.8.2- bem como algumas mulheres que haviam sido curadas de espíritos malignos e de enfermidades: Maria, chamada Madalena, da qual tinham saído sete demónios.

Luc.8.3- Joana, mulher de Cuza, procurador de Herodes, Susana, e muitas outras que os serviam com os seus bens.

Luc.8.4- Ora, ajuntando-se uma grande multidão, e vindo ter com ele gente de todas as cidades, disse Jesus por parábola:

Luc.8.5- Saiu o semeador a semear a sua semente. E quando semeava, uma parte da semente caiu à beira do caminho; e foi pisada, e as aves do céu a comeram.

Luc.8.6- Outra caiu sobre pedra; e, nascida, secou-se porque não havia humidade.

Luc.8.7- E outra caiu no meio dos espinhos; e crescendo com ela os espinhos, sufocaram-na.

Luc.8.8- Mas outra caiu em boa terra; e, nascida, produziu fruto, cem por um. Dizendo ele estas coisas, clamava: Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.

Luc.8.9- Perguntaram-lhe então seus discípulos o que significava essa parábola.

Luc.8.10- Respondeu ele: A vós é dado conhecer os mistérios do reino de Deus; mas aos outros se fala por parábolas; para que vendo, não vejam, e ouvindo, não entendam.

Luc.8.11- É, pois, esta a parábola: A semente é a palavra de Deus.

Luc.8.12- Os que estão à beira do caminho são os que ouvem; mas logo vem o Diabo e tira-lhe do coração a palavra, para que não suceda que, crendo, sejam salvos.

Luc.8.13- Os que estão sobre a pedra são os que, ouvindo a palavra, a recebem com alegria; mas estes não têm raiz, apenas crêem por algum tempo, mas na hora da provação se desviam.

Luc.8.14- A parte que caiu entre os espinhos são os que ouviram e, indo seu caminho, são sufocados pelos cuidados, riquezas, e deleites desta vida e não dão fruto com perfeição.

Luc.8.15- Mas a que caiu em boa terra são os que, ouvindo a palavra com coração recto e bom, a retêm e dão fruto com perseverança.

Luc.8.16- Ninguém, pois, acende uma candeia e a cobre com algum vaso, ou a põe debaixo da cama; mas põe-na no velador, para que os que entram vejam a luz.

Luc.8.17- Porque não há coisa encoberta que não haja de manifestar-se, nem coisa secreta que não haja de saber-se e vir à luz.

Luc.8.18- Vede, pois, como ouvis; porque a qualquer que tiver lhe será dado, e a qualquer que não tiver, até o que parece ter lhe será tirado.

Luc.8.19- Vieram, então, ter com ele sua mãe e seus irmãos, e não podiam aproximar-se dele por causa da multidão.

Luc.8.20- Foi-lhe dito: Tua mãe e teus irmãos estão lá fora, e querem ver-te.

Luc.8.21- Ele, porém, lhes respondeu: Minha mãe e meus irmãos são estes que ouvem a palavra de Deus e a observam.

Luc.8.22- Ora, aconteceu certo dia que entrou num barco com seus discípulos, e disse-lhes: Passemos à outra margem do lago. E partiram.

Luc.8.23- Enquanto navegavam, ele adormeceu; e desceu uma tempestade de vento sobre o lago; e o barco se enchia de água, de sorte que perigavam.

Luc.8.24- Chegando-se a ele, o despertaram, dizendo: Mestre, Mestre, estamos perecendo. E ele, levantando-se, repreendeu o vento e a fúria da água; e cessaram, e fez-se bonança.

Luc.8.25- Então lhes perguntou: Onde está a vossa fé? Eles, atemorizados, admiraram-se, dizendo uns aos outros: Quem, pois, é este, que até aos ventos e à água manda, e lhe obedecem?

Luc.8.26- Apontaram à terra dos gerasenos, que está defronte da Galileia.

Luc.8.27- Logo que saltou em terra, saiu-lhe ao encontro um homem da cidade, possesso de demónios, que havia muito tempo não vestia roupa, nem morava em casa, mas nos sepulcros.

Luc.8.28- Quando ele viu a Jesus, gritou, prostrou-se diante dele, e com grande voz exclamou: Que tenho eu contigo, Jesus, Filho do Deus Altíssimo? Rogo-te que não me atormentes.

Luc.8.29- Porque Jesus ordenara ao espírito imundo que saísse do homem. Pois já havia muito tempo que se apoderara dele; e guardavam-no preso com grilhões e cadeias; mas ele, quebrando as prisões, era impelido pelo demónio para os desertos.

Luc.8.30- Perguntou-lhe Jesus: Qual é o teu nome? Respondeu ele: Legião; porque tinham entrado nele muitos demónios.

Luc.8.31- E rogavam-lhe que não os mandasse para o abismo.

Luc.8.32- Ora, andava ali pastando no monte uma grande manada de porcos; rogaram-lhe, pois que lhes permitisse entrar neles, e lho permitiu.

Luc.8.33- E tendo os demónios saído do homem, entraram nos porcos; e a manada precipitou-se pelo despenhadeiro no lago, e afogou-se.

Luc.8.34- Quando os pastores viram o que acontecera, fugiram, e foram anunciá-lo na cidade e nos campos.

Luc.8.35- Saíram, pois, a ver o que tinha acontecido, e foram ter com Jesus, a cujos pés acharam sentado, vestido e em perfeito juízo, o homem de quem haviam saído os demónios; e se atemorizaram.

Luc.8.36- Os que tinham visto aquilo contaram-lhes como fora curado o endemoninhado.

Luc.8.37- Então todo o povo da região dos gerasenos rogou-lhe que se retirasse deles; porque estavam possuídos de grande medo. Pelo que ele entrou no barco, e voltou.

Luc.8.38- Pedia-lhe, porém, o homem de quem haviam saído os demónios que o deixasse estar com ele; mas Jesus o despediu, dizendo:

Luc.8.39- Volta para tua casa, e conta tudo quanto Deus te fez. E ele se retirou, publicando por toda a cidade tudo quanto Jesus lhe fizera.

Luc.8.40- Quando Jesus voltou, a multidão o recebeu; porque todos o estavam esperando.

Luc.8.41- E eis que veio um homem chamado Jairo, que era chefe da sinagoga; e prostrando-se aos pés de Jesus, rogava-lhe que fosse a sua casa;

Luc.8.42- porque tinha uma filha única, de cerca de doze anos, que estava à morte. Enquanto, pois, ele ia, apertavam-no as multidões.

Luc.8.43- E certa mulher, que tinha uma hemorragia havia doze anos [e gastara com os médicos todos os seus haveres] e por ninguém pudera ser curada,

Luc.8.44- chegando-se por detrás, tocou-lhe a orla do manto, e imediatamente cessou a sua hemorragia.

Luc.8.45- Perguntou Jesus: Quem é que me tocou? Como todos negassem, disse-lhe Pedro: Mestre, as multidões te apertam e te oprimem.

Luc.8.46- Mas disse Jesus: Alguém me tocou; pois percebi que de mim saiu poder.

Luc.8.47- Então, vendo a mulher que não passara despercebida, aproximou-se tremendo e, prostrando-se diante dele, declarou-lhe perante todo o povo a causa por que lhe havia tocado, e como fora imediatamente curada.

Luc.8.48- Disse-lhe ele: Filha, a tua fé te salvou; vai-te em paz.

Luc.8.49- Enquanto ainda falava, veio alguém da casa do chefe da sinagoga dizendo: A tua filha já está morta; não incomodes mais o Mestre.

Luc.8.50- Jesus, porém, ouvindo-o, respondeu-lhe: Não temas: crê somente, e será salva.

Luc.8.51- Tendo chegado à casa, a ninguém deixou entrar com ele, senão a Pedro, João, Tiago, e o pai e a mãe da menina.

Luc.8.52- E todos choravam e pranteavam; ele, porém, disse: Não choreis; ela não está morta, mas dorme.

Luc.8.53- E riam-se dele, sabendo que ela estava morta.

Luc.8.54- Então ele, tomando-lhe a mão, exclamou: Menina, levanta-te.

Luc.8.55- E o seu espírito voltou, e ela se levantou imediatamente; e Jesus mandou que lhe desse de comer.

Luc.8.56- E seus pais ficaram maravilhados; e ele mandou-lhes que a ninguém contassem o que havia sucedido.

Luc.9.1- Reunindo os doze, deu-lhes poder e autoridade sobre todos os demónios, e para curarem doenças;

Luc.9.2- e enviou-os a pregar o reino de Deus, e fazer curas,

Luc.9.3- dizendo-lhes: Nada leveis para o caminho, nem bordão, nem alforge, nem pão, nem dinheiro; nem tenhais duas túnicas.

Luc.9.4- Em qualquer casa em que entrardes, nela ficai, e dali partireis.

Luc.9.5- Mas, onde quer que não vos receberem, saindo daquela cidade, sacudi o pó dos vossos pés, em testemunho contra eles.

Luc.9.6- Saindo, pois, os discípulos percorreram as aldeias, anunciando o evangelho e fazendo curas por toda parte.

Luc.9.7- Ora, o tetrarca Herodes soube de tudo o que se passava, e ficou muito perplexo, porque diziam uns: João ressuscitou dos mortos;

Luc.9.8- outros: Elias apareceu; e outros: Um dos antigos profetas se levantou.

Luc.9.9- Herodes, porém, disse: A João eu mandei degolar; quem é, pois, este a respeito de quem ouço tais coisas? E procurava vê-lo.

Luc.9.10- Quando os apóstolos voltaram, contaram-lhe tudo o que havia feito. E ele, levando-os consigo, retirou-se à parte para uma cidade chamada Betsaida.

Luc.9.11- Mas as multidões, percebendo isto, seguiram-no; e ele as recebeu, e falava-lhes do reino de Deus, e sarava os que necessitavam de cura.

Luc.9.12- Ora, quando o dia começava a declinar, aproximando-se os doze, disseram-lhe: Despede a multidão, para que, indo às aldeias e aos sítios em redor, se hospedem, e achem o que comer; porque aqui estamos em lugar deserto.

Luc.9.13- Mas ele lhes disse: Dai-lhes vós de comer. Responderam eles: Não temos senão cinco pães e dois peixes; salvo se nós formos comprar comida para todo este povo.

Luc.9.14- Pois eram cerca de cinco mil homens. Então disse a seus discípulos: Fazei-os reclinar-se em grupos de cerca de cinquenta cada um.

Luc.9.15- Assim o fizeram, mandando que todos se reclinassem.

Luc.9.16- E tomando Jesus os cinco pães e os dois peixes, e olhando para o céu, os abençoou e partiu, e os entregava aos seus discípulos para os porem diante da multidão.

Luc.9.17- Todos, pois, comeram e se fartaram; e foram levantados, do que lhes sobejou, doze cestos de pedaços.

Luc.9.18- Enquanto ele estava orando à parte achavam-se com ele somente seus discípulos; e perguntou-lhes: Quem dizem as multidões que eu sou?

Luc.9.19- Responderam eles: Uns dizem: João, o Batista; outros: Elias; e ainda outros, que um dos antigos profetas se levantou.

Luc.9.20- Então lhes perguntou: Mas vós, quem dizeis que eu sou? Respondendo Pedro, disse: O Cristo de Deus.

Luc.9.21- Jesus, porém, advertindo-os, mandou que não contassem isso a ninguém;

Luc.9.22- e disse-lhes: É necessário que o Filho do homem padeça muitas coisas, que seja rejeitado pelos anciãos, pelos principais sacerdotes e escribas, que seja morto, e que ao terceiro dia ressuscite.

Luc.9.23- Em seguida dizia a todos: Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome cada dia a sua cruz, e siga-me.

Luc.9.24- Pois quem quiser salvar a sua vida, perdê-la-á; mas quem perder a sua vida por amor de mim, esse a salvará.

Luc.9.25- Pois, que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, e perder-se, ou prejudicar-se a si mesmo?

Luc.9.26- Porque, quem se envergonhar de mim e das minhas palavras, dele se envergonhará o Filho do homem, quando vier na sua glória, e na do Pai e dos santos anjos.

Luc.9.27- Mas em verdade vos digo: Alguns há, dos que estão aqui, que de modo nenhum provarão a morte até que vejam o reino de Deus.

Luc.9.28- Cerca de oito dias depois de ter proferido essas palavras, tomou Jesus consigo a Pedro, a João e a Tiago, e subiu ao monte para orar.

Luc.9.29- Enquanto ele orava, mudou-se a aparência do seu rosto, e a sua roupa tornou-se branca e resplandecente.

Luc.9.30- E eis que estavam falando com ele dois varões, que eram Moisés e Elias,

Luc.9.31- os quais apareceram com glória, e falavam da sua partida que estava para cumprir-se em Jerusalém.

Luc.9.32- Ora, Pedro e os que estavam com ele se haviam deixado vencer pelo sono; despertando, porém, viram a sua glória e os dois varões que estavam com ele.

Luc.9.33- E, quando estes se apartavam dele, disse Pedro a Jesus: Mestre, bom é estarmos nós aqui: façamos, pois, três cabanas, uma para ti, uma para Moisés, e uma para Elias, não sabendo o que dizia.

Luc.9.34- Enquanto ele ainda falava, veio uma nuvem que os cobriu; e se atemorizaram ao entrarem na nuvem.

Luc.9.35- E da nuvem saiu uma voz que dizia: Este é o meu Filho, o meu eleito; a ele ouvi.

Luc.9.36- Ao soar esta voz, Jesus foi achado sozinho; e eles calaram-se, e por aqueles dias não contaram a ninguém nada do que tinham visto.

Luc.9.37- No dia seguinte, quando desceram do monte, veio-lhe ao encontro uma grande multidão.

Luc.9.38- E eis que um homem dentre a multidão clamou, dizendo: Mestre, peço-te que olhes para meu filho, porque é o único que tenho;

Luc.9.39- pois um espírito se apodera dele, fazendo-o gritar subitamente, convulsiona-o até escumar e, mesmo depois de o ter quebrantado, dificilmente o larga.

Luc.9.40- E roguei aos teus discípulos que o expulsassem, mas não puderam.

Luc.9.41- Respondeu Jesus: Ó geração incrédula e perversa! Até quando estarei convosco e vos sofrerei? Traz-me cá o teu filho.

Luc.9.42- Ainda quando ele vinha chegando, o demónio o derribou e o convulsionou; mas Jesus repreendeu o espírito imundo, curou o menino e o entregou a seu pai.

Luc.9.43- E todos se maravilhavam da majestade de Deus. E admirando-se todos de tudo o que Jesus fazia, disse ele a seus discípulos:

Luc.9.44- Ponde vós estas palavras em vossos ouvidos; pois o Filho do homem está para ser entregue nas mãos dos homens.

Luc.9.45- Eles, porém, não entendiam essa palavra, cujo sentido lhes era encoberto para que não o compreendessem; e temiam interrogá-lo a esse respeito.

Luc.9.46- E suscitou-se entre eles uma discussão sobre qual deles seria o maior.

Luc.9.47- Mas Jesus, percebendo o pensamento de seus corações, tomou uma criança, pô-la junto de si,

Luc.9.48- e disse-lhes: Qualquer que receber esta criança em meu nome, a mim me recebe; e qualquer que me receber a mim, recebe aquele que me enviou; pois aquele que entre vós todos é o menor, esse é grande.

Luc.9.49- Disse-lhe João: Mestre, vimos um homem que em teu nome expulsava demónios; e lho proibimos, porque não segue connosco.

Luc.9.50- Respondeu-lhe Jesus: Não lho proibais; porque quem não é contra vós é por vós.

Luc.9.51- Ora, quando se completavam os dias para a sua assunção, manifestou o firme propósito de ir a Jerusalém.

Luc.9.52- Enviou, pois, mensageiros adiante de si. Indo eles, entraram numa aldeia de samaritanos para lhe prepararem pousada.

Luc.9.53- Mas não o receberam, porque viajava em direcção a Jerusalém.

Luc.9.54- Vendo isto os discípulos Tiago e João, disseram: Senhor, queres que mandemos descer fogo do céu para os consumir [como Elias também fez?]

Luc.9.55- Ele porém, voltando-se, repreendeu-os, [e disse: Vós não sabeis de que espírito sois.]

Luc.9.56- [Pois o Filho do Homem não veio para destruir as vidas dos homens, mas para salvá-las.] E foram para outra aldeia.

Luc.9.57- Quando iam pelo caminho, disse-lhe um homem: Seguir-te-ei para onde quer que fores.

Luc.9.58- Respondeu-lhe Jesus: As raposas têm covis, e as aves do céu têm ninhos; mas o Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça.

Luc.9.59- E a outro disse: Segue-me. Ao que este respondeu: Permite-me ir primeiro sepultar meu pai.

Luc.9.60- Replicou-lhe Jesus: Deixa os mortos sepultar os seus próprios mortos; tu, porém, vai e anuncia o reino de Deus.

Luc.9.61- Disse, também, outro. Senhor, eu te seguirei, mas deixa-me despedir primeiro dos que estão em minha casa.

Luc.9.62- Jesus, porém, lhe respondeu: Ninguém que lança mão do arado e olha para trás é apto para o reino de Deus.

Luc.10.1- Depois disso designou o Senhor outros setenta, e os enviou adiante de si, de dois em dois, a todas as cidades e lugares aonde ele havia de ir.

Luc.10.2- E dizia-lhes: Na verdade, a seara é grande, mas os trabalhadores são poucos; rogai, pois, ao Senhor da seara que mande trabalhadores para a sua seara.

Luc.10.3- Ide; eis que vos envio como cordeiros ao meio de lobos.

Luc.10.4- Não leveis bolsa, nem alforge, nem alparcas; e a ninguém saudeis pelo caminho.

Luc.10.5- Em qualquer casa em que entrardes, dizei primeiro: Paz seja com esta casa.

Luc.10.6- E se ali houver um filho da paz, repousará sobre ele a vossa paz; e se não, voltará para vós.

Luc.10.7- Ficai nessa casa, comendo e bebendo do que eles tiverem; pois digno é o trabalhador do seu salário. Não andeis de casa em casa.

Luc.10.8- Também, em qualquer cidade em que entrardes, e vos receberem, comei do que puserem diante de vós.

Luc.10.9- Curai os enfermos que nela houver, e dizer-lhes: É chegado a vós o reino de Deus.

Luc.10.10- Mas em qualquer cidade em que entrardes, e vos não receberem, saindo pelas ruas, dizei:

Luc.10.11- Até o pó da vossa cidade, que se nos pegou aos pés, sacudimos contra vós. Contudo, sabei isto: que o reino de Deus é chegado.

Luc.10.12- Digo-vos que naquele dia haverá menos rigor para Sodoma, do que para aquela cidade.

Luc.10.13- Ai de ti, Corazim! ai de ti, Betsaida! Porque, se em Tiro e em Sídon se tivessem operado os milagres que em vós se operaram, há muito, sentadas em cilício e cinza, elas se teriam arrependido.

Luc.10.14- Contudo, para Tiro e Sídon haverá menos rigor no juízo do que para vós.

Luc.10.15- E tu, Cafarnaum, porventura serás elevada até o céu? Até o hades descerás.

Luc.10.16- Quem vos ouve, a mim me ouve; e quem vos rejeita, a mim me rejeita; e quem a mim me rejeita, rejeita aquele que me enviou.

Luc.10.17- Voltaram depois os setenta com alegria, dizendo: Senhor, em teu nome, até os demónios se nos submetem.

Luc.10.18- Respondeu-lhes ele: Eu via Satanás, como raio, cair do céu.

Luc.10.19- Eis que vos dei autoridade para pisar serpentes e escorpiões, e sobre todo o poder do inimigo; e nada vos fará dano algum.

Luc.10.20- Contudo, não vos alegreis porque se vos submetem os espíritos; alegrai-vos antes por estarem os vossos nomes escritos nos céus.

Luc.10.21- Naquela mesma hora exultou Jesus no Espírito Santo, e disse: Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque ocultaste estas coisas aos sábios e entendidos, e as revelaste aos pequeninos; sim, ó Pai, porque assim foi do teu agrado.

Luc.10.22- Todas as coisas me foram entregues por meu Pai; e ninguém conhece quem é o Filho senão o Pai, nem quem é o Pai senão o Filho, e aquele a quem o Filho o quiser revelar.

Luc.10.23- E voltando-se para os discípulos, disse-lhes em particular: Bem-aventurados os olhos que vêem o que vós vedes.

Luc.10.24- Pois vos digo que muitos profetas e reis desejaram ver o que vós vedes, e não o viram; e ouvir o que ouvis, e não o ouviram.

Luc.10.25- E eis que se levantou certo doutor da lei e, para o experimentar, disse: Mestre, que farei para herdar a vida eterna?

Luc.10.26- Perguntou-lhe Jesus: Que está escrito na lei? Como lês tu?

Luc.10.27- Respondeu-lhe ele: Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todas as tuas forças e de todo o teu entendimento, e ao teu próximo como a ti mesmo.

Luc.10.28- Tornou-lhe Jesus: Respondeste bem; faz isso, e viverás.

Luc.10.29- Ele, porém, querendo justificar-se, perguntou a Jesus: E quem é o meu próximo?

Luc.10.30- Jesus, prosseguindo, disse: Um homem descia de Jerusalém a Jericó, e caiu nas mãos de salteadores, os quais o despojaram e espancando-o, se retiraram, deixando-o meio morto.

Luc.10.31- Casualmente, descia pelo mesmo caminho certo sacerdote; e vendo-o, passou de largo.

Luc.10.32- De igual modo também um levita chegou àquele lugar, viu-o, e passou de largo.

Luc.10.33- Mas um samaritano, que ia de viagem, chegou perto dele e, vendo-o, encheu-se de compaixão;

Luc.10.34- e aproximando-se, atou-lhe as feridas, deitando nelas azeite e vinho; e pondo-o sobre a sua cavalgadura, levou-o para uma estalagem e cuidou dele.

Luc.10.35- No dia seguinte tirou dois denários, deu-os ao hospedeiro e disse-lhe: Cuida dele; e tudo o que gastares a mais, eu to pagarei quando voltar.

Luc.10.36- Qual, pois, destes três te parece ter sido o próximo daquele que caiu nas mãos dos salteadores?

Luc.10.37- Respondeu o doutor da lei: Aquele que usou de misericórdia para com ele. Disse-lhe, pois, Jesus: Vai, e faz tu o mesmo.

Luc.10.38- Ora, quando iam de caminho, entrou Jesus numa aldeia; e certa mulher, por nome Marta, o recebeu em sua casa.

Luc.10.39- Tinha esta uma irmã chamada Maria, a qual, sentando-se aos pés do Senhor, ouvia a sua palavra.

Luc.10.40- Marta, porém, andava preocupada com muito serviço; e aproximando-se, disse: Senhor, não se te dá que minha irmã me tenha deixado a servir sozinha? Diz-lhe, pois, que me ajude.

Luc.10.41- Respondeu-lhe o Senhor: Marta, Marta, estás ansiosa e perturbada com muitas coisas;

Luc.10.42- entretanto poucas são necessárias, ou mesmo uma só; e Maria escolheu a boa parte, a qual não lhe será tirada.

Luc.11.1- Estava Jesus em certo lugar orando e, quando acabou, disse-lhe um dos seus discípulos: Senhor, ensina-nos a orar, como também João ensinou aos seus discípulos.

Luc.11.2- Ao que ele lhes disse: Quando orardes, dizei: Pai, santificado seja o teu nome; venha o teu reino;

Luc.11.3- dá-nos cada dia o nosso pão quotidiano;

Luc.11.4- e perdoa-nos os nossos pecados, pois também nós perdoamos a todo aquele que nos deve; e não nos deixes entrar em tentação, [mas livra-nos do mal.]

Luc.11.5- Disse-lhes também: Se um de vós tiver um amigo, e se for procurá-lo à meia-noite e lhe disser: Amigo, empresta-me três pães,

Luc.11.6- pois que um amigo meu, estando em viagem, chegou a minha casa, e não tenho o que lhe oferecer;

Luc.11.7- e se ele, de dentro, responder: Não me incomodes; já está a porta fechada, e os meus filhos estão comigo na cama; não posso levantar-me para te atender;

Luc.11.8- digo-vos que, ainda que se levante para lhos dar por ser seu amigo, todavia, por causa da sua importunação, se levantará e lhe dará quantos pães ele precisar.

Luc.11.9- Pelo que eu vos digo: Pedi, e dar-se-vos-á; buscai e achareis; batei, e abrir-se-vos-á;

Luc.11.10- pois todo o que pede, recebe; e quem busca acha; e ao que bate, abrir-se-lhe-á.

Luc.11.11- E qual o pai dentre vós que, se o filho lhe pedir pão, lhe dará uma pedra? Ou, se lhe pedir peixe, lhe dará por peixe uma serpente?

Luc.11.12- Ou, se pedir um ovo, lhe dará um escorpião?

Luc.11.13- Se vós, pois, sendo maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais dará o Pai celestial o Espírito Santo àqueles que lho pedirem?

Luc.11.14- Estava Jesus expulsando um demónio, que era mudo; e aconteceu que, saindo o demónio, o mudo falou; e as multidões se admiraram.

Luc.11.15- Mas alguns deles disseram: É por Belzebu, o príncipe dos demónios, que ele expulsa os demónios.

Luc.11.16- E outros, experimentando-o, lhe pediam um sinal do céu.

Luc.11.17- Ele, porém, conhecendo-lhes os pensamentos, disse-lhes: Todo reino dividido contra si mesmo será assolado, e casa sobre casa cairá.

Luc.11.18- Ora, pois, se Satanás está dividido contra si mesmo, como subsistirá o seu reino? Pois dizeis que eu expulso os demónios por Belzebu.

Luc.11.19- E, se eu expulso os demónios por Belzebu, por quem os expulsam os vossos filhos? Por isso eles mesmos serão os vossos juízes.

Luc.11.20- Mas, se é pelo dedo de Deus que eu expulso os demónios, logo é chegado a vós o reino de Deus.

Luc.11.21- Quando o valente guarda, armado, a sua casa, em segurança estão os seus bens;

Luc.11.22- mas, sobrevindo outro mais valente do que ele, e vencendo-o, tira-lhe toda a armadura em que confiava, e reparte os seus despojos.

Luc.11.23- Quem não é comigo, é contra mim; e quem comigo não ajunta, espalha.

Luc.11.24- Ora, havendo o espírito imundo saindo do homem, anda por lugares áridos, buscando repouso; e não o encontrando, diz: Voltarei para minha casa, donde saí.

Luc.11.25- E chegando, acha-a varrida e adornada.

Luc.11.26- Então vai, e leva consigo outros sete espíritos piores do que ele e, entrando, habitam ali; e o último estado desse homem vem a ser pior do que o primeiro.

Luc.11.27- Ora, enquanto ele dizia estas coisas, certa mulher dentre a multidão levantou a voz e lhe disse: Bem-aventurado o ventre que te trouxe e os peitos em que te amamentaste.

Luc.11.28- Mas ele respondeu: Antes bem-aventurados os que ouvem a palavra de Deus, e a observam.

Luc.11.29- Como afluíssem as multidões, começou ele a dizer: Geração perversa é esta; ela pede um sinal; e nenhum sinal se lhe dará, senão o de Jonas;

Luc.11.30- porquanto, assim como Jonas foi sinal para os ninivitas, também o Filho do homem o será para esta geração.

Luc.11.31- A rainha do sul se levantará no juízo com os homens desta geração, e os condenará; porque veio dos confins da terra para ouvir a sabedoria de Salomão; e eis, aqui quem é maior do que Salomão.

Luc.11.32- Os homens de Ninive se levantarão no juízo com esta geração, e a condenarão; porque se arrependeram com a pregação de Jonas; e eis aqui quem é maior do que Jonas.

Luc.11.33- Ninguém, depois de acender uma candeia, a põe em lugar oculto, nem debaixo do alqueire, mas no velador, para que os que entram vejam a luz.

Luc.11.34- A candeia do corpo são os olhos. Quando, pois, os teus olhos forem bons, todo o teu corpo será luminoso; mas, quando forem maus, o teu corpo será tenebroso.

Luc.11.35- Vê, então, que a luz que há em ti não sejam trevas.

Luc.11.36- Se, pois, todo o teu corpo estiver iluminado, sem ter parte alguma em trevas, será inteiramente luminoso, como quando a candeia te alumia com o seu resplendor.

Luc.11.37- Acabando Jesus de falar, um fariseu o convidou para almoçar com ele; e havendo Jesus entrado, reclinou-se à mesa.

Luc.11.38- O fariseu admirou-se, vendo que ele não se lavara antes de almoçar.

Luc.11.39- Ao que o Senhor lhe disse: Ora vós, os fariseus, limpais o exterior do copo e do prato; mas o vosso interior está cheio de rapina e maldade.

Luc.11.40- Loucos! Quem fez o exterior, não fez também o inferior?

Luc.11.41- Dai, porém, de esmola o que está dentro do copo e do prato, e eis que todas as coisas vos serão limpas.

Luc.11.42- Mas ai de vós, fariseus! Porque dais o dízimo da hortelã, e da arruda, e de toda hortaliça, e desprezais a justiça e o amor de Deus. Ora, estas coisas importava fazer, sem deixar aquelas.

Luc.11.43- Ai de vós, fariseus! Porque gostais dos primeiros assentos nas sinagogas, e das saudações nas praças.

Luc.11.44- Ai de vós! Porque sois como as sepulturas que não aparecem, sobre as quais andam os homens sem o saberem.

Luc.11.45- Disse-lhe, então, um dos doutores da lei: Mestre, quando dizes isso, também nos afrontas a nós.

Luc.11.46- Ele, porém, respondeu: Ai de vós também, doutores da lei! Porque carregais os homens com fardos difíceis de suportar, e vós mesmos nem ainda com um dos vossos dedos tocais nesses fardos.

Luc.11.47- Ai de vós! Porque edificais os túmulos dos profetas, e vossos pais os mataram.

Luc.11.48- Assim sois testemunhas e aprovais as obras de vossos pais; porquanto eles os mataram, e vós lhes edificais os túmulos.

Luc.11.49- Por isso diz também a sabedoria de Deus: Profetas e apóstolos lhes mandarei; e eles matarão uns, e perseguirão outros;

Luc.11.50- para que a esta geração se peçam contas do sangue de todos os profetas que, desde a fundação do mundo, foi derramado;

Luc.11.51- desde o sangue de Abel, até o sangue de Zacarias, que foi morto entre o altar e o santuário; sim, eu vos digo, a esta geração se pedirão contas.

Luc.11.52- Ai de vós, doutores da lei! Porque tirastes a chave da ciência; vós mesmos não entrastes, e impedistes aos que entravam.

Luc.11.53- Ao sair ele dali, começaram os escribas e os fariseus a apertá-lo fortemente, e a interrogá-lo acerca de muitas coisas,

Luc.11.54- armando-lhe ciladas, a fim de o apanharem em alguma coisa que dissesse.

Luc.12.1- Ajuntando-se entretanto muitos milhares de pessoas, de sorte que se atropelavam uns aos outros, começou Jesus a dizer primeiro aos seus discípulos: Acautelai-vos do fermento dos fariseus, que é a hipocrisia.

Luc.12.2- Mas nada há encoberto, que não haja de ser descoberto; nem oculto, que não haja de ser conhecido.

Luc.12.3- Porquanto tudo o que em trevas dissestes, à luz será ouvido; e o que falaste ao ouvido no gabinete, dos eirados será apregoado.

Luc.12.4- Digo-vos, amigos meus: Não temais os que matam o corpo, e depois disso nada mais podem fazer.

Luc.12.5- Mas eu vos mostrarei a quem é que deveis temer; temei aquele que, depois de matar, tem poder para lançar no inferno; sim, digo, a esse temei.

Luc.12.6- Não se vendem cinco passarinhos por dois asses? E nenhum deles está esquecido diante de Deus.

Luc.12.7- Mas até os cabelos da vossa cabeça estão todos contados. Não temais, pois mais valeis vós do que muitos passarinhos.

Luc.12.8- E digo-vos que todo aquele que me confessar diante dos homens, também o Filho do homem o confessará diante dos anjos de Deus;

Luc.12.9- mas quem me negar diante dos homens, será negado diante dos anjos de Deus.

Luc.12.10- E a todo aquele que proferir uma palavra contra o Filho do homem, isso lhe será perdoado; mas ao que blasfemar contra o Espírito Santo, não lhe será perdoado.

Luc.12.11- Quando, pois, vos levarem às sinagogas, aos magistrados e às autoridades, não estejais solícitos de como ou do que haveis de responder, nem do que haveis de dizer.

Luc.12.12- Porque o Espírito Santo vos ensinará na mesma hora o que deveis dizer.

Luc.12.13- Disse-lhe alguém dentre a multidão: Mestre, diz a meu irmão que reparta comigo a herança.

Luc.12.14- Mas ele lhe respondeu: Homem, quem me constituiu a mim juiz ou repartidor entre vós?

Luc.12.15- E disse ao povo: Acautelai-vos e guardai-vos de toda espécie de cobiça; porque a vida do homem não consiste na abundância das coisas que possui.

Luc.12.16- Propôs-lhes então uma parábola, dizendo: O campo de um homem rico produzira com abundância;

Luc.12.17- e ele arrazoava consigo, dizendo: Que farei? Pois não tenho onde recolher os meus frutos.

Luc.12.18- Disse então: Farei isto: derribarei os meus celeiros e edificarei outros maiores, e ali recolherei todos os meus cereais e os meus bens;

Luc.12.19- e direi à minha alma: Alma, tens em depósito muitos bens para muitos anos; descansa, come, bebe, regala-te.

Luc.12.20- Mas Deus lhe disse: Insensato, esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será?

Luc.12.21- Assim é aquele que para si ajunta tesouros, e não é rico para com Deus.

Luc.12.22- E disse aos seus discípulos: Por isso vos digo: Não estejais ansiosos quanto à vossa vida, pelo que haveis de comer, nem quanto ao corpo, pelo que haveis de vestir.

Luc.12.23- Pois a vida é mais do que o alimento, e o corpo mais do que o vestuário.

Luc.12.24- Considerai os corvos, que não semeiam nem ceifam; não têm despensa nem celeiro; contudo, Deus os alimenta. Quanto mais não valeis vós do que as aves

Luc.12.25- Ora, qual de vós, por mais ansioso que esteja, pode acrescentar um côvado à sua estatura?

Luc.12.26- Porquanto, se não podeis fazer nem as coisas mínimas, por que estais ansiosos pelas outras?

Luc.12.27- Considerai os lírios, como crescem; não trabalham, nem fiam; contudo vos digo que nem mesmo Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como um deles.

Luc.12.28- Se, pois, Deus assim veste a erva que hoje está no campo e amanhã é lançada no forno, quanto mais vós, homens de pouca fé?

Luc.12.29- Não procureis, pois, o que haveis de comer, ou o que haveis de beber, e não andeis preocupados.

Luc.12.30- Porque a todas estas coisas os povos do mundo procuram; mas vosso Pai sabe que precisais delas.

Luc.12.31- Buscai antes o seu reino, e estas coisas vos serão acrescentadas.

Luc.12.32- Não temas, ó pequeno rebanho! Porque a vosso Pai agradou dar-vos o reino.

Luc.12.33- Vendei o que possuís, e dai esmolas. Fazei para vós bolsas que não envelheçam; tesouro nos céus que jamais acabe, aonde não chega ladrão e a traça não rói.

Luc.12.34- Porque, onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração.

Luc.12.35- Estejam cingidos os vossos lombos e acesas as vossas candeias;

Luc.12.36- e sede semelhantes a homens que esperam o seu senhor, quando houver de voltar das bodas, para que, quando vier e bater, logo possam abrir-lhe.

Luc.12.37- Bem-aventurados aqueles servos, aos quais o senhor, quando vier, achar vigiando! Em verdade vos digo que se cingirá, e os fará reclinar-se à mesa e, chegando-se, os servirá.

Luc.12.38- Quer venha na segunda vigília, quer na terceira, bem-aventurados serão eles, se assim os achar.

Luc.12.39- Sabei, porém, isto: se o dono da casa soubesse a que hora havia de vir o ladrão, vigiaria e não deixaria minar a sua casa.

Luc.12.40- Estai vós também apercebidos; porque, numa hora em que não penseis, virá o Filho do homem.

Luc.12.41- Então Pedro perguntou: Senhor, dizes essa parábola a nós, ou também a todos?

Luc.12.42- Respondeu o Senhor: Qual é, pois, o mordomo fiel e prudente, que o Senhor porá sobre os seus servos, para lhes dar a tempo a ração?

Luc.12.43- Bem-aventurado aquele servo a quem o seu senhor, quando vier, achar fazendo assim.

Luc.12.44- Em verdade vos digo que o porá sobre todos os seus bens.

Luc.12.45- Mas, se aquele servo disser em teu coração: O meu senhor tarda em vir; e começar a espancar os criados e as criadas, e a comer, a beber e a embriagar-se,

Luc.12.46- virá o senhor desse servo num dia em que não o espera, e numa hora de que não sabe, e cortá-lo-á pelo meio, e lhe dará a sua parte com os infiéis.

Luc.12.47- O servo que soube a vontade do seu senhor, e não se aprontou, nem fez conforme a sua vontade, será castigado com muitos açoites;

Luc.12.48- mas o que não a soube, e fez coisas que mereciam castigo, com poucos açoites será castigado. Daquele a quem muito é dado, muito se lhe requererá; e a quem muito é confiado, mais ainda se lhe pedirá.

Luc.12.49- Vim lançar fogo à terra; e que mais quero, se já está aceso?

Luc.12.50- Há um batismo em que hei-de ser batizado; e como me angustio até que venha a cumprir-se!

Luc.12.51- Cuidais vós que vim trazer paz à terra? Não, eu vos digo, mas antes dissensão:

Luc.12.52- pois daqui em diante estarão cinco pessoas numa casa divididas, três contra duas, e duas contra três;

Luc.12.53- estarão divididos: pai contra filho, e filho contra pai; mãe contra filha, e filha contra mãe; sogra contra nora, e nora contra sogra.

Luc.12.54- Dizia também às multidões: Quando vedes subir uma nuvem do ocidente, logo dizeis: Lá vem chuva; e assim sucede;

Luc.12.55- e quando vedes soprar o vento sul dizeis; Haverá calor; e assim sucede.

Luc.12.56- Hipócritas, sabeis discernir a face da terra e do céu; como não sabeis então discernir este tempo?

Luc.12.57- E por que não julgais também por vós mesmos o que é justo?

Luc.12.58- Quando, pois, vais com o teu adversário ao magistrado, procura fazer as pazes com ele no caminho; para que não suceda que ele te arraste ao juiz, e o juiz te entregue ao meirinho, e o meirinho te lance na prisão

Luc.12.59- Digo-te que não sairás dali enquanto não pagares o derradeiro lepto.

Luc.13.1- Ora, naquele mesmo tempo estavam presentes alguns que lhe falavam dos galileus cujo sangue Pilatos misturara com os sacrifícios deles.

Luc.13.2- Respondeu-lhes Jesus: Pensais vós que esses foram maiores pecadores do que todos os galileus, por terem padecido tais coisas?

Luc.13.3- Não, eu vos digo; antes, se não vos arrependerdes, todos de igual modo perecereis.

Luc.13.4- Ou pensais que aqueles dezoito, sobre os quais caiu a torre de Siloé e os matou, foram mais culpados do que todos os outros habitantes de Jerusalém?

Luc.13.5- Não, eu vos digo; antes, se não vos arrependerdes, todos de igual modo perecereis.

Luc.13.6- E passou a narrar esta parábola: Certo homem tinha uma figueira plantada na sua vinha; e indo procurar fruto nela, e não o achou.

Luc.13.7- Disse então ao viticultor: Eis que há três anos venho procurar fruto nesta figueira, e não o acho; corta-a; para que ocupa ela ainda a terra inutilmente?

Luc.13.8- Respondeu-lhe ele: Senhor, deixa-a este ano ainda, até que eu cave ao redor, e lhe deite estrume;

Luc.13.9- e se no futuro der fruto, bem; mas, se não, cortá-la-ás.

Luc.13.10- Jesus estava ensinando numa das sinagogas no sábado.

Luc.13.11- E estava ali uma mulher que tinha um espírito de enfermidade havia já dezoito anos; e andava encurvada, e não podia de modo algum endireitar-se.

Luc.13.12- Vendo-a Jesus, chamou-a, e disse-lhe: Mulher, estás livre da tua enfermidade;

Luc.13.13- e impôs-lhe as mãos e imediatamente ela se endireitou, e glorificava a Deus.

Luc.13.14- Então o chefe da sinagoga, indignado porque Jesus curara no sábado, tomando a palavra disse à multidão: Seis dias há em que se deve trabalhar; vinde, pois, neles para serdes curados, e não no dia de sábado.

Luc.13.15- Respondeu-lhe, porém, o Senhor: Hipócritas, no sábado não desprende da manjedoura cada um de vós o seu boi, ou jumento, para o levar a beber?

Luc.13.16- E não devia ser solta desta prisão, no dia de sábado, esta que é filha de Abraão, a qual há dezoito anos Satanás tinha presa?

Luc.13.17- E dizendo ele essas coisas, todos os seus adversário ficavam envergonhados; e todo o povo se alegrava por todas as coisas gloriosas que eram feitas por ele.

Luc.13.18- Ele, pois, dizia: A que é semelhante o reino de Deus, e a que o compararei?

Luc.13.19- É semelhante a um grão de mostarda que um homem tomou e lançou na sua horta; cresceu, e fez-se árvore, e em seus ramos se aninharam as aves do céu.

Luc.13.20- E disse outra vez: A que compararei o reino de Deus?

Luc.13.21- É semelhante ao fermento que uma mulher tomou e misturou com três medidas de farinha, até ficar toda ela levedada.

Luc.13.22- Assim percorria Jesus as cidades e as aldeias, ensinando, e caminhando para Jerusalém.

Luc.13.23- E alguém lhe perguntou: Senhor, são poucos os que se salvam? Ao que ele lhes respondeu:

Luc.13.24- Porfiai por entrar pela porta estreita; porque eu vos digo que muitos procurarão entrar, e não poderão.

Luc.13.25- Quando o dono da casa se tiver levantado e cerrado a porta, e vós começardes, de fora, a bater à porta, dizendo: Senhor, abre-nos; e ele vos responder: Não sei donde vós sois;

Luc.13.26- então começareis a dizer: Comemos e bebemos na tua presença, e tu ensinaste nas nossas ruas;

Luc.13.27- e ele vos responderá: Não sei donde sois; apartai-vos de mim, vós todos os que praticais a iniquidade.

Luc.13.28- Ali haverá choro e ranger de dentes quando virdes Abraão, Isaque, Jacob e todos os profetas no reino de Deus, e vós lançados fora.

Luc.13.29- Muitos virão do oriente e do ocidente, do norte e do sul, e reclinar-se-ão à mesa no reino de Deus.

Luc.13.30- Pois há últimos que serão primeiros, e primeiros que serão últimos.

Luc.13.31- Naquela mesma hora chegaram alguns fariseus que lhe disseram: Sai, e retira-te daqui, porque Herodes quer matar-te.

Luc.13.32- Respondeu-lhes Jesus: Ide e dizei a essa raposa: Eis que vou expulsando demónios e fazendo curas, hoje e amanhã, e no terceiro dia serei consumado.

Luc.13.33- Importa, contudo, caminhar hoje, amanhã, e no dia seguinte; porque não convém que morra um profeta fora de Jerusalém.

Luc.13.34- Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas, e apedrejas os que a ti são enviados! Quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a galinha ajunta a sua ninhada debaixo das asas, e não quiseste!

Luc.13.35- Eis aí, abandonada vos é a vossa casa. E eu vos digo que não me vereis até que venha o tempo em que digais: Bendito aquele que vem em nome do Senhor.

Luc.14.1- Tendo Jesus entrado, num sábado, em casa de um dos chefes dos fariseus para comer pão, eles o estavam observando.

Luc.14.2- Achava-se ali diante dele certo homem hidrópico.

Luc.14.3- E Jesus, tomando a palavra, falou aos doutores da lei e aos fariseus, e perguntou: É lícito curar no sábado, ou não?

Luc.14.4- Eles, porém, ficaram calados. E Jesus, pegando no homem, o curou, e o despediu.

Luc.14.5- Então lhes perguntou: Qual de vós, se lhe cair num poço um filho, ou um boi, não o tirará logo, mesmo em dia de sábado?

Luc.14.6- A isto nada puderam responder.

Luc.14.7- Ao notar como os convidados escolhiam os primeiros lugares, propôs-lhes esta parábola:

Luc.14.8- Quando por alguém fores convidado às bodas, não te reclines no primeiro lugar; não aconteça que esteja convidado outro mais digno do que tu;

Luc.14.9- e vindo o que te convidou a ti e a ele, te diga: Dá o lugar a este; e então, com vergonha, tenhas de tomar o último lugar.

Luc.14.10- Mas, quando fores convidado, vai e reclina-te no último lugar, para que, quando vier o que te convidou, te diga: Amigo, sobe mais para cima. Então terás honra diante de todos os que estiverem contigo à mesa.

Luc.14.11- Porque todo o que a si mesmo se exaltar será humilhado, e aquele que a si mesmo se humilhar será exaltado.

Luc.14.12- Disse também ao que o havia convidado: Quando deres um jantar, ou uma ceia, não convides teus amigos, nem teus irmãos, nem teus parentes, nem os vizinhos ricos, para que não suceda que também eles te tornem a convidar, e te seja isso retribuído.

Luc.14.13- Mas quando deres um banquete, convida os pobres, os aleijados, os mancos e os cegos;

Luc.14.14- e serás bem-aventurado; porque eles não têm com que te retribuir; pois retribuído te será na ressurreição dos justos.

Luc.14.15- Ao ouvir isso um dos que estavam com ele à mesa, disse-lhe: Bem-aventurado aquele que comer pão no reino de Deus.

Luc.14.16- Jesus, porém, lhe disse: Certo homem dava uma grande ceia, e convidou a muitos.

Luc.14.17- E à hora da ceia mandou o seu servo dizer aos convidados: vinde, porque tudo já está preparado.

Luc.14.18- Mas todos à uma começaram a escusar-se. Disse-lhe o primeiro: Comprei um campo, e preciso ir vê-lo; rogo-te que me dês por escusado.

Luc.14.19- Outro disse: Comprei cinco juntas de bois, e vou experimentá-los; rogo-te que me dês por escusado.

Luc.14.20- Ainda outro disse: Casei-me e portanto não posso ir.

Luc.14.21- Voltou o servo e contou tudo isto a seu senhor: Então o dono da casa, indignado, disse a seu servo: Sai depressa para as ruas e becos da cidade e traz aqui os pobres, os aleijados, os cegos e os coxos.

Luc.14.22- Depois disse o servo: Senhor, feito está como o ordenaste, e ainda há lugar.

Luc.14.23- Respondeu o senhor ao servo: Sai pelos caminhos e valados, e obriga-os a entrar, para que a minha casa se encha.

Luc.14.24- Pois eu vos digo que nenhum daqueles homens que foram convidados provará a minha ceia.

Luc.14.25- Ora, iam com ele grandes multidões; e, voltando-se, disse-lhes:

Luc.14.26- Se alguém vier a mim, e não aborrecer a pai e mãe, a mulher e filhos, a irmãos e irmãs, e ainda também à própria vida, não pode ser meu discípulo.

Luc.14.27- Quem não leva a sua cruz e não me segue, não pode ser meu discípulo.

Luc.14.28- Pois qual de vós, querendo edificar uma torre, não se senta primeiro a calcular as despesas, para ver se tem com que a acabar?

Luc.14.29- Para não acontecer que, depois de haver posto os alicerces, e não a podendo acabar, todos os que a virem comecem a zombar dele,

Luc.14.30- dizendo: Este homem começou a edificar e não pode acabar.

Luc.14.31- Ou qual é o rei que, indo entrar em guerra contra outro rei, não se senta primeiro a consultar se com dez mil pode sair ao encontro do que vem contra ele com vinte mil?

Luc.14.32- No caso contrário, enquanto o outro ainda está longe, manda embaixadores, e pede condições de paz.

Luc.14.33- Assim, pois, todo aquele dentre vós que não renuncia a tudo quanto possui, não pode ser meu discípulo.

Luc.14.34- Bom é o sal; mas se o sal se tornar insípido, com que se há-de restaurar-lhe o sabor?

Luc.14.35- Não presta nem para terra, nem para adubo; lançam-no fora. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.

Luc.15.1- Ora, chegavam-se a ele todos os publicanos e pecadores para o ouvir.

Luc.15.2- E os fariseus e os escribas murmuravam, dizendo: Este recebe pecadores, e come com eles.

Luc.15.3- Então ele lhes propôs esta parábola:

Luc.15.4- Qual de vós é o homem que, possuindo cem ovelhas, e perdendo uma delas, não deixa as noventa e nove no deserto, e não vai após a perdida até que a encontre?

Luc.15.5- E achando-a, põe-na sobre os ombros, cheio de júbilo;

Luc.15.6- e chegando a casa, reúne os amigos e vizinhos e lhes diz: Alegrai-vos comigo, porque achei a minha ovelha que se havia perdido.

Luc.15.7- Digo-vos que assim haverá maior alegria no céu por um pecador que se arrepende, do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento.

Luc.15.8- Ou qual é a mulher que, tendo dez dracmas e perdendo uma dracma, não acende a candeia, e não varre a casa, buscando com diligência até encontrá-la?

Luc.15.9- E achando-a, reúne as amigas e vizinhas, dizendo: Alegrai-vos comigo, porque achei a dracma que eu havia perdido.

Luc.15.10- Assim, digo-vos, há alegria na presença dos anjos de Deus por um só pecador que se arrepende.

Luc.15.11- Disse-lhe mais: Certo homem tinha dois filhos.

Luc.15.12- O mais moço deles disse ao pai: Pai, dá-me a parte dos bens que me toca. Repartiu-lhes, pois, os seus haveres.

Luc.15.13- Poucos dias depois, o filho mais moço ajuntando tudo, partiu para um país distante, e ali desperdiçou os seus bens, vivendo dissolutamente.

Luc.15.14- E, havendo ele dissipado tudo, houve naquela terra uma grande fome, e começou a passar necessidades.

Luc.15.15- Então foi encontrar-se a um dos cidadãos daquele país, o qual o mandou para os seus campos a apascentar porcos.

Luc.15.16- E desejava encher o estômago com as alfarrobas que os porcos comiam; e ninguém lhe dava nada.

Luc.15.17- Caindo, porém, em si, disse: Quantos empregados de meu pai têm abundância de pão, e eu aqui pereço de fome!

Luc.15.18- Levantar-me-ei, irei ter com meu pai e dir-lhe-ei: Pai, pequei contra o céu e diante de ti;

Luc.15.19- já não sou digno de ser chamado teu filho; trata-me como um dos teus empregados.

Luc.15.20- Levantou-se, pois, e foi para seu pai. Estando ele ainda longe, seu pai o viu, encheu-se de compaixão e, correndo, lançou-se-lhe ao pescoço e o beijou.

Luc.15.21- Disse-lhe o filho: Pai, pequei conta o céu e diante de ti; já não sou digno de ser chamado teu filho.

Luc.15.22- Mas o pai disse aos seus servos: Trazei depressa a melhor roupa, e vesti-lha, e ponde-lhe um anel no dedo e alparcas nos pés;

Luc.15.23- trazei também o bezerro, cevado e matai-o; comamos, e regozijemo-nos,

Luc.15.24- porque este meu filho estava morto, e reviveu; tinha-se perdido, e foi achado. E começaram a regozijar-se.

Luc.15.25- Ora, o seu filho mais velho estava no campo; e quando voltava, ao aproximar-se de casa, ouviu a música e as danças;

Luc.15.26- e chegando um dos servos, perguntou-lhe que era aquilo.

Luc.15.27- Respondeu-lhe este: Chegou teu irmão; e teu pai matou o bezerro cevado, porque o recebeu são e salvo.

Luc.15.28- Mas ele se indignou e não queria entrar. Saiu então o pai e instava com ele.

Luc.15.29- Ele, porém, respondeu ao pai: Eis que há tantos anos te sirvo, e nunca transgredi um mandamento teu; contudo nunca me deste um cabrito para eu me regozijar com os meus amigos;

Luc.15.30- vindo, porém, este teu filho, que desperdiçou os teus bens com as meretrizes, mataste-lhe o bezerro cevado.

Luc.15.31- Replicou-lhe o pai: Filho, tu sempre estás comigo, e tudo o que é meu é teu;

Luc.15.32- era justo, porém, regozijarmo-nos e alegramo-nos, porque este teu irmão estava morto, e reviveu; tinha-se perdido, e foi achado.

Luc.16.1- Dizia Jesus também aos seus discípulos: Havia certo homem rico, que tinha um mordomo; e este foi acusado perante ele de estar dissipando os seus bens.

Luc.16.2- Chamou-o, então, e lhe disse: Que é isso que ouço dizer de ti? Presta contas da tua mordomia; porque já não podes mais ser meu mordomo.

Luc.16.3- Disse, pois, o mordomo consigo: Que hei-de fazer, já que o meu senhor me tira a mordomia? Para cavar, não tenho forças; de mendigar, tenho vergonha.

Luc.16.4- Agora sei o que vou fazer, para que, quando for desapossado da mordomia, me recebam em suas casas.

Luc.16.5- E chamando a si cada um dos devedores do seu senhor, perguntou ao primeiro: Quanto deves ao meu senhor?

Luc.16.6- Respondeu ele: Cem medidas de azeite. Disse-lhe então: Toma a tua conta, senta-te depressa e escreve cinquenta.

Luc.16.7- Perguntou depois a outro: E tu, quanto deves? Respondeu ele: Cem coros de trigo. E disse-lhe: Toma a tua conta e escreve oitenta.

Luc.16.8- E louvou aquele senhor ao injusto mordomo por haver procedido com sagacidade; porque os filhos deste mundo são mais sagazes para com a sua geração do que os filhos da luz.

Luc.16.9- Eu vos digo ainda: Granjeai amigos por meio das riquezas da injustiça; para que, quando estas vos faltarem, vos recebam eles nos tabernáculos eternos.

Luc.16.10- Quem é fiel no pouco, também é fiel no muito; quem é injusto no pouco, também é injusto no muito.

Luc.16.11- Se, pois, nas riquezas injustas não fostes fiéis, quem vos confiará as verdadeiras?

Luc.16.12- E se no alheio não fostes fiéis, quem vos dará o que é vosso?

Luc.16.13- Nenhum servo pode servir dois senhores; porque ou há-de odiar a um e amar ao outro, ou o há-de dedicar-se a um e desprezar o outro. Não podeis servir a Deus e às riquezas.

Luc.16.14- Os fariseus, que eram gananciosos, ouviam todas essas coisas e zombavam dele.

Luc.16.15- E ele lhes disse: Vós sois os que vos justificais a vós mesmos diante dos homens, mas Deus conhece os vossos corações; porque o que entre os homens é elevado, perante Deus é abominação.

Luc.16.16- A lei e os profetas vigoraram até João; desde então é anunciado o evangelho do reino de Deus, e todo homem se esforça por entrar nele.

Luc.16.17- É, porém, mais fácil passar o céu e a terra do que cair um til da lei.

Luc.16.18- Todo aquele que repudia sua mulher e casa com outra, comete adultério; e quem casa com a que foi repudiada pelo marido, também comete adultério.

Luc.16.19- Ora, havia um homem rico que se vestia de púrpura e de linho finíssimo, e todos os dias se regalava esplendidamente.

Luc.16.20- Ao seu portão fora deitado um mendigo, chamado Lázaro, todo coberto de úlceras;

Luc.16.21- o qual desejava alimentar-se com as migalhas que caíam da mesa do rico; e os próprios cães vinham lamber-lhe as úlceras.

Luc.16.22- Veio a morrer o mendigo, e foi levado pelos anjos para o seio de Abraão; morreu também o rico, e foi sepultado.

Luc.16.23- No hades, ergueu os olhos, estando em tormentos, e viu ao longe a Abraão, e a Lázaro no seu seio.

Luc.16.24- E, clamando, disse: Pai Abraão, tem misericórdia de mim, e envia-me Lázaro, para que molhe na água a ponta do dedo e me refresque a língua, porque estou atormentado nesta chama.

Luc.16.25- Disse, porém, Abraão: Filho, lembra-te de que em tua vida recebeste os teus bens, e Lázaro de igual modo os males; agora, porém, ele aqui é consolado, e tu atormentado.

Luc.16.26- E além disso, entre nós e vós está posto um grande abismo, de sorte que os que quisessem passar daqui para vós não poderiam, nem os de lá passar para nós.

Luc.16.27- Disse ele então: Rogo-te, pois, ó pai, que o mandes à casa de meu pai,

Luc.16.28- porque tenho cinco irmãos; para que lhes dê testemunho, a fim de que não venham eles também para este lugar de tormento.

Luc.16.29- Disse-lhe Abraão: Têm Moisés e os profetas; ouçam-nos.

Luc.16.30- Respondeu ele: Não! Pai Abraão; mas, se alguém dentre os mortos for ter com eles, hão de se arrepender.

Luc.16.31- Abraão, porém, lhe disse: Se não ouvem a Moisés e aos profetas, tampouco acreditarão, ainda que ressuscite alguém dentre os mortos.

Luc.17.1- Disse Jesus a seus discípulos: É impossível que não venham tropeços, mas ai daquele por quem vierem!

Luc.17.2- Melhor lhe fora que se lhe pendurasse ao pescoço uma pedra de moinho e fosse lançado ao mar, do que fazer tropeçar um destes pequeninos.

Luc.17.3- Tende cuidado de vós mesmos; se teu irmão pecar, repreende-o; e se ele se arrepender, perdoa-lhe.

Luc.17.4- Mesmo se pecar contra ti sete vezes no dia, e sete vezes vier ter contigo, dizendo: Arrependo-me; tu lhe perdoarás.

Luc.17.5- Disseram então os apóstolos ao Senhor: Aumenta-nos a fé.

Luc.17.6- Respondeu o Senhor: Se tivésseis fé como um grão de mostarda, diríeis a esta amoreira: Desarreiga-te, e planta-te no mar; e ela vos obedeceria.

Luc.17.7- Qual de vós, tendo um servo a lavrar ou a apascentar gado, lhe dirá, ao voltar ele do campo: chega-te já, e reclina-te à mesa?

Luc.17.8- Não lhe dirá antes: Prepara-me a ceia, e cinge-te, e serve-me, até que eu tenha comido e bebido, e depois comerás tu e beberás?

Luc.17.9- Porventura agradecerá ao servo, porque este fez o que lhe foi mandado?

Luc.17.10- Assim também vós, quando fizerdes tudo o que vos for mandado, dizei: Somos servos inúteis; fizemos somente o que devíamos fazer.

Luc.17.11- E aconteceu que, indo ele a Jerusalém, passava pela divisa entre a Samaria e a Galileia.

Luc.17.12- Ao entrar em certa aldeia, saíram-lhe ao encontro dez leprosos, os quais pararam de longe,

Luc.17.13- e levantaram a voz, dizendo: Jesus, Mestre, tem compaixão de nós!

Luc.17.14- Ele, logo que os viu, disse-lhes: Ide, e mostrai-vos aos sacerdotes. E aconteceu que, enquanto iam, ficaram limpos.

Luc.17.15- Um deles, vendo que fora curado, voltou glorificando a Deus em alta voz;

Luc.17.16- e prostrou-se com o rosto em terra aos pés de Jesus, dando-lhe graças; e este era samaritano.

Luc.17.17- Perguntou, pois, Jesus: Não foram limpos os dez? E os nove, onde estão?

Luc.17.18- Não se achou quem voltasse para dar glória a Deus, senão este estrangeiro?

Luc.17.19- E disse-lhe: Levanta-te, e vai; a tua fé te salvou.

Luc.17.20- Sendo Jesus interrogado pelos fariseus sobre quando viria o reino de Deus, respondeu-lhes: O reino de Deus não vem com aparência exterior;

Luc.17.21- nem dirão: Ei-lo aqui! Ou: Ei-lo ali! Pois o reino de Deus está dentro de vós.

Luc.17.22- Então disse aos discípulos: Dias virão em que desejareis ver um dos dias do Filho do homem, e não o vereis.

Luc.17.23- Dir-vos-ão: Ei-lo ali! Ou: Ei-lo aqui! Não vades, nem os sigais;

Luc.17.24- Pois, assim como o relâmpago, fuzilando em uma extremidade do céu, ilumina até a outra extremidade, assim será também o Filho do homem no seu dia.

Luc.17.25- Mas primeiro é necessário que ele padeça muitas coisas, e que seja rejeitado por esta geração.

Luc.17.26- Como aconteceu nos dias de Noé, assim também será nos dias do Filho do homem.

Luc.17.27- Comiam, bebiam, casavam e davam-se em casamento, até o dia em que Noé entrou na arca, e veio o dilúvio e os destruiu a todos.

Luc.17.28- Como também da mesma forma aconteceu nos dias de Lot: comiam, bebiam, compravam, vendiam, plantavam e edificavam;

Luc.17.29- mas no dia em que Lot saiu de Sodoma choveu do céu fogo e enxofre, e os destruiu a todos;

Luc.17.30- assim será no dia em que o Filho do homem se há-de manifestar.

Luc.17.31- Naquele dia, quem estiver no eirado, tendo os seus bens em casa, não desça para tirá-los; e, da mesma sorte, o que estiver no campo, não volte para trás.

Luc.17.32- Lembrai-vos da mulher de Lot.

Luc.17.33- Qualquer que procurar preservar a sua vida, perdê-la-á, e qualquer que a perder, conservá-la-á.

Luc.17.34- Digo-vos: Naquela noite estarão dois numa cama; um será tomado, e o outro será deixado.

Luc.17.35- Duas mulheres estarão juntas moendo; uma será tomada, e a outra será deixada.

Luc.17.36- [Dois homens estarão no campo; um será tomado, e o outro será deixado.]

Luc.17.37- Perguntaram-lhe: Onde, Senhor? E respondeu-lhes: Onde estiver o corpo, aí se ajuntarão também os abutres.

Luc.18.1- Contou-lhes também uma parábola sobre o dever de orar sempre, e nunca desfalecer.

Luc.18.2- dizendo: Havia em certa cidade um juiz que não temia a Deus, nem respeitava os homens.

Luc.18.3- Havia também naquela mesma cidade uma viúva que ia ter com ele, dizendo: Faz-me justiça contra o meu adversário.

Luc.18.4- E por algum tempo não quis atendê-la; mas depois disse consigo: Ainda que não temo a Deus, nem respeito os homens,

Luc.18.5- todavia, como esta viúva me incomoda, hei-de fazer-lhe justiça, para que ela não continue a vir molestar-me.

Luc.18.6- Prosseguiu o Senhor: Ouvi o que diz esse juiz injusto.

Luc.18.7- E não fará Deus justiça aos seus escolhidos, que dia e noite clamam a ele, já que é longânime para com eles?

Luc.18.8- Digo-vos que depressa lhes fará justiça. Contudo quando vier o Filho do homem, porventura achará fé na terra?

Luc.18.9- Propôs também esta parábola a uns que confiavam em si mesmos, crendo que eram justos, e desprezavam os outros:

Luc.18.10- Dois homens subiram ao templo para orar; um fariseu, e o outro publicano.

Luc.18.11- O fariseu, de pé, assim orava consigo mesmo: Ó Deus, graças te dou que não sou como os demais homens, ladrões, injustos, adúlteros, nem ainda com este publicano.

Luc.18.12- Jejuo duas vezes na semana, e dou o dízimo de tudo quanto ganho.

Luc.18.13- Mas o publicano, estando em pé de longe, nem ainda queria levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: Ó Deus, sê propício a mim, o pecador!

Luc.18.14- Digo-vos que este desceu justificado para sua casa, e não aquele; porque todo o que a si mesmo se exaltar será humilhado; mas o que a si mesmo se humilhar será exaltado.

Luc.18.15- Traziam-lhe também as crianças, para que as tocasse; mas os discípulos, vendo isso, os repreendiam.

Luc.18.16- Jesus, porém, chamando-as para si, disse: Deixai vir a mim as crianças, e não as impeçais, porque de tais é o reino de Deus.

Luc.18.17- Em verdade vos digo que, qualquer que não receber o reino de Deus como criança, de modo algum entrará nele.

Luc.18.18- E perguntou-lhe um dos principais: Bom Mestre, que hei-de fazer para herdar a vida eterna?

Luc.18.19- Respondeu-lhe Jesus: Por que me chamas bom? Ninguém é bom, senão um, que é Deus.

Luc.18.20- Sabes os mandamentos: Não adulterarás; não matarás; não furtarás; não dirás falso testemunho; honra a teu pai e a tua mãe.

Luc.18.21- Replicou o homem: Tudo isso tenho guardado desde a minha juventude.

Luc.18.22- Quando Jesus ouviu isso, disse-lhe: Ainda te falta uma coisa; vende tudo quanto tens e reparte-o pelos pobres, e terás um tesouro no céu; e vem, segue-me.

Luc.18.23- Mas, ouvindo ele isso, encheu-se de tristeza; porque era muito rico.

Luc.18.24- E Jesus, vendo-o assim, disse: Quão dificilmente entrarão no reino de Deus os que têm riquezas!

Luc.18.25- Pois é mais fácil um camelo passar pelo fundo duma agulha, do que entrar um rico no reino de Deus.

Luc.18.26- Então os que ouviram isso disseram: Quem pode, então, ser salvo?

Luc.18.27- Respondeu-lhes: As coisas que são impossíveis aos homens são possíveis a Deus.

Luc.18.28- Disse-lhe Pedro: Eis que nós deixamos tudo, e te seguimos.

Luc.18.29- Respondeu-lhes Jesus: Em verdade vos digo que ninguém há que tenha deixado casa, ou mulher, ou irmãos, ou pais, ou filhos, por amor do reino de Deus,

Luc.18.30- que não haja de receber no presente muito mais, e no mundo vindouro a vida eterna.

Luc.18.31- Tomando Jesus consigo os doze, disse-lhes: Eis que subimos a Jerusalém e se cumprirá no filho do homem tudo o que pelos profetas foi escrito;

Luc.18.32- pois será entregue aos gentios, e escarnecido, injuriado e cuspido;

Luc.18.33- e depois de o açoitarem, o matarão; e ao terceiro dia ressurgirá.

Luc.18.34- Mas eles não entenderam nada disso; essas palavras lhes eram obscuras, e não percebiam o que lhes dizia.

Luc.18.35- Ora, quando ele ia chegando a Jericó, estava um cego sentado junto do caminho, mendigando.

Luc.18.36- Este, pois, ouvindo passar a multidão, perguntou que era aquilo.

Luc.18.37- Disseram-lhe que Jesus, o nazareno, ia passando.

Luc.18.38- Então ele se pôs a clamar, dizendo: Jesus, Filho de David, tem compaixão de mim!

Luc.18.39- E os que iam à frente repreendiam-no, para que se calasse; ele, porém, clamava ainda mais: Filho de David, tem compaixão de mim!

Luc.18.40- Parou, pois, Jesus, e mandou que lho trouxessem. Tendo ele chegado, perguntou-lhe:

Luc.18.41- Que queres que te faça? Respondeu ele: Senhor, que eu veja.

Luc.18.42- Disse-lhe Jesus: Vê; a tua fé te salvou.

Luc.18.43- Imediatamente recuperou a vista, e o foi seguindo, glorificando a Deus. E todo o povo, vendo isso, dava louvores a Deus.

Luc.19.1- Tendo Jesus entrado em Jericó, ia atravessando a cidade.

Luc.19.2- Havia ali um homem chamado Zaqueu, o qual era chefe de publicanos e era rico.

Luc.19.3- Este procurava ver quem era Jesus, e não podia, por causa da multidão, porque era de pequena estatura.

Luc.19.4- E correndo adiante, subiu a um si cômoro a fim de vê-lo, porque havia de passar por ali.

Luc.19.5- Quando Jesus chegou àquele lugar, olhou para cima e disse-lhe: Zaqueu, desce depressa; porque importa que eu fique hoje em tua casa.

Luc.19.6- Desceu, pois, a toda a pressa, e o recebeu com alegria.

Luc.19.7- Ao verem isso, todos murmuravam, dizendo: Entrou para ser hóspede de um homem pecador.

Luc.19.8- Zaqueu, porém, levantando-se, disse ao Senhor: Eis aqui, Senhor, dou aos pobres metade dos meus bens; e se em alguma coisa tenho defraudado alguém, eu lho restituo quadruplicado.

Luc.19.9- Disse-lhe Jesus: Hoje veio a salvação a esta casa, porquanto também este é filho de Abraão.

Luc.19.10- Porque o Filho do homem veio buscar e salvar o que se havia perdido.

Luc.19.11- Ouvindo eles isso, prosseguiu Jesus, e contou uma parábola, visto estar ele perto de Jerusalém, e pensarem eles que o reino de Deus se havia de manifestar imediatamente.

Luc.19.12- Disse pois: Certo homem nobre partiu para uma terra longínqua, a fim de tomar posse de um reino e depois voltar.

Luc.19.13- E chamando dez servos seus, deu-lhes dez minas, e disse-lhes: Negociai até que eu venha.

Luc.19.14- Mas os seus concidadãos odiavam-no, e enviaram após ele uma embaixada, dizendo: Não queremos que este homem reine sobre nós.

Luc.19.15- E sucedeu que, ao voltar ele, depois de ter tomado posse do reino, mandou chamar aqueles servos a quem entregara o dinheiro, a fim de saber como cada um havia negociado.

Luc.19.16- Apresentou-se, pois, o primeiro, e disse: Senhor, a tua mina rendeu dez minas.

Luc.19.17- Respondeu-lhe o senhor: Bem está, servo bom! Porque no mínimo foste fiel, sobre dez cidades terás autoridade.

Luc.19.18- Veio o segundo, dizendo: Senhor, a tua mina rendeu cinco minas.

Luc.19.19- A este também respondeu: Sê tu também sobre cinco cidades.

Luc.19.20- E veio outro, dizendo: Senhor, eis aqui a tua mina, que guardei num lenço;

Luc.19.21- pois tinha medo de ti, porque és homem severo; tomas o que não puseste, e ceifas o que não semeaste.

Luc.19.22- Disse-lhe o Senhor: Servo mau! Pela tua boca te julgarei. Sabias que eu sou homem severo, que tomo o que não pus, e ceifo o que não semeei;

Luc.19.23- por que, pois, não puseste o meu dinheiro no banco? Então vindo eu, o teria retirado com os juros.

Luc.19.24- E disse aos que estavam ali: Tirai-lhe a mina, e dai-a ao que tem as dez minas.

Luc.19.25- Responderam-lhe eles: Senhor, ele tem dez minas.

Luc.19.26- Pois eu vos digo que a todo o que tem, dar-se-lhe-á; mas ao que não tem, até aquilo que tem ser-lhe-á tirado.

Luc.19.27- Quanto, porém, àqueles meus inimigos que não quiseram que eu reinasse sobre eles, trazei-os aqui, e matai-os diante de mim.

Luc.19.28- Tendo Jesus assim falado, ia caminhando adiante deles, subindo para Jerusalém.

Luc.19.29- Ao aproximar-se de Betfagé e de Betânia, junto do monte que se chama das Oliveiras, enviou dois dos discípulos,

Luc.19.30- dizendo-lhes: Ide à aldeia que está defronte, e aí, ao entrar, achareis preso um jumentinho em que ninguém jamais montou; desprendei-o e trazei-o.

Luc.19.31- Se alguém vos perguntar: Por que o desprendeis? Respondereis assim: O Senhor precisa dele.

Luc.19.32- Partiram, pois, os que tinham sido enviados, e acharam conforme lhes dissera.

Luc.19.33- Enquanto desprendiam o jumentinho, os seus donos lhes perguntaram: Por que desprendeis o jumentinho?

Luc.19.34- Responderam eles: O Senhor precisa dele.

Luc.19.35- Trouxeram-no, pois, a Jesus e, lançando os seus mantos sobre o jumentinho, fizeram que Jesus montasse.

Luc.19.36- E, enquanto ele ia passando, outros estendiam no caminho os seus mantos.

Luc.19.37- Quando já ia chegando à descida do Monte das Oliveiras, toda a multidão dos discípulos, regozijando-se, começou a louvar a Deus em alta voz, por todos os milagres que tinha visto,

Luc.19.38- dizendo: Bendito o Rei que vem em nome do Senhor; Paz no céu, e glória nas alturas.

Luc.19.39- Nisso, disseram-lhe alguns dos fariseus dentre a multidão: Mestre, repreende os teus discípulos.

Luc.19.40- Ao que ele respondeu: Digo-vos que, se estes se calarem, as pedras clamarão.

Luc.19.41- E quando chegou perto e viu a cidade, chorou sobre ela,

Luc.19.42- dizendo: Ah! Se tu conhecesses, ao menos neste dia, o que te poderia trazer a paz! Mas agora isso está encoberto aos teus olhos.

Luc.19.43- Porque dias virão sobre ti em que os teus inimigos te cercarão de trincheiras, e te sitiarão, e te apertarão de todos os lados,

Luc.19.44- e te derribarão, a ti e aos teus filhos que dentro de ti estiverem; e não deixarão em ti pedra sobre pedra, porque não conheceste o tempo da tua visitação.

Luc.19.45- Então, entrando ele no templo, começou a expulsar os que ali vendiam,

Luc.19.46- dizendo-lhes: Está escrito: A minha casa será casa de oração; vós, porém, a fizestes covil de salteadores.

Luc.19.47- E todos os dias ensinava no templo; mas os principais sacerdotes, os escribas, e os principais do povo procuravam matá-lo;

Luc.19.48- mas não achavam meio de o fazer; porque todo o povo ficava enlevado ao ouvi-lo.

Luc.20.1- Num desses dias, quando Jesus ensinava o povo no templo, e anunciava o evangelho, sobrevieram os principais sacerdotes e os escribas, com os anciãos.

Luc.20.2- e falaram-lhe deste modo: Diz-nos, com que autoridade fazes tu estas coisas? Ou, quem é o que te deu esta autoridade?

Luc.20.3- Respondeu-lhes ele: Eu também vos farei uma pergunta; dizei-me, pois:

Luc.20.4- O batismo de João era do céu ou dos homens?

Luc.20.5- Ao que eles arrazoavam entre si: Se dissermos: do céu, ele dirá: Por que não crestes?

Luc.20.6- Mas, se dissermos: Dos homens, todo o povo nos apedrejará; pois está convencido de que João era profeta.

Luc.20.7- Responderam, pois, que não sabiam donde era.

Luc.20.8- Replicou-lhes Jesus: Nem eu vos digo com que autoridade faço estas coisas.

Luc.20.9- Começou então a dizer ao povo esta parábola: Um homem plantou uma vinha, arrendou-a a uns lavradores, e ausentou-se do país por muito tempo.

Luc.20.10- No tempo próprio mandou um servo aos lavradores, para que lhe dessem dos frutos da vinha; mas os lavradores, espancando-o, mandaram-no embora de mãos vazias.

Luc.20.11- Tornou a mandar outro servo; mas eles espancaram também a este e, afrontando-o, mandaram-no embora de mãos vazias.

Luc.20.12- E mandou ainda um terceiro; mas feriram também a este e lançaram-no fora.

Luc.20.13- Disse então o senhor da vinha: Que farei? Mandarei o meu filho amado; a ele talvez respeitarão.

Luc.20.14- Mas quando os lavradores o viram, arrazoaram entre si, dizendo: Este é o herdeiro; matemo-lo, para que a herança seja nossa.

Luc.20.15- E lançando-o fora da vinha, o mataram. Que lhes fará, pois, o senhor da vinha?

Luc.20.16- Virá e destruirá esses lavradores, e dará a vinha a outros. Ouvindo eles isso, disseram: Tal não aconteça!

Luc.20.17- Mas Jesus, olhando para eles, disse: Pois, que quer dizer isto que está escrito: A pedra que os edificadores rejeitaram, essa foi posta como pedra angular?

Luc.20.18- Todo o que cair sobre esta pedra será despedaçado; mas aquele sobre quem ela cair será reduzido a pó.

Luc.20.19- Ainda na mesma hora os escribas e os principais sacerdotes, percebendo que contra eles proferira essa parábola, procuraram deitar-lhe as mãos, mas temeram o povo.

Luc.20.20- E, aguardando oportunidade, mandaram espias, os quais se fingiam justos, para o apanharem em alguma palavra, e o entregarem à jurisdição e à autoridade do governador.

Luc.20.21- Estes, pois, o interrogaram, dizendo: Mestre, sabemos que falas e ensinas rectamente, e que não consideras a aparência da pessoa, mas ensinas segundo a verdade o caminho de Deus;

Luc.20.22- é-nos lícito dar tributo a César, ou não?

Luc.20.23- Mas Jesus, percebendo a astúcia deles, disse-lhes:

Luc.20.24- Mostrai-me um denário. De quem é a imagem e a inscrição que ele tem? Responderam: De César.

Luc.20.25- Disse-lhes então: Dai, pois, a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus.

Luc.20.26- E não puderam apanhá-lo em palavra alguma diante do povo; e admirados da sua resposta, calaram-se.

Luc.20.27- Chegaram então alguns dos saduceus, que dizem não haver ressurreição, e perguntaram-lhe:

Luc.20.28- Mestre, Moisés nos deixou escrito que se morrer alguém, tendo mulher mas não tendo filhos, o irmão dele case com a viúva, e suscite descendência ao irmão.

Luc.20.29- Havia, pois, sete irmãos. O primeiro casou-se e morreu sem filhos;

Luc.20.30- então o segundo, e depois o terceiro, casaram com a viúva;

Luc.20.31- e assim todos os sete, e morreram, sem deixar filhos.

Luc.20.32- Depois morreu também a mulher.

Luc.20.33- Portanto, na ressurreição, de qual deles será ela esposa, pois os sete por esposa a tiveram?

Luc.20.34- Respondeu-lhes Jesus: Os filhos deste mundo casaram-se e dão-se em casamento;

Luc.20.35- mas os que são julgados dignos de alcançar o mundo vindouro, e a ressurreição dentre os mortos, nem se casam nem se dão em casamento;

Luc.20.36- porque já não podem mais morrer; pois são iguais aos anjos, e são filhos de Deus, sendo filhos da ressurreição.

Luc.20.37- Mas que os mortos hão-de ressurgir, o próprio Moisés o mostrou, na passagem a respeito da sarça, quando chama ao Senhor; Deus de Abraão, e Deus de Isaque, e Deus de Jacob.

Luc.20.38- Ora, ele não é Deus de mortos, mas de vivos; porque para ele todos vivem.

Luc.20.39- Responderam alguns dos escribas: Mestre, disseste bem.

Luc.20.40- Não ousavam, pois, perguntar-lhe mais coisa alguma.

Luc.20.41- Jesus, porém, lhes perguntou: Como dizem que o Cristo é filho de David?

Luc.20.42- Pois o próprio David diz no livro dos Salmos: Disse o Senhor ao meu Senhor: Assenta-te à minha direita,

Luc.20.43- até que eu ponha os teus inimigos por escabelo dos teus pés.

Luc.20.44- Logo David lhe chama Senhor como, pois, é ele seu filho?

Luc.20.45- Enquanto todo o povo o ouvia, disse Jesus aos seus discípulos:

Luc.20.46- Guardai-vos dos escribas, que querem andar com vestes compridas, e gostam das saudações nas praças, dos primeiros assentos nas sinagogas, e dos primeiros lugares nos banquetes;

Luc.20.47- que devoram as casas das viúvas, fazendo, por pretexto, longas orações; estes hão-de receber maior condenação.

Luc.21.1- Jesus, levantando os olhos, viu os ricos deitarem as suas ofertas no cofre;

Luc.21.2- viu também uma pobre viúva lançar ali dois leptos;

Luc.21.3- e disse: Em verdade vos digo que esta pobre viúva deu mais do que todos;

Luc.21.4- porque todos aqueles deram daquilo que lhes sobrava; mas esta, da sua pobreza, deu tudo o que tinha para o seu sustento.

Luc.21.5- E falando-lhe alguns a respeito do templo, como estava ornado de formosas pedras e dádivas, disse ele:

Luc.21.6- Quanto a isto que vedes, dias virão em que não se deixará aqui pedra sobre pedra, que não seja derribada.

Luc.21.7- Perguntaram-lhe então: Mestre, quando, pois, sucederão estas coisas? E que sinal haverá, quando elas estiverem para se cumprir?

Luc.21.8- Respondeu então ele: Acautelai-vos; não sejais enganados; porque virão muitos em meu nome, dizendo: Sou eu; e: O tempo é chegado! Não vades após eles.

Luc.21.9- Quando ouvirdes de guerras e tumultos, não vos assusteis; pois é necessário que primeiro aconteçam essas coisas; mas o fim não será logo.

Luc.21.10- Então lhes disse: Levantar-se-á nação contra nação, e reino contra reino;

Luc.21.11- e haverá em vários lugares grandes terramotos, e pestes e fomes; haverá também coisas espantosas, e grandes sinais do céu.

Luc.21.12- Mas antes de todas essas coisas vos hão-de prender e perseguir, entregando-vos às sinagogas e aos cárceres, e conduzindo-vos à presença de reis e governadores, por causa do meu nome.

Luc.21.13- Isso vos acontecerá para que deis testemunho.

Luc.21.14- Proponde, pois, em vossos corações não premeditar como haveis de fazer a vossa defesa;

Luc.21.15- porque eu vos darei boca e sabedoria, a que nenhum dos vossos adversário poderá resistir nem contradizer.

Luc.21.16- E até pelos pais, e irmãos, e parentes, e amigos sereis entregues; e matarão alguns de vós;

Luc.21.17- e sereis odiados de todos por causa do meu nome.

Luc.21.18- Mas não se perderá um único cabelo da vossa cabeça.

Luc.21.19- Pela vossa perseverança ganhareis as vossas almas.

Luc.21.20- Mas, quando virdes Jerusalém cercada de exércitos, sabei então que é chegada a sua desolação.

Luc.21.21- Então, os que estiverem na Judeia fujam para os montes; os que estiverem dentro da cidade, saiam; e os que estiverem nos campos não entrem nela.

Luc.21.22- Porque dias de vingança são estes, para que se cumpram todas as coisas que estão escritas.

Luc.21.23- Ai das que estiverem grávidas, e das que amamentarem naqueles dias! Porque haverá grande angústia sobre a terra, e ira contra este povo.

Luc.21.24- E cairão ao fio da espada, e para todas as nações serão levados cativos; e Jerusalém será pisada pelos gentios, até que os tempos destes se completem.

Luc.21.25- E haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas; e sobre a terra haverá angústia das nações em perplexidade pelo bramido do mar e das ondas.

Luc.21.26- os homens desfalecerão de terror, e pela expectação das coisas que sobrevirão ao mundo; porquanto os poderes do céu serão abalados.

Luc.21.27- Então verão vir o Filho do homem em uma nuvem, com poder e grande glória.

Luc.21.28- Ora, quando essas coisas começarem a acontecer, exultai e levantai as vossas cabeças, porque a vossa redenção se aproxima.

Luc.21.29- Propôs-lhes então uma parábola: Olhai para a figueira, e para todas as árvores;

Luc.21.30- quando começam a brotar, sabeis por vós mesmos, ao vê-las, que já está próximo o verão.

Luc.21.31- Assim também vós, quando virdes acontecerem estas coisas, sabei que o reino de Deus está próximo.

Luc.21.32- Em verdade vos digo que não passará esta geração até que tudo isso se cumpra.

Luc.21.33- Passará o céu e a terra, mas as minhas palavras jamais passarão.

Luc.21.34- Olhai por vós mesmos; não aconteça que os vossos corações se carreguem de glutonaria, de embriaguez, e dos cuidados da vida, e aquele dia vos sobrevenha de improviso como um laço.

Luc.21.35- Porque há-de vir sobre todos os que habitam na face da terra.

Luc.21.36- Vigiai, pois, em todo o tempo, orando, para que possais escapar de todas estas coisas que hão-de acontecer, e estar em pé na presença do Filho do homem.

Luc.21.37- Ora, de dia ensinava no templo, e à noite, saindo, pousava no monte chamado das Oliveiras.

Luc.21.38- E todo o povo ia ter com ele no templo, de manhã cedo, para o ouvir.

Luc.22.1- Aproximava-se a festa dos pães ázimos, que se chama a Páscoa.

Luc.22.2- E os principais sacerdotes e os escribas andavam procurando um modo de o matar; pois temiam o povo.

Luc.22.3- Entrou então Satanás em Judas, que tinha por sobrenome Iscariotes, que era um dos doze;

Luc.22.4- e foi ele tratar com os principais sacerdotes e com os capitães de como lho entregaria.

Luc.22.5- Eles se alegraram com isso, e convieram em lhe dar dinheiro.

Luc.22.6- E ele concordou, e buscava ocasião para lho entregar sem alvoroço.

Luc.22.7- Ora, chegou o dia dos pães ázimos, em que se devia imolar a Páscoa;

Luc.22.8- e Jesus enviou a Pedro e a João, dizendo: Ide, preparai-nos a Páscoa, para que a comamos.

Luc.22.9- Perguntaram-lhe eles: Onde queres que a preparemos?

Luc.22.10- Respondeu-lhes: Quando entrardes na cidade, sair-vos-á ao encontro um homem, levando um cântaro de água; segui-o até a casa em que ele entrar.

Luc.22.11- E direis ao dono da casa: O Mestre manda perguntar-te: Onde está o aposento em que hei de comer a Páscoa com os meus discípulos?

Luc.22.12- Então ele vos mostrará um grande cenáculo mobilado; aí fazei os preparativos.

Luc.22.13- Foram, pois, e acharam tudo como lhes dissera e prepararam a Páscoa.

Luc.22.14- E, chegada a hora, pôs-se Jesus à mesa, e com ele os apóstolos.

Luc.22.15- E disse-lhes: Tenho desejado ardentemente comer convosco esta Páscoa, antes da minha paixão;

Luc.22.16- pois vos digo que não a comerei mais até que ela se cumpra no reino de Deus.

Luc.22.17- Então havendo recebido um cálice, e tendo dado graças, disse: Tomai-o, e reparti-o entre vós;

Luc.22.18- porque vos digo que desde agora não mais beberei do fruto da videira, até que venha o reino de Deus.

Luc.22.19- E tomando pão, e havendo dado graças, partiu-o e deu-lho, dizendo: Isto é o meu corpo, que é dado por vós; fazei isto em memória de mim.

Luc.22.20- Semelhantemente, depois da ceia, tomou o cálice, dizendo: Este cálice é o novo pacto em meu sangue, que é derramado por vós.

Luc.22.21- Mas eis que a mão do que me trai está comigo à mesa.

Luc.22.22- Porque, na verdade, o Filho do homem vai segundo o que está determinado; mas ai daquele homem por quem é traído!

Luc.22.23- Então eles começaram a perguntar entre si qual deles o que ia fazer isso.

Luc.22.24- Levantou-se também entre eles contenda, sobre qual deles parecia ser o maior.

Luc.22.25- Ao que Jesus lhes disse: Os reis dos gentios dominam sobre eles, e os que sobre eles exercem autoridade são chamados benfeitores.

Luc.22.26- Mas vós não sereis assim; antes o maior entre vós seja como o mais novo; e quem governa como quem serve.

Luc.22.27- Pois qual é maior, quem está à mesa, ou quem serve? Porventura não é quem está à mesa? Eu, porém, estou entre vós como quem serve.

Luc.22.28- Mas vós sois os que tendes permanecido comigo nas minhas provações;

Luc.22.29- e assim como meu Pai me conferiu domínio, eu vo-lo confiro a vós;

Luc.22.30- para que comais e bebais à minha mesa no meu reino, e vos senteis sobre tronos, julgando as doze tribos de Israel.

Luc.22.31- Simão, Simão, eis que Satanás vos pediu para vos cirandar como trigo;

Luc.22.32- mas eu roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça; e tu, quando te converteres, fortalece teus irmãos.

Luc.22.33- Respondeu-lhe Pedro: Senhor, estou pronto a ir contigo tanto para a prisão como para a morte.

Luc.22.34- Tornou-lhe Jesus: Digo-te, Pedro, que não cantará hoje o galo antes que três vezes tenhas negado que me conheces.

Luc.22.35- E perguntou-lhes: Quando vos mandei sem bolsa, alforge, ou alparcas, faltou-vos porventura alguma coisa? Eles responderam: Nada.

Luc.22.36- Disse-lhes pois: Mas agora, quem tiver bolsa, tome-a, como também o alforge; e quem não tiver espada, venda o seu manto e compre-a.

Luc.22.37- Porquanto vos digo que importa que se cumpra em mim isto que está escrito: E com os malfeitores foi contado. Pois o que me diz respeito tem seu cumprimento.

Luc.22.38- Disseram eles: Senhor, eis aqui duas espadas. Respondeu-lhes: Basta.

Luc.22.39- Então saiu e, segundo o seu costume, foi para o Monte das Oliveiras; e os discípulos o seguiam.

Luc.22.40- Quando chegou àquele lugar, disse-lhes: Orai, para que não entreis em tentação.

Luc.22.41- E apartou-se deles cerca de um tiro de pedra; e pondo-se de joelhos, orava,

Luc.22.42- dizendo: Pai, se queres afasta de mim este cálice; todavia não se faça a minha vontade, mas a tua.

Luc.22.43- Então lhe apareceu um anjo do céu, que o confortava.

Luc.22.44- E, posto em agonia, orava mais intensamente; e o seu suor tornou-se como grandes gotas de sangue, que caíam sobre o chão.

Luc.22.45- Depois, levantando-se da oração, veio para os seus discípulos, e achou-os dormindo de tristeza;

Luc.22.46- e disse-lhes: Por que estais dormindo? Levantai-vos, e orai, para que não entreis em tentação.

Luc.22.47- E estando ele ainda a falar, eis que surgiu uma multidão; e aquele que se chamava Judas, um dos doze, ia adiante dela, e chegou-se a Jesus para o beijar.

Luc.22.48- Jesus, porém, lhe disse: Judas, com um beijo trais o Filho do homem?

Luc.22.49- Quando os que estavam com ele viram o que ia suceder, disseram: Senhor, feri-los-emos a espada?

Luc.22.50- Então um deles feriu o servo do sumo-sacerdote, e cortou-lhe a orelha direita.

Luc.22.51- Mas Jesus disse: Deixei-os; basta. E tocando-lhe a orelha, o curou.

Luc.22.52- Então disse Jesus aos principais sacerdotes, oficiais do templo e anciãos, que tinham ido contra ele: Saístes, como a um salteador, com espadas e varapaus?

Luc.22.53- Todos os dias estava eu convosco no templo, e não estendestes as mãos contra mim; mas esta é a vossa hora e o poder das trevas.

Luc.22.54- Então, prendendo-o, o levaram e o introduziram na casa do sumo-sacerdote; e Pedro seguia-o de longe.

Luc.22.55- E tendo eles acendido fogo no meio do pátio e havendo-se sentado à roda, sentou-se Pedro entre eles.

Luc.22.56- Uma criada, vendo-o sentado ao lume, fixou os olhos nele e disse: Esse também estava com ele.

Luc.22.57- Mas Pedro o negou, dizendo: Mulher, não o conheço.

Luc.22.58- Daí a pouco, outro o viu, e disse: Tu também és um deles. Mas Pedro disse: Homem, não sou.

Luc.22.59- E, tendo passado quase uma hora, outro afirmava, dizendo: Certamente este também estava com ele, pois é galileu.

Luc.22.60- Mas Pedro respondeu: Homem, não sei o que dizes. E imediatamente estando ele ainda a falar, cantou o galo.

Luc.22.61- Virando-se o Senhor, olhou para Pedro; e Pedro lembrou-se da palavra do Senhor, como lhe havia dito: Hoje, antes que o galo cante, três vezes me negarás.

Luc.22.62- E, havendo saído, chorou amargamente.

Luc.22.63- Os homens que detinham Jesus zombavam dele, e feriam-no;

Luc.22.64- e, vendando-lhe os olhos, perguntavam, dizendo: Profetiza, quem foi que te bateu?

Luc.22.65- E, blasfemando, diziam muitas outras coisas contra ele.

Luc.22.66- Logo que amanheceu reuniu-se a assembleia dos anciãos do povo, tanto os principais sacerdotes como os escribas, e o conduziam ao sinédrio deles, onde lhe disseram:

Luc.22.67- Se tu és o Cristo, dize-no-lo. Replicou-lhes ele: Se eu vo-lo disser, não o crereis;

Luc.22.68- e se eu vos interrogar, de modo algum me respondereis.

Luc.22.69- Mas desde agora estará assentado o Filho do homem à mão direita do poder de Deus.

Luc.22.70- Ao que perguntaram todos: Logo, tu és o Filho de Deus? Respondeu-lhes: Vós dizeis que eu sou.

Luc.22.71- Então disseram: Por que ainda temos necessidade de testemunho? Pois nós mesmos o ouvimos da sua própria boca.

Luc.23.1- E levantando-se toda a multidão deles, conduziram Jesus a Pilatos.

Luc.23.2- E começaram a acusá-lo, dizendo: Achamos este homem pervertendo a nossa nação, proibindo dar o tributo a César, e dizendo ser ele mesmo Cristo, rei.

Luc.23.3- Pilatos, pois, perguntou-lhe: És tu o rei dos judeus? Respondeu-lhe Jesus: É como dizes.

Luc.23.4- Então disse Pilatos aos principais sacerdotes, e às multidões: Não acho culpa alguma neste homem.

Luc.23.5- Eles, porém, insistiam ainda mais, dizendo: Alvoroça o povo ensinando por toda a Judeia, começando desde a Galileia até aqui.

Luc.23.6- Então Pilatos, ouvindo isso, perguntou se o homem era galileu;

Luc.23.7- e, quando soube que era da jurisdição de Herodes, remeteu-o a Herodes, que também naqueles dias estava em Jerusalém.

Luc.23.8- Ora, quando Herodes viu a Jesus, alegrou-se muito; pois de longo tempo desejava vê-lo, por ter ouvido falar a seu respeito; e esperava ver algum sinal feito por ele;

Luc.23.9- e fazia-lhe muitas perguntas; mas ele nada lhe respondeu.

Luc.23.10- Estavam ali os principais sacerdotes, e os escribas, acusando-o com grande veemência.

Luc.23.11- Herodes, porém, com os seus soldados, desprezou-o e, escarnecendo dele, vestiu-o com uma roupa resplandecente e tornou a enviá-lo a Pilatos.

Luc.23.12- Nesse mesmo dia Pilatos e Herodes tornaram-se amigos; pois antes andavam em inimizade um com o outro.

Luc.23.13- Então Pilatos convocou os principais sacerdotes, as autoridades e o povo,

Luc.23.14- e disse-lhes: Apresentastes-me este homem como pervertedor do povo; e eis que, interrogando-o diante de vós, não achei nele nenhuma culpa, das de que o acusais;

Luc.23.15- nem tampouco Herodes, pois no-lo tornou a enviar; e eis que não tem feito ele coisa alguma digna de morte.

Luc.23.16- Castigá-lo-ei, pois, e o soltarei.

Luc.23.17- [E era-lhe necessário soltar-lhes um pela festa.]

Luc.23.18- Mas todos clamaram à uma, dizendo: Fora com este, e solta-nos Barrabás!

Luc.23.19- Ora, Barrabás fora lançado na prisão por causa de uma sedição feita na cidade, e de um homicídio.

Luc.23.20- Mais uma vez, pois, falou-lhes Pilatos, querendo soltar a Jesus.

Luc.23.21- Eles, porém, bradavam, dizendo: Crucifica-o! Crucifica-o!

Luc.23.22- Falou-lhes, então, pela terceira vez: Pois, que mal fez ele? Não achei nele nenhuma culpa digna de morte. Castigá-lo-ei, pois, e o soltarei.

Luc.23.23- Mas eles instavam com grandes brados, pedindo que fosse crucificado. E prevaleceram os seus clamores.

Luc.23.24- Então Pilatos resolveu atender-lhes o pedido;

Luc.23.25- e soltou-lhes o que fora lançado na prisão por causa de sedição e de homicídio, que era o que eles pediam; mas entregou Jesus à vontade deles.

Luc.23.26- Quando o levaram dali tomaram um certo Simão, cireneu, que vinha do campo, e puseram-lhe a cruz às costas, para que a levasse após Jesus.

Luc.23.27- Seguia-o grande multidão de povo e de mulheres, as quais o pranteavam e lamentavam.

Luc.23.28- Jesus, porém, voltando-se para elas, disse: Filhas de Jerusalém, não choreis por mim; chorai antes por vós mesmas, e por vossos filhos.

Luc.23.29- Porque dias hão-de vir em que se dirá: Bem-aventuradas as estéreis, e os ventres que não geraram, e os peitos que não amamentaram!

Luc.23.30- Então começarão a dizer aos montes: Caí sobre nós; e aos outeiros: Cobri-nos.

Luc.23.31- Porque, se isto se faz no lenho verde, que se fará no seco?

Luc.23.32- E levavam também com ele outros dois, que eram malfeitores, para serem mortos.

Luc.23.33- Quando chegaram ao lugar chamado Caveira, ali o crucificaram, a ele e também aos malfeitores, um à direita e outro à esquerda.

Luc.23.34- Jesus, porém, dizia: Pai, perdoa-lhes; porque não sabem o que fazem. Então repartiram as vestes dele, deitando sortes sobre elas.

Luc.23.35- E o povo estava ali a olhar. E as próprias autoridades zombavam dele, dizendo: Aos outros salvou; salve-se a si mesmo, se é o Cristo, o escolhido de Deus.

Luc.23.36- Os soldados também o escarneciam, chegando-se a ele, oferecendo-lhe vinagre,

Luc.23.37- e dizendo: Se tu és o rei dos judeus, salva-te a ti mesmo.

Luc.23.38- Por cima dele estava esta inscrição [em letras gregas, romanas e hebraicas:] ESTE É O REI DOS JUDEUS.

Luc.23.39- Então um dos malfeitores que estavam pendurados, blasfemava dele, dizendo: Não és tu o Cristo? Salva-te a ti mesmo e a nós.

Luc.23.40- Respondendo, porém, o outro, repreendia-o, dizendo: Nem ao menos temes a Deus, estando na mesma condenação?

Luc.23.41- E nós, na verdade, com justiça; porque recebemos o que os nossos feitos merecem; mas este nenhum mal fez.

Luc.23.42- Então disse: Jesus, lembra-te de mim, quando entrares no teu reino.

Luc.23.43- Respondeu-lhe Jesus: Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso.

Luc.23.44- Era já quase a hora sexta, e houve trevas em toda a terra até a hora nona, pois o sol se escurecera;

Luc.23.45- e rasgou-se ao meio o véu do santuário.

Luc.23.46- Jesus, clamando com grande voz, disse: Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito. E, havendo dito isso, expirou.

Luc.23.47- Quando o centurião viu o que acontecera, deu glória a Deus, dizendo: Na verdade, este homem era justo.

Luc.23.48- E todas as multidões que presenciaram este espectáculo, vendo o que havia acontecido, voltaram batendo no peito.

Luc.23.49- Entretanto, todos os conhecidos de Jesus, e as mulheres que o haviam seguido desde a Galileia, estavam de longe vendo estas coisas.

Luc.23.50- Então um homem chamado José, natural de Arimateia, cidade dos judeus, membro do sinédrio, homem bom e justo,

Luc.23.51- o qual não tinha consentido no conselho e nos actos dos outros, e que esperava o reino de Deus,

Luc.23.52- chegando a Pilatos, pediu-lhe o corpo de Jesus;

Luc.23.53- e tirando-o da cruz, envolveu-o num pano de linho, e pô-lo num sepulcro escavado em rocha, onde ninguém ainda havia sido posto.

Luc.23.54- Era o dia da preparação, e ia começar o sábado.

Luc.23.55- E as mulheres que tinham vindo com ele da Galileia, seguindo a José, viram o sepulcro, e como o corpo foi ali depositado.

Luc.23.56- Então voltaram e prepararam especiarias e unguentos. E no sábado repousaram, conforme o mandamento.

Luc.24.1- Mas já no primeiro dia da semana, bem de madrugada, foram elas ao sepulcro, levando as especiarias que tinham preparado.

Luc.24.2- E acharam a pedra revolvida do sepulcro.

Luc.24.3- Entrando, porém, não acharam o corpo do Senhor Jesus.

Luc.24.4- E, estando elas perplexas a esse respeito, eis que lhes apareceram dois varões em vestes resplandecentes;

Luc.24.5- e ficando elas atemorizadas e abaixando o rosto para o chão, eles lhes disseram: Por que buscais entre os mortos aquele que vive?

Luc.24.6- Ele não está aqui, mas ressurgiu. Lembrai-vos de como vos falou, estando ainda na Galileia

Luc.24.7- dizendo: Importa que o Filho do homem seja entregue nas mãos de homens pecadores, e seja crucificado, e ao terceiro dia ressurja.

Luc.24.8- Lembraram-se, então, das suas palavras;

Luc.24.9- e, voltando do sepulcro, anunciaram todas estas coisas aos onze e a todos os demais.

Luc.24.10- E eram Maria Madalena, e Joana, e Maria, mãe de Tiago; também as outras que estavam com elas relataram estas coisas aos apóstolos.

Luc.24.11- E pareceram-lhes como um delírio as palavras das mulheres e não lhes deram crédito.

Luc.24.12- Mas Pedro, levantando-se, correu ao sepulcro; e, abaixando-se, viu somente os panos de linho; e retirou-se, admirando consigo o que havia acontecido.

Luc.24.13- Nesse mesmo dia, iam dois deles para uma aldeia chamada Emaús, que distava de Jerusalém sessenta estádios;

Luc.24.14- e iam comentando entre si tudo aquilo que havia sucedido.

Luc.24.15- Enquanto assim comentavam e discutiam, o próprio Jesus se aproximou, e ia com eles;

Luc.24.16- mas os olhos deles estavam como que fechados, de sorte que não o reconheceram.

Luc.24.17- Então ele lhes perguntou: Que palavras são essas que, caminhando, trocais entre vós? Eles então pararam tristes.

Luc.24.18- E um deles, chamado Cleófas, respondeu-lhe: És tu o único peregrino em Jerusalém que não soube das coisas que nela têm sucedido nestes dias?

Luc.24.19- Ao que ele lhes perguntou: Quais? Disseram-lhe: As que dizem respeito a Jesus, o nazareno, que foi profeta, poderoso em obras e palavras diante de Deus e de todo o povo

Luc.24.20- e como os principais sacerdotes e as nossas autoridades e entregaram para ser condenado à morte, e o crucificaram.

Luc.24.21- Ora, nós esperávamos que fosse ele quem havia de remir Israel; e, além de tudo isso, é já hoje o terceiro dia desde que essas coisas aconteceram.

Luc.24.22- Verdade é, também, que algumas mulheres do nosso meio nos encheram de espanto; pois foram de madrugada ao sepulcro

Luc.24.23- e, não achando o corpo dele voltaram, declarando que tinham tido uma visão de anjos que diziam estar ele vivo.

Luc.24.24- Além disso, alguns dos que estavam connosco foram ao sepulcro, e acharam ser assim como as mulheres haviam dito; a ele, porém, não o viram.

Luc.24.25- Então ele lhes disse: Ó néscios, e tardos de coração para crerdes tudo o que os profetas disseram!

Luc.24.26- Porventura não importa que o Cristo padecesse essas coisas e entrasse na sua glória?

Luc.24.27- E, começando por Moisés, e por todos os profetas, explicou-lhes o que dele se achava em todas as Escrituras.

Luc.24.28- Quando se aproximaram da aldeia para onde iam, ele fez como quem ia para mais longe.

Luc.24.29- Eles, porém, o constrangeram, dizendo: Fica connosco; porque é tarde, e já declinou o dia. E entrou para ficar com eles.

Luc.24.30- Estando com eles à mesa, tomou o pão e o abençoou; e, partindo-o, lho dava.

Luc.24.31- Abriram-se-lhes então os olhos, e o reconheceram; nisto ele desapareceu de diante deles.

Luc.24.32- E disseram um para o outro: Porventura não se nos abrasava o coração, quando pelo caminho nos falava, e quando nos abria as Escrituras?

Luc.24.33- E na mesma hora levantaram-se e voltaram para Jerusalém, e encontraram reunidos os onze e os que estavam com eles,

Luc.24.34- os quais diziam: Realmente o Senhor ressurgiu, e apareceu a Simão.

Luc.24.35- Então os dois contaram o que acontecera no caminho, e como se lhes fizera conhecer no partir do pão.

Luc.24.36- Enquanto ainda falavam nisso, o próprio Jesus se apresentou no meio deles, e disse-lhes: Paz seja convosco.

Luc.24.37- Mas eles, espantados e atemorizados, pensavam que viam algum espírito.

Luc.24.38- Ele, porém, lhes disse: Por que estais perturbados? E por que surgem dúvidas em vossos corações?

Luc.24.39- Olhai as minhas mãos e os meus pés, que sou eu mesmo; apalpai-me e vede; porque um espírito não tem carne nem ossos, como percebeis que eu tenho.

Luc.24.40- E, dizendo isso, mostrou-lhes as mãos e os pés.

Luc.24.41- Não acreditando eles ainda por causa da alegria, e estando admirados, perguntou-lhes Jesus: Tendes aqui alguma coisa que comer?

Luc.24.42- Então lhe deram um pedaço de peixe assado,

Luc.24.43- o qual ele tomou e comeu diante deles.

Luc.24.44- Depois lhe disse: São estas as palavras que vos falei, estando ainda convosco, que importava que se cumprisse tudo o que de mim estava escrito na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos.

Luc.24.45- Então lhes abriu o entendimento para compreenderem as Escrituras;

Luc.24.46- e disse-lhes: Assim está escrito que o Cristo padecesse, e ao terceiro dia ressurgisse dentre os mortos;

Luc.24.47- e que em seu nome se pregasse o arrependimento para remissão dos pecados, a todas as nações, começando por Jerusalém.

Luc.24.48- Vós sois testemunhas destas coisas.

Luc.24.49- E eis que sobre vós envio a promessa de meu Pai; ficai porém, na cidade, até que do alto sejais revestidos de poder.

Luc.24.50- Então os levou fora, até Betânia; e levantando as mãos, os abençoou.

Luc.24.51- E aconteceu que, enquanto os abençoava, apartou-se deles; e foi elevado ao céu.

Luc.24.52- E, depois de o adorarem, voltaram com grande júbilo para Jerusalém;

Luc.24.53- e estavam continuamente no templo, bendizendo a Deus.

João

Joa.1.1- No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.

Joa.1.2- Ele estava no princípio com Deus.

Joa.1.3- Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e sem ele nada do que foi feito se fez.

Joa.1.4- Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens;

Joa.1.5- a luz resplandece nas trevas, e as trevas não prevaleceram contra ela.

Joa.1.6- Houve um homem enviado de Deus, cujo nome era João.

Joa.1.7- Este veio como testemunha, a fim de dar testemunho da luz, para que todos cressem por meio dele.

Joa.1.8- Ele não era a luz, mas veio para dar testemunho da luz.

Joa.1.9- Pois a verdadeira luz, que alumia a todo homem, estava chegando ao mundo.

Joa.1.10- Estava ele no mundo, e o mundo foi feito por intermédio dele, e o mundo não o conheceu.

Joa.1.11- Veio para o que era seu, e os seus não o receberam.

Joa.1.12- Mas, a todos quantos o receberam, aos que crêem no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus;

Joa.1.13- os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do varão, mas de Deus.

Joa.1.14- E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade; e vimos a sua glória, como a glória do unigénito do Pai.

Joa.1.15- João deu testemunho dele, e clamou, dizendo: Este é aquele de quem eu disse: O que vem depois de mim, passou adiante de mim; porque antes de mim ele já existia.

Joa.1.16- Pois todos nós recebemos da sua plenitude, e graça sobre graça.

Joa.1.17- Porque a lei foi dada por meio de Moisés; a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo.

Joa.1.18- Ninguém jamais viu a Deus. O Deus unigénito, que está no seio do Pai, esse o deu a conhecer.

Joa.1.19- E este foi o testemunho de João, quando os judeus lhe enviaram de Jerusalém sacerdotes e levitas para que lhe perguntassem: Quem és tu?

Joa.1.20- Ele, pois, confessou e não negou; sim, confessou: Eu não sou o Cristo.

Joa.1.21- Ao que lhe perguntaram: Pois que? És tu Elias? Respondeu ele: Não sou. És tu o profeta? E respondeu: Não.

Joa.1.22- Disseram-lhe, pois: Quem és? Para podermos dar resposta aos que nos enviaram; que dizes de ti mesmo?

Joa.1.23- Respondeu ele: Eu sou a voz do que clama no deserto: Endireitai o caminho do Senhor, como disse o profeta Isaías.

Joa.1.24- E os que tinham sido enviados eram dos fariseus.

Joa.1.25- Então lhe perguntaram: Por que batizas, pois, se tu não és o Cristo, nem Elias, nem o profeta?

Joa.1.26- Respondeu-lhes João: Eu batizo com água; no meio de vós está um a quem vós não conheceis.

Joa.1.27- aquele que vem depois de mim, de quem eu não sou digno de desatar a correia da alparca.

Joa.1.28- Estas coisas aconteceram em Betânia, além do Jordão, onde João estava batizando.

Joa.1.29- No dia seguinte João viu a Jesus, que vinha para ele, e disse: Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo.

Joa.1.30- Este é aquele de quem eu disse: Depois de mim vem um varão que passou adiante de mim, porque antes de mim ele já existia.

Joa.1.31- Eu não o conhecia; mas, para que ele fosse manifestado a Israel, é que vim batizando com água.

Joa.1.32- E João deu testemunho, dizendo: Vi o Espírito descer do céu como pomba, e repousar sobre ele.

Joa.1.33- Eu não o conhecia; mas o que me enviou a batizar com água, esse me disse: Aquele sobre quem vires descer o Espírito, e sobre ele permanecer, esse é o que batiza com o Espírito Santo.

Joa.1.34- Eu mesmo vi e já vos dei testemunho de que este é o Filho de Deus.

Joa.1.35- No dia seguinte João estava outra vez ali, com dois dos seus discípulos

Joa.1.36- e, olhando para Jesus, que passava, disse: Eis o Cordeiro de Deus!

Joa.1.37- Aqueles dois discípulos ouviram-no dizer isto, e seguiram a Jesus.

Joa.1.38- Voltando-se Jesus e vendo que o seguiam, perguntou-lhes: Que buscais? Disseram-lhe eles: Rabi (que, traduzido, quer dizer Mestre), onde pousas?

Joa.1.39- Respondeu-lhes: Vinde, e vereis. Foram, pois, e viram onde pousava; e passaram o dia com ele; era cerca da hora décima.

Joa.1.40- André, irmão de Simão Pedro, era um dos dois que ouviram João falar, e que seguiram a Jesus.

Joa.1.41- Ele achou primeiro a seu irmão Simão, e disse-lhe: Havemos achado o Messias (que, traduzido, quer dizer Cristo).

Joa.1.42- E o levou a Jesus. Jesus, fixando nele o olhar, disse: Tu és Simão, filho de João, tu serás chamado Cefas (que quer dizer Pedro).

Joa.1.43- No dia seguinte Jesus resolveu partir para a Galileia, e achando a Felipe disse-lhe: Segue-me.

Joa.1.44- Ora, Felipe era de Betsaida, cidade de André e de Pedro.

Joa.1.45- Felipe achou a Natanael, e disse-lhe: Acabamos de achar aquele de quem escreveram Moisés na lei, e os profetas: Jesus de Nazaré, filho de José.

Joa.1.46- Perguntou-lhe Natanael: Pode haver coisa bem vinda de Nazaré? Disse-lhe Felipe: Vem e vê.

Joa.1.47- Jesus, vendo Natanael aproximar-se dele, disse a seu respeito: Eis um verdadeiro israelita, em quem não há dolo!

Joa.1.48- Perguntou-lhe Natanael: Donde me conheces? Respondeu-lhe Jesus: Antes que Felipe te chamasse, eu te vi, quando estavas debaixo da figueira.

Joa.1.49- Respondeu-lhe Natanael: Rabi, tu és o Filho de Deus, tu és rei de Israel.

Joa.1.50- Ao que lhe disse Jesus: Porque te disse: Vi-te debaixo da figueira, crês? Coisas maiores do que estas verás.

Joa.1.51- E acrescentou: Em verdade, em verdade vos digo que vereis o céu aberto, e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do homem.

Joa.2.1- Três dias depois, houve um casamento em Caná da Galileia, e estava ali a mãe de Jesus;

Joa.2.2- e foi também convidado Jesus com seus discípulos para o casamento.

Joa.2.3- Tendo acabado o vinho, a mãe de Jesus lhe disse: Eles não têm vinho.

Joa.2.4- Respondeu-lhes Jesus: Mulher, que tenho eu contigo? Ainda não é chegada a minha hora.

Joa.2.5- Disse então sua mãe aos serventes: Fazei tudo quanto ele vos disser.

Joa.2.6- Ora, estavam ali postas seis talhas de pedra, para as purificações dos judeus, e em cada uma cabiam dois ou três almudes.

Joa.2.7- Ordenou-lhe Jesus: Enchei de água essas talhas. E encheram-nas até em cima.

Joa.2.8- Então lhes disse: Tirai agora, e levai ao mestre-sala. E eles o fizeram.

Joa.2.9- Quando o mestre-sala provou a água tornada em vinho, não sabendo donde era, se bem que o sabiam os serventes que tinham tirado a água, chamou o mestre-sala ao noivo

Joa.2.10- e lhe disse: Todo homem põe primeiro o vinho bom e, quando já têm bebido bem, então o inferior; mas tu guardaste até agora o bom vinho.

Joa.2.11- Assim deu Jesus início aos seus sinais em Caná da Galileia, e manifestou a sua glória; e os seus discípulos creram nele.

Joa.2.12- Depois disso desceu a Cafarnaum, ele, sua mãe, seus irmãos, e seus discípulos; e ficaram ali não muitos dias.

Joa.2.13- Estando próxima a Páscoa dos judeus, Jesus subiu a Jerusalém.

Joa.2.14- E achou no templo os que vendiam bois, ovelhas e pombas, e também os cambistas ali sentados;

Joa.2.15- e tendo feito um azorrague de cordas, lançou todos fora do templo, bem como as ovelhas e os bois; espalhou o dinheiro dos cambistas, virou-lhes as mesas;

Joa.2.16- e disse aos que vendiam as pombas: Tirai daqui estas coisas; não façais da casa de meu Pai casa de negócio.